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24 março 2016
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A venda direta promete te remunerar de acordo com o que você produz e ainda rende benefícios. Veja se pode ser uma boa alternativa de renda extra para você

Todo mundo quer garantir uma grana extra em tempos de crise. Para alguns, ainda, mais importante do que aumentar o orçamento, é buscar alternativas para o desemprego. Então, nesse contexto, muita gente recorre à ideia da venda direta, muito conhecida por venda porta a porta.

 
Você sabe do que estamos falando?  Estamos falando de um negócio que começou ainda no século XIX quando nasceu a compra por catálogo, muito popular até hoje. De lá para cá, o sistema vem se aperfeiçoando muito e atraindo muita gente, com a promessa de liberdade para trabalhar, horários flexíveis e dinheiro no bolso.

 
A venda direta é um sistema de distribuição de produtos e serviços de segmentos variados. Para isso, as empresas vendem seus produtos aos consumidores através de revendedores, que podem ser chamados de consultores, distribuidores ou de outra forma pela empresa de venda direta. Ficou interessado?

 

Mononível e multinível

A ideia da venda direta não para por ai. Além de saber do que se trata, caso você pense em se aventurar, é preciso saber que existem métodos de remuneração diferentes dentro desse tipo de negócio.  A maioria das empresas adota o método de remuneração mononível para pagar seus revendedores independentes. E funciona assim: o revendedor compra os produtos ou serviços e revende geralmente ganhando de 20 por cento a 30 por cento de desconto. Na venda direta com sistema mononível, o revendedor ganha dinheiro apenas com sua venda pessoal e, claro, todo seu esforço.

 
Esse é o caso da maioria das empresas que você já ouviu falar como, por exemplo, as famosas Avon e Natura.  Já o marketing multinível tem prática mais recente no Brasil e sua remuneração é feita em níveis, como o nome já diz, e inclui, além da estratégia de venda, um plano de crescimento financeiro.

 
Ou seja: o revendedor, além de ganhar dinheiro com sua venda pessoal, pode construir uma rede e ganhar comissões sobre a compra e revenda de produtos e serviços de sua linha descendente. Algumas empresas que funcionam assim: Amway e Polishop.

 

Cuidados ao escolher sua empresa

“Primeiramente, precisamos salientar que as pessoas interessadas na área precisam tomar muito cuidado e sempre tentar se informar, pesquisando MUITO”, alerta Otavio Biamino, sócio-diretor da Zenit Investimentos. Isso porque, existe um problema muito sério com o marketing multinível que é a linha tênue e extrema semelhança com o sistema de pirâmide.

 
Então, se gostou da ideia de trabalhar com venda direta, agora é a hora de começar a pesquisar que tipo de empresa te interessa e descobrir se àquela que te chamou atenção é séria e trabalha de forma correta. “Para começar é fácil: encontramos uma empresa que tenha produtos que goste de vender, onde acreditamos no produto, no plano que ela oferece e avaliamos nosso círculo de amizade porque é nele que vamos encontrar nossos afiliados”, explica Reinilson Alves, especialista em alimentação natural e CEO de uma nova empresa de marketing multinível.

 
Então, depois de pesquisar empresas e decidir que se identificou com uma, fique de olho na proposta dessa empresa.  “Uma empresa genuinamente de venda direta, sendo mono ou multinível é simples de reconhecer. Primeiro, a pessoa deve verificar se essa empresa está no ranking da ABEVD (Associação Brasileira de Empresas de Venda Direta). Se ela (empresa) estiver lá, significa que é sustentável, tem um produto que tem um custo-benefício bacana, um preço legal no mercado e se vende por si só”, explica Claudio Henrique, consultor de vendas e executivo de uma marca multinível. “É importante, também, observar se o produto ou serviço vendido é sólido.  Veja quanto tempo a empresa está no mercado e se não há processos em aberto ou ex-participantes alegando se tratar de pirâmide. Se possível, converse com eles”, complementa Otavio. Por fim, vale dar uma boa olhada no Procon e no Reclame Aqui. Então, analise todas as reclamações e pontos levantados antes de tomar uma decisão.

