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31 janeiro 2018
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O bitcoin atrai a atenção de investidores e já é aceito como meio de pagamento em alguns estabelecimentos. Veja os perigos e vantagens de usar e aplicar em criptomoedas

Muita gente, de repente, está falando em bitcoins e inclusive fala em investir neste tipo de ativo. Mas quando se trata de algo novo é sempre importante se informar. “Não existe dinheiro fácil. Quando a obtenção do lucro parece fácil demais, devemos sempre desconfiar”, diz a economista-chefe do SPC, Marcela Kawauti.

Confuso? Calma! Explicamos aqui o que são bitcoins, como funcionam e por que estão em alta. E, claro, mostramos os cuidados que devem ser tomados antes de optar por investir nas chamadas criptomoedas (embora não sejam moedas exatamente).

O que é

Apesar de muita gente se referir ao bitcoin como uma moeda, como o real ou o dólar, ele não é. “Analisando pelas  principais funções clássicas de moeda (reserva de valor, meio de troca e unidade de conta), o bitcoin já tem sido usado como meio de troca, mas não é ainda unidade de conta em nenhum local. Para uma moeda se tornar unidade de conta ela deve atingir uma alta liquidez, ou liquidez absoluta, algo que o bitcoin ainda está longe de alcançar, mesmo que, em teoria, o possa fazer no futuro”, diz Fernando Ulrich, especialista em Blockchain e Criptomoedas do Grupo XP. A sua emissão não é controlada por nenhum Banco Central, sendo produzida de forma descentralizada por milhares de computadores. Esses computadores são mantidos por pessoas que “emprestam” a capacidade de suas máquinas para mineirar bitcoins e também para registrar as transações feitas com a moeda. Quem criou o bitcoin foi o desenvolvedor Satoshi Nakamoto, em 2009. No entanto, esse é apenas um pseudônimo utilizado pela pessoa ou pessoas que de fato desenvolveram a moeda virtual.

O processo de criação de uma bitcoin é chamado de “mineração”. Funciona assim: os computadores conectados à rede competem entre si na resolução de problemas matemáticos. Quem ganha, recebe um bloco da moeda. O nível de dificuldade dos desafios é ajustado pela própria rede, para que a moeda cresça dentro de uma faixa limitada, que é de até 21 milhões de unidades até o ano de 2040. Pensando em limitar o crescimento da moeda o que acontece também é que, vez ou outra, o valor da recompensa de quem entra nos desafios (os “mineiros”) é reduzido. No início da era bitcoin, qualquer um com o software específico podia minerar a moeda. Com o aumento da procura, no entanto, apenas quem possui máquinas mais potentes consegue minerar bitcoins (tanto que hoje existem computadores desenvolvidos especialmente para essa tarefa).

Como funciona

Além da mineração, ou seja, ter um computador potente para conseguir fabricar moedas, uma pessoa pode adquirir bitcoins comprando unidades em casas de câmbio específicas ou aceitando a criptmoeda ao vender coisas ou serviços. As bitcoins são guardadas em uma espécie de carteira, criada quando o usuário se cadastra no site. Depois do cadastro, a pessoa recebe um código com letras e números, chamado de “endereço” – este número que deve ser usado quando o consumidor quiser comprar algo em um site ou estabelecimento que aceite bitcoins. Talvez uma das maiores características específicas em torno do uso de bitcoins é que tanto a identidade do comprador quanto do vendedor são mantidas no anonimato, ficando registrada somente a transação. Vale destacar que o bitcoin não é a única criptomoeda existente, havendo outras como Litecoin, Ethereum, Monero, Dogecoin, etc.

Transações diferentes

Para fazer qualquer transação é preciso um intermediário. Assim, para comprar algo em uma loja usando o cartão de crédito ou débito você usa a Mastercard, por exemplo. Ela que verificará se você possui dinheiro para pagar o item adquirido e fará a transação para o estabelecimento. O mesmo vale para transações entre contas ou compras online. O PayPal, o PagSeguro, todos esses intermediários funcionam como “verificadores” de que o valor pode ser transferido e de fato será recebido. Ao fazer uma transação com Bitcoin, no entanto, não há uma empresa verificadora. O único intermediário é a corretora na qual é preciso se cadastrar para fazer as transações. Como é feita a verificação então? Não por uma empresa, mas pelo próprio sistema do bitcoin. “Todas as transações que ocorrem na economia Bitcoin são registradas em uma espécie de livro-razão público (registro não nominal, ou seja, não atrelado ao nome do proprietário), contendo o histórico de todas as transações realizadas. Novas transações são verificadas contra esse registro público, de modo a assegurar que os mesmos bitcoins não tenham sido previamente gastos, eliminando o problema do gasto duplo (ou sem fundos). A rede global, composta por milhares de usuários, torna-se o próprio intermediário”, explica Fernando, autor do livro “Bitcoin – A Moeda na Era Digital”.

