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12 outubro 2016
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Como alternativa para o desemprego ou, até mesmo, para complementar a renda, muita gente pensa se tornar um motorista Uber. Será que vale a pena?

Quem perdeu o emprego ou está encarando a crise de maneira prática e precisa de uma grana extra acaba pensando em alternativas que, muitas vezes, vão além do trabalho que sempre fizeram.  Entre essa lista de opções, ser motorista de Uber pode ser uma boa saída, afinal, a facilidade no cadastro tem feito o número de carros aumentar nas ruas.

Esse aumento desperta a curiosidade. Afinal, vale a pena ser Uber? A resposta é simples: depende muito do quanto você trabalha, dos seus gastos e da sua organização financeira. “Muitos dos motoristas não param para pensar na diferença entre faturamento e lucro, ou seja, não fazem as contas de quanto realmente vão colocar no bolso”, avalia José Vignoli, Educador Financeiro do Portal Meu Bolso Feliz. Na animação de sair dirigindo o próprio carro e ganhando dinheiro, muitos fatores importantes são esquecidos. Entre eles:

  • Quais serão minhas despesas mensais com o carro?
  • Quanto fica para o Uber?
  • O excesso de pessoas virando motoristas do Uber não vai diminuir minhas oportunidades de  trabalho, ou seja, corridas?  
  • Com mais motoristas trabalhando, o valor recebido por corrida não será menor?

Por isso, para avaliar essa possível fonte de renda que surgiu nos últimos tempos, o Meu Bolso Feliz bateu um papo com alguns motoristas e produziu um dossiê Uber para você decidir se vale a pena. Veja abaixo:

COMO FUNCIONA O UBER

“É muito fácil virar motorista Uber. Você entra no site, checa se seu carro está no padrão exigido, envia documentos exigidos e em três dias já está nas ruas”, conta Edimilson Santos, Uber há 4 meses. Mas,  antes de se aventurar é preciso saber quanto custa o serviço da empresa Uber. Existem no mercado dois tipos de Uber: a categoria X, que cobra 25% do total da corrida, e  a Black, que cobra 20%.

A diferença entre o Uber X e o Black está no veículo e no conforto oferecido. Enquanto no X exigem-se veículos a partir de 2008, com quatro portas, cinco lugares e ar-condicionado, na  categoria Black os carros devem ser sedans pretos ou SUV, fabricados a partir de 2010, com bancos de couro e ar-condicionado.

Além disso, vale lembrar que motoristas Uber são constantemente avaliados. Isso porque o aplicativo promove uma espécie de avaliação, de zero a cinco, do usuário. Periodicamente, o Uber contabiliza essas notas e pode inclusive descredenciar motoristas que tiverem uma performance inferior a 4,6 pontos.

Além disso, é importante saber que, se você tem um carro nas condições exigidas, a barreira mais simples já foi ultrapassada.  “O desafio é trabalhar, ou seja, garantir carro com passageiro, o dia todo, porque o número de  carros e a concorrência só crescem. Nas últimas semanas eu tenho precisado pensar estrategicamente, avaliar quais bairros tem mais procura e quais horários eu devo ficar atento. Caso contrário, fico horas sem rodar”, conta Edimilson.

ORGANIZE-SE

Se você tem um carro que se adequa às exigências da empresa, é hora de fazer contas. Para começar, é importante saber que o motorista Uber assume todos os custos de seu carro: IPVA, seguro, multas e alta manutenção, afinal, o desgaste do carro é maior. Além disso, é preciso lembrar de todos os detalhes antes de calcular o lucro. “A gasolina é meu custo mais alto, mas não é o único. As lavagens do carro, águas e balas que damos para os passageiros, troca de pneus, óleo e até o que vamos comer durante o expediente precisa ser contabilizado”, explica Marcos Dias, Uber há quase 6 meses. E ele conta que aprendeu na marra: “com a facilidade da aprovação, eu simplesmente comecei a rodar. Primeiro, achei que trabalhar de 3 a 4 horas seria suficiente, mas eu não parei para pensar em todos os gastos que eu teria. Usar o carro com frequência é complicado e antes de entrar no negócio nem imaginamos como é importante ter a limpeza em dia, tanque sempre cheio, celular funcionando…”, conta.