 

Em que prestar atenção ao escolher uma empresa de venda direta

Além de saber como funciona o marketing direto, é importante ter em mente que não se ganha dinheiro fácil com esse tipo de trabalho, mas começar é relativamente simples. “Você não vai precisar de muito dinheiro para sua formação. Não vai precisar fazer financiamentos e vai aprender o que precisa enquanto trabalha, desenvolvendo as habilidades necessárias para isso, mas é importante se profissionalizar e levar o marketing direto a sério”, conta Eric Worre em seu livro “Os 7 Passos para ser um profissional no marketing de rede”.  Então, fique atento a esses detalhes:

 
1 – Normalmente o sistema de marketing multinível exige um investimento inicial referente ao kit do produto e apresentação. Ele varia muito de empresa para empresa mas custa a partir de R$100.

 
2 – Você ganha de acordo com o que vende. Por isso, na hora de entrar em uma empresa desse tipo vale fazer a conta de quanto tempo vai conseguir seu investimento de volta. Para isso, avalie quanto terá de retorno por produto vendido e quais as bonificações oferecidas para cada tipo de “conquista”.

 
3 – Avalie ponto a ponto, tudo que a empresa te oferece. Em muitos casos, a renda destinada aos revendedores não é distribuída apenas em dinheiro, mas também em premiação, viagens internacionais, jantares especiais, enfim, uma série de premiações que servem de incentivo para que os vendedores possam bater suas metas através de um plano crescimento.

 
4 – Não esqueça de avaliar quais as responsabilidades assumidas ao encarar esse novo desafio. Quando você vai fazer a prospecção de clientes? Você vai ter tempo para visitar possíveis parceiros? E as horas de planejamento, você já reservou?

 

Vale a pena investir nesse tipo de negócio?

A resposta é simples: avalie o que acha desse investimento. O marketing multinível, por exemplo,  pode ser promissor se você investir tempo, dinheiro e uma ótima estratégia de gestão de pessoas, além de uma boa rede de contatos para chamar pessoas que tenham interesse em trabalhar com você. Já o marketing mononível, a venda direta simples, é mais simples de arriscar por um motivo básico: ela é interessante para quem quer ganhar uma renda extra, tem uma boa rede de amigos e, claro, um espírito de vendedor. Além disso, você não precisa investir nada e, caso o negócio dê errado, você vai ter perdido apenas tempo.  Então, analise os pontos abaixo para tomar sua decisão:

 
1 – Não é preciso ter experiência para começar.

 
2 –  A renda não é fixa, ou seja, você não tem estabilidade, caso esse negócio seja sua única fonte de renda. Por outro lado, o valor do seu salário depende muito de você – quanto mais você trabalha, mais ganha.

 
3 – É possível ter horários flexíveis e encarar a ideia como um trabalho extra…

 
4 – É de interesse, não só da empresa, mas de todas as pessoas que fazem parte da sua liderança, que você cresça e se desenvolva.

 
5 – No caso do marketing multinível, é preciso tomar muito cuidado para não cair no sistema de pirâmide.

 
6 – Você não tem direitos trabalhistas como férias e décimo terceiro, ou seja, precisa ter muita disciplina financeira.

 
7 – Você depende dos outros. Na crise, por exemplo, se as pessoas deixam de comprar, você deixa de receber.

 
8 – Há uma forte concorrência nesse tipo de sistema de distribuição. Ou seja, você vai precisar ser muito bom comercial.

 

Você tem o perfil certo?

Por fim, depois de avaliar os riscos e pontos positivos da venda direta, é importante ter em mente que para ser um revendedor é aconselhável ter um perfil de vendas. Além disso, vale tomar alguns cuidados na hora de começar a pensar nisso. Abaixo, dicas práticas – e alguns relatos reais – antes do sim:

 
1 – Avalie se você é comunicativo e se, na sua rede de contatos, teria boas opções para começar o negócio.

