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30 junho 2015
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Saiba como reagir rapidamente à notícia da demissão e conseguir domar a tempo o temido monstro do desemprego

Não tem jeito. Toda vez que a demissão bate à porta, o planejamento financeiro deve entrar pela janela – para ficar. E, com ela, a notícia que ninguém gosta de ouvir: é hora de cortar gastos.

Essa decisão forçada envolve várias providências que podem parecer desagradáveis num primeiro momento, mas revelam-se absolutamente necessárias para você evitar prejuízos maiores e, assim, organizar sem grandes tropeços a sua situação financeira.

 

“O primeiro passo é não entrar em desespero, pois isso não resolverá os problemas. Encare como oportunidade de tomar o controle das suas contas, fazer a revisão de todos os gastos e analisar o que realmente é prioridade”, afirma José Vignoli, educador financeiro do Portal Meu Bolso Feliz. Veja abaixo o que fazer caso perca o emprego.

 

Esqueça a vergonha e envolva a família

“Tem gente que segue a mesma rotina de acordar cedo e sair de casa só por vergonha de revelar aos parentes e vizinhos que perdeu o emprego”, conta Vignoli. “Isso não pode acontecer. A família deve ser envolvida imediatamente e estar junto com você neste momento que está sendo muito difícil para todo mundo”, complementa. Até porque, na missão de reduzir os gastos, a família deve estar totalmente comprometida, entendendo a situação e contribuindo, cada um à sua maneira, para cortar despesas. “Supérfluos no mercado, refeições fora com frequência, custos com celular, academia, pacotes de TV e internet, tudo isso deve ser revisto. Agora, mais do que nunca, a regra é gastar estritamente com o necessário”, alerta Vignoli.

 

Corte as regalias

Com toda a família ciente de que o padrão de vida terá de cair, está na hora de começar a enxugar os gastos diários. Se você é do tipo que não dispensa uma refeição no restaurante, comece a cozinhar em casa. O almoço fora do lar é uma das regalias que mais costumam onerar o bolso dos brasileiros. Segundo o Datafolha, o gasto médio com almoço em restaurantes no Brasil é de R$ 27,36 por pessoa.

“Além disso, pode-se também cortar alguns serviços, renegociar a tarifa de TV a cabo, internet, telefonia ou até rever prazo de pagamento de bens adquiridos”, aconselha Caio Arnaes, gerente sênior da consultoria de recursos humanos Robert Half.

 

Pague o máximo de dívidas que puder

Se, no momento da demissão, você está pendurado em dívidas com taxas de juros, que fazem a sua dívida aumentar rapidamente, principalmente de cheque especial e cartão de crédito, utilize o valor da rescisão e do Fundo de Garantia – se tiver – para se livrar delas. Por mais que isso dê a sensação de estar jogando dinheiro pela janela, é a única forma de conter a bola de neve que poderá empurrá-lo ladeira abaixo se não for contida logo no início. Pagar as contas evita que os juros da dívida cresçam e ela se torne impagável a longo prazo. Lembre-se que, não conseguindo quitar suas dívidas, pode acabar com o nome sujo, o que tornará ainda mais complicado encontrar um novo emprego. “Legalmente, segundo o Tribunal Superior do Trabalho (TST), as empresas têm o direito de consultar serviços de proteção ao crédito, como o SPC, durante o processo seletivo de um candidato”, alerta Arnaes.

 

Seja realista e, se preciso, radicalize

O que não pode é incorrer no erro de deixar tudo como está, enquanto as contas não param de chegar. É preciso, sobretudo, reconhecer que talvez, após perder o emprego, você se encontre vivendo num padrão de vida fora de suas atuais possibilidades. Afinal, ganhando bem, quem nunca se empolgou e acabou comprando eletrônicos demais ou até um carro cujos luxos não eram tão necessários?

Pois, então, melhor tratar de colocar tudo isso no papel, traçar mudanças de rota e, em casos extremos, tomar atitudes radicais. “Se eventualmente se matriculou em uma academia, por exemplo, é hora de buscar outras opções para se exercitar. Tem mais de um cartão de crédito? Se desfaça de todos, ficando com apenas um e assim por diante”, exemplifica José Vignoli.

 

Comece, imediatamente, a procurar emprego

Não caia na bobeira de tirar um tempinho de “férias” antes de começar a, de fato, procurar emprego. “Alguns profissionais, com dez anos na empresa, tiram um, dois meses de ‘férias’ estando desempregados. Isso pode custar caro para achar depois uma nova oportunidade”, adverte Arnaes. “Comece desde já a procurar outro emprego, avise todo mundo que está disponível e retome contatos perdidos, pois toda a movimentação profissional sempre demora um tempo. Geralmente, não é ser demitido na sexta e na segunda já ter nova proposta”, complementa o consultor de recursos humanos.

 

Pense fora da “caixinha”

Enquanto não consegue um novo emprego, reflita sobre os seus talentos, recupere contatos e encontre uma forma de assegurar uma renda extra, pelo menos para quitar as contas mais urgentes. Pode ser algo completamente diferente daquilo que você está habituado a fazer, quem sabe até algo que faça de casa mesmo. Por exemplo, quem ama cachorros, pode virar dog walker (passeador de cachorros); se gosta de fotografia e tem uma boa máquina, ofereça-se para fotografar eventos de amigos e colegas. Opções como garçom de buffet, recepcionista de evento e monitor infantil também são boas alternativas, que exigem dedicação parcial e pouca experiência. Além disso, dependendo dos seus talentos, você pode cozinhar ou fazer doces para fora, dar aulas de reforço para estudantes, oferecer-se como treinador de algum esporte, etc. O site Busca Bico ajuda na tarefa de achar – como o próprio nome já diz – um bico. Mesmo que seja algo temporário, pode ser muito importante para passar por este período com mais tranquilidade, até que se encontre um trabalho mais estável.

 

Entenda também que, muito provavelmente, suas próximas ofertas de emprego serão para ganhar menos do que vinha conseguindo no trabalho anterior. “Houve um acréscimo muito grande na maioria dos salários nos últimos anos. Agora estamos passando por um ajuste da realidade salarial e se deverá acostumar a receber propostas com redução de 10 por cento, 15 por cento do que se ganhava antes”, explica Caio Arnaes.

“Eventualmente, se surgirem trabalhos que paguem menos ou que você se sinta muito qualificado para fazê-lo, não recuse. O momento econômico do Brasil não dá condições para se dizer não”, complementa Vignoli.

 

Tenha em mente que tudo é fase

Se a economia está passando por um período crítico, é verdade também que ela não se manterá assim eternamente e em algum momento deverá retomar o patamar de crescimento. Com algumas mudanças de mentalidade e paciência, nada impede que, num médio prazo, você venha a desfrutar novamente das regalias perdidas neste tumultuado ciclo econômico. E, dessa vez, mais consciente de suas verdadeiras necessidades e sabendo como enfrentar o tão temido monstro do desemprego.

 

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Paula Aftimus

Jornalista com especialização pela State University of New York, editora de publicações e portais do Grupo Abril e do Grupo LANCE!, especialista em mídias digitais e marketing de conteúdo. MBA em Gestão Estratégica e Econômica de Projetos pela FGV.

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