Por isso, para Marcos, o mais importante foi se organizar. Quando ele percebeu que estava lucrando pouco, parou para fazer as  contas e prestar mais atenção no dia a dia. Entre as medidas que Marcos tomou:

  • Começou a comprar as águas e balas no atacado
  • Passou a calcular o horário do almoço e hoje come em casa sempre que pode
  • Começou a rodar mais cedo para diminuir a concorrência nas ruas
  • Passou a pesquisar o valor da gasolina e abastecer sempre no mesmo local (e fez o mesmo com as lavagens)

RENDA EXTRA

Para Jair Almeida, Uber há 2 meses, a experiência está sendo ótima. O foco do motorista, atualmente, é complementar o orçamento. Lojista nas ruas do Brás, em São Paulo, ele entra bem cedo no seu trabalho oficial e, às 16h, já está livre para começar a trabalhar como Uber. ”Quanto mais usamos o carro, mais custos temos. Eu, como começo às 16h  e paro por volta das 20h, não sinto muito essa depreciação do carro. Por enquanto estou complementando minha renda e gostando muito do trabalho”, conta. E o motorista completa: “em dias que estou animado acabo pegando o carro de madrugada. A flexibilidade dessa ocupação é ótima”, explica.  Mas é importante destacar que, para Jair, o dinheiro que tira no Uber é lucro e não a renda principal. “Tem dias que não pego nenhuma corrida, mas não me desespero porque tenho meu salário fixo e sei que em um dia de sorte acabo compensando. Realmente não sei como seria se dependesse do Uber”, finaliza.

FAÇA CONTAS

Então, antes de virar um motorista Uber, é hora de fazer contas. Kleber Rutiro, depois de 6 meses de experiência, fez um check list, somou tudo que faturou, subtraiu o que gastou e fez a média de quanto ganhou. No caso dele, foram  R$R$2.116,6 de lucro por mês trabalhado. Levando em consideração que ele estava desempregado e trabalhou 30 horas por semana (média de 5 horas por dia se considerar um trabalho de segunda a sábado), o resultado, para Kleber, foi positivo. “Mas vale lembrar que esse ganho é variável. Depende muito do quanto o motorista trabalha e quanto gasta”, comenta.

Na ponta do lápis: o que você precisa levar em consideração antes de virar Uber

Caso você tenha se interessado em ser um motorista do Uber, coloque na ponta do lápis tudo que gastará com o novo serviço e os prós e contras da modalidade. Abaixo, um check list de gastos que devem ser levados em consideração que precisam ser avaliados:

Check list de gastos

  • Manutenção do carro (desgaste, troca de peças, troca de óleo e de pneus) – que deve ser feita com mais frequência por causa do uso
  • Lavagem semanal do carro que precisa estar sempre em perfeito estado
  • Combustível – quanto mais você roda, mais você gasta
  • Água e balas oferecidas aos passageiros
  • Alimentação fora de casa
  • Compra de smartphone e pacote de dados para usar durante o trabalho

PRÓS E CONTRAS DE SER UBER

Por fim, pedimos para nossos 4 entrevistados listarem os benefícios e problemas de ser motorista Uber. Abaixo, os prós e contras da profissão, segundo eles:

Prós

  • Flexibilidade de horário
  • Lucro proporcional ao esforço e possibilidade de ganho progressivo
  • A possibilidade de almoçar em casa e economizar nas despesas do dia a dia
  • O uso do Uber como renda extra (depois do expediente e em horários alternativos)
  • Facilidade de entrar na Uber e já começar a trabalhar
  • Alternativa rápida para quem perdeu o emprego

Contras

  • Falta de regulamentação
  • Você não tem salário fixo
  • Altos custos de manutenção
  • Rápida desvalorização do carro
  • Não ter direito a férias, 13º e FGTS
  • Rápido aumento de carros Uber nas ruas (aumentando, assim, a competitividade e diminuindo o valor recebido por corrida)

Por fim, se decidiu investir no Uber, lembre-se, também, de incluir no seu planejamento um valor para manutenção do veículo e para troca do mesmo, quando for necessário. “Assim o motorista Uber não precisará se endividar quando precisar mexer no carro ou trocar o automóvel”, aconselha Marcela Kawauti, economista do SPC Brasil. Na opinião de Artur Fabri, mecânico na Zona Norte de São Paulo, esse detalhe é muito importante porque a desvalorização do automóvel Uber é mais rápida do que a desvalorização de automóveis comuns devido a alta quilometragem e possíveis depreciações que podem ocorrer no dia a dia.

 

Natália Chagas

Natália Chagas

Jornalista, com especialização em marketing e vasta experiência em revistas e portais de notícia. Foi editora de mídias digitais do grupo GR1 Editora e produziu conteúdo para diversas publicações do Grupo Abril, Editora Globo, Folha de São Paulo, entre outros.

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