“Eu fui convidada para participar da rede de negócios de uma multinível de cosméticos há 6 meses. São produtos importados e eu precisei pesquisar muito antes de começar a vendê-los porque não conhecia nenhum dos perfumes. Além disso, tive muita dificuldade porque são produtos caros e minha rede de contatos nunca foi acostumada a gastar muito com cosméticos. Mas resolvi insistir. No começo só perdi meu tempo falando com pessoas que não queriam gastar, mas comecei a adequar meu público no último mês. Já vendi alguns perfumes e ganho 30 por cento de comissão por venda, o que dá uma boa quantia no fim do mês. Comecei a ficar um pouco mais tranquila agora e já até conheço pessoas que se interessam em entrar no negócio também! Eu gosto do que faço e tenho consciência de que as vezes a gente ganha, mas nem sempre é isso que acontece”.

Francisca Ramos, 32 anos.

 
2 – Experimente o produto. É isso mesmo. Não adianta querer vender algo que você não conhece ou não gosta. Seu discurso será seu maior trunfo.

 
3 – Saiba que o marketing mononível pode ser uma fonte de renda extra, facilmente administrada nos horários livres. Porém, quanto mais dedicação, mais chances de você ganhar.

 
4 – Para trabalhar com marketing multinível é preciso ter um perfil de liderança porque um dos pontos principais de crescimento é agregar mais gente ao seu negócio.

 
5 – Antes de entrar de cabeça em qualquer tipo de operação de venda direta avalie sua situação atual: você precisa de tempo e de um valor inicial para começar, que depende muito da empresa de seu interesse.

“Eu me dei muito mal com esse negócio de marketing multinível. Fui convidado por um amigo a participar da revenda de produtos de uma empresa que prefiro não citar o nome. A promessa é que eu ganharia, em pouco tempo, R$200 por semana, mas para isso precisaria investir R$1.500. O que aconteceu? Não consegui entender direito como funciona o negócio, não passei pra frente o produto e não ganhei nada com isso. Perdi meu dinheiro, meu tempo, minha paciência e agora estou lutando para desenrolar minhas dívidas. Meu conselho para quem quer entrar nesse negócio é pensar muito bem, avaliar o negócio, o produto, investir apenas se tiver dinheiro sobrando, sem se enrolar financeiramente, e conversar MUITO com outras pessoas antes de se arriscar. Eu não fiz nada disso e estou encarando as consequências.”

Mara Matos, 61 anos.

 
6 – Você está capacitado para criar um bom plano de ação? Para entrar no negócio é preciso definir uma meta para sua participação, com resultados possíveis e dias certos para trabalhar. Suas vendas e apresentações também precisam ser pensadas, treinadas e executadas de maneira profissional.

 
7 – Cuidado para não ficar chato. Ser vendedor não é sinônimo de ser inconveniente. Avalie se você tem argumentos bons de venda.

 
8 – Cuidado com os radicalismos. Se você tem um emprego hoje e quer testar a venda direta, não largue tudo antes de começar. Vale ver se você tem jeito “para coisa” antes.  

 
9 – Não se iluda achando que vai trabalhar pouco e ganhar muito. Para se dar bem com vendas é preciso ralar muito!

“Eu sempre fui dona de casa e meu marido que pagava as contas. O problema é que no último ano o dinheiro dele não era mais suficiente e eu resolvi me virar. Fui atrás de algumas opções e me indicaram a Avon, Natura e eu procurei as duas empresas. A porcentagem de lucro que recebo em cada uma é diferente e vai de 15 por cento a 30 por cento de cada venda. Às vezes ganho alguns produtos e muitas vezes consigo fazer uma comprinha boa e depois revender pronta-entrega. É preciso ter muito controle, disciplina e uma ótima rede de contatos. Não vou dizer que é fácil porque não é muito dinheiro que entra, mas eu já descobri qual o segredo: fidelizar clientes. Com eles, você não fica na mão nunca”

Patricia Aparecida, 45 anos.

 

 

Natália Chagas

Natália Chagas

Jornalista, com especialização em marketing e vasta experiência em revistas e portais de notícia. Foi editora de mídias digitais do grupo GR1 Editora e produziu conteúdo para diversas publicações do Grupo Abril, Editora Globo, Folha de São Paulo, entre outros.

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