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10 setembro 2015

 

MBF
Descubra quais os principais vilões do consumo impulsivo e saiba lidar com eles

Muito diferente do consumo, o consumo impulsivo, ou o consumo sem planejamento,  é o ato de comprar em excesso, aquilo que não precisa, e gastar muito mais do que deve, sem pensar. E, nos dias de hoje, está cada vez mais difícil fugir desse consumo, já que todas as lojas, propagandas, promoções e estímulos visuais te levam a ele. “Já é comprovado por estudos que, quanto mais estímulos recebemos, mais compras fazemos. Nosso cérebro tem uma programação “de fábrica” para evitar a dor e buscar o prazer”, explica Ana Paula Hornos, educadora e coach em finanças pessoais. Segundo estudo realizado pelo SPC Brasil, o prazer é o principal sentimento ligado às compras e 54 por cento dos entrevistados sentem essa euforia em comprar tudo que querem, sem pensar nas consequências.

E é exatamente por isso que nós sabemos que é muito difícil resistir à tentação.  “Se estamos cansados, ansiosos, ou com algum problema, por exemplo, podemos cair na cilada de buscar a compensação pelas compras”. Até mesmo um estado de humor muito positivo como alegria ou empolgação podem interferir nestas escolhas,  avalia Marcela Kawauti, economista chefe do SPC Brasil. Junto a isso, outras armadilhas te levam para o mau caminho, as promoções são as principais influenciadoras para 84 por cento dos entrevistados, para 30 por cento os preços estavam bons e ansiedade são os principais fatores do consumo impulsivo, completa Marcela.

E mais: parte dos entrevistados também afirmaram que possuem uma média de 3 compras parceladas e, 35 por cento delas, foi feita por impulso. A partir disso, o Portal Meu Bolso Feliz listou as principais armadilhas do consumo e reuniu dicas para fugir delas:

 

Supermercado

Você sabia que o supermercado é o campeão das compras por impulso? A maioria das pessoas não faz uma listinha e, sem planejamento, acaba comprando produtos e alimentos que não precisa ou já tem em casa. Para completar, sempre compra as mesmas marcas e não pesquisa preço. Se você se identificou, é hora de ficar atento.

Fuja da cilada: Para manter uma boa relação com o mercado, que é essencial no seu dia a dia, siga algumas regrinhas antes de ir às compras:

– Faça uma lista.

– Divida as compras em grupos e faça as mesmas anotações com todos eles: uso pessoal, produtos de limpeza, alimentos (de geladeira e mantimentos). Assim fica mais fácil se organizar – e cortar os supérfluos.

– Não seja tão fiel à marcas. Muitas vezes, pesquisar preços e optar por um produto com marca alternativa mais em conta faz muita diferença no orçamento.

– Nunca vá ao supermercado  cansado ou com fome, porque se consome mais. Planeje sua ida em um momento adequado e compre somente o que estiver em sua lista.

– Não leve crianças com você. Elas tendem a querer tudo que é gostoso e colorido e isso vai aumentar muito seus gastos.

Shopping

Passear no shopping é uma delícia. Mas é preciso tomar muito cuidado. Para 30 por cento dos entrevistados na pesquisa do SPC Brasil, uma vitrine atrativa é motivo suficiente para entrar na loja que não pretendia e as roupas estão entre os itens mais comprados por impulso. Além disso, gastos supérfluos como comidinhas, também pesam na hora de fechar a conta no fim do mês.

Fuja da cilada: Claro que você não precisa cortar de vez o passeio no shopping da sua rotina, mas lembre-se sempre que o local é um perfeito centro de consumo e foi pensado e projetado para isso. Ou seja, quer ir SÓ ao cinema? O shopping te faz passar por todas aquelas lojas que você tanto ama antes de chegar lá. Por isso, fique atento:

– Se você está com a grana curta, evite o shopping por um tempo.

– Experimente outros lugares para fazer passeios, principalmente com filhos, em parques, museus, oficinas gratuitas e bibliotecas. “Esses locais que podem proporcionar lazer, desenvolvimento cultural e diversão, sem a obrigação de ter a compra envolvida”, aconselha Ana.