Por que está valorizado

Historicamente, a bitcoin apresenta alta volatilidade. Em 2017, o interesse por ela explodiu. Os entusiastas da moeda dizem que o movimento de alta deve continuar com o interesse de novos adeptos e a maior aceitação. Muitos economistas, no entanto, defendem que o bitcoin vive na verdade em uma bolha, prestes a estourar. Como assim uma bolha? Existem dois motivos principais para que um ativo suba de preço. Um deles é demanda. Ou seja, se choveu muito e o alface está escasso naturalmente o seu preço aumentará, já que tem mais gente querendo comprar alface do que gente vendendo. O segundo motivo é especulação, ou seja, muita gente dizendo que algo é vantajoso. “O bitcoin está valorizado por causa da especulação. Não há um crescimento real na demanda que justifique o aumento do seu valor no mercado, que está subindo sem qualquer sustentação. Uma vantagem do bitcoin é que ele facilita a vida de quem deseja fazer transações no anonimato – e muitas vezes ilegais. No instante em que for regulamentado, muitas pessoas abandonarão o meio de pagamento. Com a queda da demanda, haverá também queda no valor da cotação”, explica a economista. Além disso, trata-se de um ativo que cresce sem base em fundamentos, podendo cair a qualquer momento, sem necessariamente um motivo sólido para a queda.

Cuidados

O bitcoin é um investimento de altíssimo risco. Se hoje quem investiu viu seu dinheiro ir de cem para mil reais, pode em breve ver a mesma quantia baixar para dez. “Bitcoins devem ser entendidos como um ativo com risco bem acima da média de investimentos tradicionais. Quem desejar comprar essa criptomoeda, deveria estudar e conhecer o riscos e a segurança da tecnologia. Dada a alta muito expressiva em 2017, o risco de uma correção forte de preço estava latente, o que, de certo modo, já está ocorrendo neste momento”, diz Fernando. E não é somente a variação na sua cotação que torna o investimento perigoso. “Quando o investimento é feito em uma corretora tradicional, é possível entrar no site da bolsa de valores ou do Tesouro Direto e saber se o título está no nome de quem comprou. Assim se a corretora falir, há uma segurança jurídica para o investidor. No caso do bitcoin, se a corretora abre falência, desaparece, se há algum problema operacional, o dinheiro está anônimo, não há como provar de quem é”, alerta Marcela. Por fim, ainda existem as taxas para uso do serviço, que são altas. Assim como para usar o cartão de crédito você paga uma anuidade, para usar a bitcoin você também paga uma taxa. Há, ainda, outro cuidado: como é algo novo e ainda não regulamentado, é difícil saber em qual corretora confiar. “Como existem vários tipos de criptomoedas (Bitcoin, Litecoin, Ethereum, etc) já houve casos de pessoas que inventaram criptomoedas para enganar possíveis investidores”, alerta Marcela.

É arriscado. Quem investir mesmo assim?

O principal cuidado é que, quando falamos de investimento, devemos pensar no formato de uma pirâmide, colocando na base da pirâmide os mais seguros e deixando os mais arriscados na pontinha. Assim, tratando-se de um investimento tão arriscado quanto o em bitcoins, o ideal é investir apenas um pouco e sempre realizando o lucro, ou seja, retirando o valor lucrado. “Deixe somente o valor inicial e reinvista o lucro em um investimento mais seguro”, alerta Marcela. E, antes de mergulhar de cabeça, pesquise muito bem sobre o assunto, dê uma olhada no site Reclame Aqui e procure conversar com quem já investiu. “O ideal é aprender a usar uma carteira digital com segurança (fazendo os devidos backups das senhas), comprar apenas de bolsas com reputação e histórico de mercado e não cair em esquemas que usam o nome do bitcoin como isca e vendem promessas de investimentos fraudulentos”, aconselha o especialista.

Paula Aftimus

Jornalista com especialização pela State University of New York, editora de publicações e portais do Grupo Abril e do Grupo LANCE!, especialista em mídias digitais e marketing de conteúdo. MBA em Gestão Estratégica e Econômica de Projetos pela FGV.

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