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09 julho 2015

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Conheça histórias inspiradoras e entenda como é possível reduzir gastos e mudar a sua vida para melhor

Dinheiro não traz felicidade, compra. Quem nunca ouviu – ou disse – essa frase? O lugar-comum que atrela ser rico a ser feliz, no entanto, vem sendo cada vez mais questionado. Segundo pesquisa do SPC Brasil, 69 por cento dos brasileiros afirmam que gostaria de passar mais tempo com a família, ainda que isso implicasse em um salário menor. De acordo a mesma pesquisa, aspectos relacionados ao consumo deixariam apenas 14 por cento dos entrevistados mais felizes. Ou seja, será mesmo que poder comprar tudo o que desja é de fato o caminho para uma vida mais plena, com menos preocupações, estresse e angústias?

“Nem tudo é grana. Muitos insistem em manter os hábitos em torno de gastos e compras e acabam ignorando as oportunidades de momentos de felicidade plena, que muitas vezes é de graça”, comenta José Vignoli, educador financeiro do Portal Meu Bolso Feliz. “Sempre é tempo para descobrir novos interesses, buscar ter mais pessoas queridas ao seu redor (e não coisas) e, de forma geral, mudar o jeito de ver a vida. Claro que, para isso, é preciso estar disposto. Mas é, sim, possível adotar outra visão de mundo e ser mais feliz, basta querer”.

“Readequar-se num momento de recessão, por mais duro que pareça, é essencial. Alguns cortes podem soar, inicialmente, impossíveis, e um estilo de vida, digamos, ‘menor’, meio utópico”, reconhece Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil. “Depois dos primeiros passos, no entanto, você percebe que nada é tão drástico que não possa se ajustar. E, passado o momento de adaptação, você pode se descobrir até mais feliz”, complementa. Além disso, em um ano difícil como 2015, aprender a viver com menos pode ser vantajoso até mesmo para economizar uma grana.

Conheça histórias de pessoas que fizeram justamente isso: adaptaram-se para viver com menos e hoje, gatantem, são muito mais felizes. Veja como elas deram essa guinada em suas vidas e inspire-se!

‘COMECEI A ACHAR CONSTRANGEDOR GASTAR SEM CONTROLE’
Bia Bonduki, de 34 anos, repórter

Estava passando por um momento delicado no trabalho. Demissões, salário atrasado. Olhei para as minhas finanças e percebi que, se o pior acontecesse, voltaria a depender de mesada da mãe. Não dava, né! Logo que saí do emprego, comecei parando de usar o cartão de crédito para bancar caprichos como delivery, jantar fora e roupas importadas. O cartão seria para o básico: supermercado, farmácia e despesas com o carro. Depois, comecei a pesquisar formas de economizar. Passei a comprar no sacolão toda semana, criei o costume de ter frutas, grãos e verduras em casa. Sai muito mais barato! E agora tenho planilha para acompanhar minhas despesas. Em dois meses, diminui R$ 1.300 dos gastos e de quebra passei a viver de forma mais saudável. Hoje, acho constrangedor gastar sem controle. Uma hora o cartão não passa e você fica lá no caixa fazendo conta no dedo. Eu pensava: “Como vou ser independente depois dos 30 se ajo como uma adolescente descontrolada?”. Ainda faltam algumas coisas para eu me sentir realmente autossuficiente, como começar uma poupança ou outro investimento. É meu próximo objetivo. A vida fica tão mais simples quando não estamos preocupados se a conta vai fechar no final do mês. A gente descobre que é possível viver com menos – e viver bem.

‘A VIDA MAIS SIMPLES ME PERMITIU MAIS VIAGENS’
Rafa Prada, de 32 anos, empresário

Vivo cortando gastos desnecessários que, por menores que sejam, fazem diferença no orçamento. Para as compras, pesquiso e vou aonde for mais barato. Também estou sem empregada há quatro anos. Lavo a roupa, limpo a casa, cozinho a minha própria comida. Fazer tudo isso eu mesmo funciona bem para mim. Cortei os jantares fora e tenho visitado mais os amigos e também recebido muita gente em casa. Apesar de ainda ter carro, uso muito mais o transporte público e a bicicleta. Faz bem para a saúde e para o bolso. Sou menos consumista e muito mais feliz. As pessoas querem cada vez mais e mais coisas. Para isso, trabalham mais e mais. E ficam sem tempo para curtir: não faz sentido! Prefiro focar em outras coisas que me fazem muito mais feliz, como viajar. Nos últimos três anos, foram vários os destinos das minhas pequenas economias mensais: EUA, México, Alemanha, Itália, Portugal, Espanha, Laos, Camboja, Tailândia, Japão, Vietnã, Butão e Nepal. Jamais conseguiria conhecer tantos lugares se não tivesse optado por uma vida mais simples.

