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01 novembro 2017
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O empréstimo consignado é uma boa opção em algumas situações, mas pode ser uma fria em outras. Veja quando utilizar essa modalidade de crédito

O chamado empréstimo consignado é uma alternativa de crédito para funcionários públicos, aposentados, pensionistas do INSS ou para quem trabalha em empresa que possui convênio com algum banco para oferecer essa modalidade. Por ser descontado diretamente do salário ou do benefício – o que funciona como uma garantia ao emprestador -, costuma ter taxas mais atrativas em relação ao crédito pessoal. “A modalidade oferece a vantagem de se conseguir dinheiro emprestado a juros mais baixos. Por outro lado, a pessoa que toma esse tipo de crédito precisa aprender a conviver com um salário ou renda menor”, explica José Vignoli, educador financeiro do Portal Meu Bolso Feliz. Confira os prós e contras do empréstimo consignado e veja se este é o melhor caminho para você.

Como funciona o empréstimo consignado?

No crédito consignado as parcelas são descontadas diretamente do salário ou da aposentadoria, ou seja, adquirindo o empréstimo, uma parte da sua renda fica comprometida antes mesmo do dinheiro chegar na sua conta. A taxa de juros deste tipo de empréstimo varia dependendo do banco ou financeira escolhida. No site do Ministério da Previdência Social é possível baixar a lista completa das taxas de juros praticadas pelos bancos em relação ao crédito para aposentados e pensionistas. Já no site do Banco Central do Brasil você encontra as taxas para os demais clientes. Lembrando que, além das taxas, é cobrado o Imposto sobre as Operações Financeiras (IOF).

Quando vale a pena pegar empréstimo consignado?

Crédito pode ser um aliado ou um inimigo para o seu orçamento. O que determina se ele é vilão ou herói? Planejamento e responsabilidade ao utilizar o crédito. “O crédito consignado deve ser acionado somente em situações de sufoco ou real necessidade”, diz Vignoli. Isso porque, ao recorrer à modalidade, você começa o mês com dinheiro a menos. Trata-se de uma redução considerável de renda. Segundo dados do Banco Central, o limite máximo de amortização no salário ou benefício é de 35%, dos quais 5% exclusivamente para despesas e saques com cartão de crédito. Ou seja, com 35% a menos no salário, quem não se planeja pode facilmente se encontrar superendividado e mesmo inadimplente. Dessa forma, o empréstimo consignado é indicado apenas para trocar os juros altos de uma dívida por outros mais baixos ou em situações emergenciais, como o reparo urgente de uma infiltração na casa ou compra de medicamentos. Caso contrário, o ideal é apertar o cinto e economizar – e não fazer uso do crédito só porque “é mais fácil”.

Vantagens do empréstimo consignado

Taxas de juros menores
Como o dinheiro sai direto do salário ou pensão, os bancos têm garantias maiores de recebimento do valor, o que permite que eles ofereçam taxas inferiores às das demais linhas de crédito do mercado.

Facilidade para contratar
Como o banco tem a garantia de recebimento, há pouca burocracia para contratar e a liberação do dinheiro na conta é rápida.

Prazos mais longos
No consignado é possível quitar a dívida em até 72 meses, segundo dados do Ministério da Previdência Social.

Desvantagens do empréstimo consignado

E se você perder o emprego?
Em caso de perda do emprego, terá de quitar sua dívida de uma única vez ou então trocar o empréstimo por outro, normalmente mais caro. Além disso, é comum o contrato de consignado estipular um desconto de até 30% do valor que você receberá na rescisão. Mais um motivo para avaliar todas as regras atentamente antes de se comprometer com o empréstimo!

São anos de dívida
Imagine seis anos ganhando até 35% menos. E se um imprevistos acontece? Pego de surpresa, pode ser que tenha que recorrer a outro empréstimo, adquirindo mais dívidas. E, como o desconto é feito diretamente do pagamento, você não pode adiar ou suspender o débito. Por isso reflita muito bem antes de adquirir o consignado.

7 cuidados ao considerar o empréstimo consignado 

  1. A parcela cabe no meu bolso? Se ela comprometer o pagamento de outras contas que você já possui, reconsidere.
  2. Tenho uma dívida cara, no cheque especial ou no rotativo do cartão de crédito? Considerando que os juros nestes casos são muito maiores, é vantajoso usar o consignado para quitá-las, reduzindo assim o valor total que irá pagar de juros.
  3. O empréstimo será para pagar compras do dia a dia? Se for este o caso, nada de recorrer ao consignado! O ideal aqui é rever seu orçamento, cortar gastos ou pensar em formas de aumentar sua renda. Por exemplo, em situações de compras de viagens ou eletroeletrônicos, o ideal é guardar dinheiro até conseguir arcar com o gasto, pois não são compras emergenciais. Agora, caso a geladeira quebre e uma nova é necessária, aí sim vale recorrer ao consignado ou ao boleto da loja, pois trata-se de uma emergência.
  4. O dinheiro é para emprestar para um amigo ou familiar? Novamente aqui o conselho é não se enrolar no consignado. Se depois a pessoa enfrenta dificuldades e não consegue arcar com a dívida adquirida no seu nome, quem sofrerá com a falta de dinheiro será você.
  5. Estou buscando o prazo mais curto? Não é porque pode quitar a dívida em até seis anos que deve fazer isso. Se possível, dentro de parcelas com as quais pode arcar, opte por prazos mais curtos. Isso ajuda a economizar com os juros pagos na operação e evita comprometer o salário por muito tempo, período em que você pode correr riscos ou ter imprevistos.
  6. Eu pesquisei todos os custos? É fundamental comparar entre as instituições o Custo Efetivo Total (CET) cobrado, ou seja, a soma de taxa de juros e encargos financeiros. Leve em conta, nessa análise, o prazo para pagamento.
  7. Eu conheço todas as condições do contrato? Leia sempre o contrato muito atentamente! Se puder, peça para um amigo que entenda um pouco mais do assunto ajudá-lo a entender cada condição.

Paula Aftimus

Jornalista com especialização pela State University of New York, editora de publicações e portais do Grupo Abril e do Grupo LANCE!, especialista em mídias digitais e marketing de conteúdo. MBA em Gestão Estratégica e Econômica de Projetos pela FGV.

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