– Troque o cineminha por um filme em casa. A pipoca de microondas é uma delícia.

– Na hora de ir ao shopping, evite convidar pessoas que te estimulam a gastar.

– Leve apenas o valor necessário para o passeio pretendido e que cabe no seu orçamento. Assim, não há possibilidade de você exceder o planejado.

Restaurantes e cafés

Em tempos de Master Chef, conhecer restaurantes novos, sair para almoçar em algum lugar bacana com os colegas de trabalho e estar sempre antenado naquilo que faz sucesso são desejos de muita gente. Muitas vezes, só de ouvir um “você ainda não conhece aquele restaurante novo“, já é motivo para enfrentar filas e pagar uma pequena fortuna por uma refeição. Certo?  

Fuja da cilada: Não é proibido conhecer lugares novos, mas é necessário ter planejamento. “A experiência não pode se tornar indigesta na sequência”, explica José Vignoli, educador financeiro do Portal Meu Bolso Feliz. Por isso, busque um equilíbrio:

– Se está sem dinheiro esse mês, que tal programar para conhecer aquele restaurante novo em uma data especial

– Além disso, quando for gastar um dinheirinho extra no restaurante do momento, cheque em sites    de crítica gastronômica se o restaurante realmente vale o que cobra.

– Buscar outras alternativas de prazer também é uma ótima alternativa para quem não quer gastar tanto. Um jantar em família ou um vinho com os amigos em casa pode ser ainda mais agradável do que sair para jantar fora.

– Reserve aquela última sexta-feira do mês para sair com os colegas e almoçar em um restaurante um pouco mais caro.

– O cafezinho de todo dia pode ser feito no escritório. Não é necessário sair com os colegas diariamente na hora do break.

– Lembre-se de que pequenos gastos, juntos, viram grandes gastos no fim do mês. Sabe aquela trufa que você está viciado e custa só R$3? No fim do mês você terá gastado quase R$60 com seu novo vício.

CONTROLE AS EMOÇÕES

Mesmo com dicas práticas para fugirmos dos templos de consumo e, mais do que isso, sabermos nos controlar quando estivermos neles, é importante lidarmos constantemente com nossas emoções. “O problema é que, na maioria das vezes, quando a compra é feita a partir desses sentimentos, o consumidor impulsivo acaba se arrependendo”, explica a psicóloga Cristiane Pertusi. Por isso, para driblar os sentimentos e, consequentemente, o exagero na hora das compras, siga essas 6 dicas:

1 – Esteja consciente de seu estado emocional antes de ir às compras, se estiver em desequilíbrio, melhor evitar neste dia, pois você pode acabar comprando mais o que não precisa.

2- Nomeie os sentimentos antes de comprar: porque você compra? Porque está deprimido? Porque está entediado? Porque está se sentindo mal? Porque está muito feliz? Para celebrar uma conquista?  Faz sentido a compra? Ao fim das resposta é possível que você já tenha desistido da compra.

3 – Exercite-se quando o impulso de comprar aparecer. A serotonina, liberada através do exercício, traz a sensação de felicidade e é tão – ou mais  – efetiva do que a compra.

4 – Coma um doce ao passear, por exemplo, pelo shopping. A sensação de bem-estar é imediata.

5 – Durante as compras – no supermercado – tente relaxar e conversar com quem estiver com você, tirando o foco dos desejos extras.

6 – Se sentir que está estressado, ansioso, irritado, muito alegre ou empolgado, mude o roteiro e deixe as compras do mês ou o passeio no shopping para outro dia.

 

 

Saiba mais:

Fique na moda sem gastar muito 

Supermercado mensal ou semanal? 

Como evitar o consumismo das crianças durante a crise?

Natália Chagas

Natália Chagas

Jornalista, com especialização em marketing e vasta experiência em revistas e portais de notícia. Foi editora de mídias digitais do grupo GR1 Editora e produziu conteúdo para diversas publicações do Grupo Abril, Editora Globo, Folha de São Paulo, entre outros.

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