‘VIVO FELIZ SEM GRAVATA E DE CHINELO’
Marcelo Assumpção, 34 anos, estudante de Biologia e pescador

Quando saí do emprego em um grande banco, após 13 anos na instituição, vendi meu apartamento e me aventurei em uma viagem de bicicleta pela Amazônia. Depois de meses na selva, voltei e ainda fiquei um ano no Havaí. No retorno, já não me via mais morando em São Paulo. Passei um tempo num vilarejo no meio do mato, em Peruíbe, sem TV, internet e com pouco dinheiro. Trabalhei como salva-vidas e hoje, na casa dos sogros, ajudo no barco de pesca de turismo da família. Sei que não vou ficar rico, mas esse não é o objetivo. E, como meu trabalho depende das condições do mar, tenho sempre tempo para ficar com meu filho, cuidar da casa, estudar e pesquisar para a casinha que minha mulher e eu queremos construir. No começo eu tinha medo, pensando em como arranjar emprego, viver sem carro, essas coisas, mas a vida mais simples é totalmente possível – e infinitamente melhor do que antes. Fico feliz quando lembro que não estou mais na agência, posso ter barba, ficar sem gravata e andar de chinelo (risos). A maioria dos meus conhecidos falou que eu era louco em fazer essa opção, e, claro, me assustou um pouco no início. Mas a vida é uma só e eu escolhi ser feliz.

5 Dicas para viver com menos

1 ) Organize as contas, salde dívidas e faça pequenos cortes no orçamento
Ninguém consegue mudar de vida, muito menos viver com menos, num caos financeiro. Assegure-se, primeiro de tudo, de que suas contas estão sob controle, em especial sem dívidas. Nosso simulador Diagnóstico Financeiro pode ajudar! Depois, parta para a análise do que pode ser cortado. Não precisa ser radical. Ajuste aos poucos, aprendendo com calma o que é supérfluo e se há delícias que gostaria de manter. As principais fontes de economia costumam sair do dinheiro despendido com faxina, alimentação fora de casa, carro e roupas.

2 ) Repense seus hábitos e busque alternativas
Além de cortes, é importante rever alguns hábitos. Gastos necessários, como por exemplo, as compras do mês, podem ser reduzidas com desapego. Buscar um novo mercado, atacadista, inclusive, e experimentar marcas diferentes das que costuma consumir ajuda. Jantares fora ou barzinhos podem se transformar em encontros de amigos, reuniões mais intimistas e aprendizados culinários. Bem mais em conta, acredite. E – por que não? – avaliar se o transporte público pode ser mais vantajoso – financeiramente e em termos de tempo e estresse – do que o carro.

3 ) Sofrer (no começo) sim, desistir jamais
No começo vai parecer impossível ficar sem a pizza de sexta-feira, aquela blusinha da promoção ou mesmo deixar o carro na garagem. Acalme-se e saiba que é assim mesmo – mas só no começo. Olhe o que tem na geladeira e na despensa, ande mais um pouco (ou saia da frente da TV) e pense na sua saúde. As alternativas aparecem, tornam-se mais possíveis à medida que se experimenta e aquele hábito que parecia necessário, com o tempo, se tornará supérfluo.

4 ) Entenda a sua escolha
Entenda por que viver com menos pode ser melhor. Uma coisa é viver com menos por necessidade, outra é de fato escolher pela simplicidade. Claro, a necessidade pode levar a um dia a dia mais econômico e, aí, você percebe que a vida com menos pode ser mais prazerosa. Mas, fundamentalmente, para abraçar o estilo de vida é preciso acreditar que ter coisas demais não garante a felicidade de ninguém. “As pessoas querem um carro gigante e caríssimo e aí começam a trabalhar mais para poder pagar pelo carro. Por que ter esse automóvel especificamente é tão importante? É mais importante do que ter tempo para se divertir, ficar com a família, não se estressar tanto? Por que desejar tantas coisas que só te farão viver para poder pagá-las?”, instiga Vignoli.

5 ) Ouse ser feliz (e deixe para lá o que os outros dizem)
Para uma mudança efetiva, o passo final é aprender a separar o joio do trigo. O que é necessário do que é supérfluo. O que gosto e o que nem ligo. Muitas vozes vão interferir nessa reflexão, mas lembre-se de que só uma é realmente importante: a sua! Tente entender o que realmente valoriza, suas verdadeiras vontades e expectativas, aquilo fundamental para te fazer feliz. Neste processo, claro, caso esteja em um relacionamento ou tenha filhos, incluí-los no processo é imprescindível.

Saiba mais:

Dicas valiosas para economizar no mercado

Como quitar suas dívidas e fugir da inadimplência

Como comprar roupas e ficar na moda sem gastar muito

Como se divertir gastando pouco

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