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14 abril 2015

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Veja como funciona o sistema que transforma seus gastos no cartão de crédito em milhas para trocar por passagens aéreas ou em produtos

Quem possui um cartão de crédito e acompanha seu número de pontos certamente deseja, um dia, trocá-los por milhas de viagem.

 

Quem, no entanto, consegue de fato obter uma passagem aérea trocando seus pontos por milhagens? Só quem usa muito o cartão de crédito. Acumular o suficiente para essa passagem “grátis” não é simples. Os programas de fidelidade de companhias aéreas ou de empresas que reúnem diversos estabelecimentos e permitem a troca de pontos por passagem, embora vantajosos em alguns casos, não são um bom negócio para todos – em especial se você não sabe a melhor maneira de utilizar seus pontos.

 

“É como aquele ditado: ‘não existe almoço grátis’. Sabemos que até conseguir os pontos para trocar por milhas e assim obter uma passagem pode demorar e muitas vezes requer um gasto considerável no cartão,” avalia Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil. Por isso é tão importante ficar atento aos detalhes acerca do benefício. Veja abaixo como funcionam os programas de milhagem e confira dicas para tirar o melhor proveito dos seus pontos acumulados!

 

É vantajoso? Faça o cálculo

Os programas de milhas das companhias aéreas não costumam cobrar para que os clientes criem uma conta pessoal onde poderão acumular suas milhas ou pontos. No entanto, basta um cálculo rápido do quanto é necessário acumular em pontos para obter uma passagem e do tempo que a empresa estipula para você alcançar tais pontos, para perceber que a tarefa não é simples.

 

Programas de milhagens das companhias aéreas

De modo geral, o processo de acúmulo de milhas ou pontos é similar entre os principais programas de fidelização das companhias aéreas (TAM Fidelidade, Smiles e Tudo Azul). A cada voo comprado você ganha pontos (TAM Fidelidade), milhas (Smile) ou crédito (Tudo Azul) para, depois, trocar por outra passagem, sem custo adicional.

 

Vamos tomar como exemplo o TAM Fidelidade. O que é necessário para trocar os pontos acumulados no programa por uma passagem? Imagine alguém que viaja apenas dentro do Brasil e compra sempre ao preço da categoria “básico” da companhia (a tarifa mais barata que permite o acúmulo de pontos). Essa pessoa teria que adquirir, ao longo de dois anos, ao menos cinco passagens de ida e volta (mil pontos por passagem x cinco viagens: 5 mil pontos), para talvez resgatar uma passagem na classe econômica na categoria “Resgate Promo” (a que exige menos pontos, com valores entre 5 e 8 mil pontos). Para quem viaja bastante, certamente um bom negócio. Outro aspecto que pode ser considerado uma vantagem nos programas de fidelidade das companhias é a possibilidade de comprar pontos. Por exemplo, se gostaria de adquirir uma passagem que vale 20 mil milhas, mas possui apenas 18 mil, você pode comprar as 2 mil restantes. Vale analisar sempre, é claro, se o valor destes pontos adquiridos é substancialmente menor do que o preço total de uma passagem.

 

Programas de milhagens vinculados ao cartão de crédito

E se você “ajudasse” nesta missão rumo a mais milhas, obtendo um cartão de crédito com programa de acúmulo de pontos? Uma ideia que certamente passa pela cabeça da maioria daqueles que pedem o benefício junto ao banco. “Não se pode desejar um cartão de crédito pensando apenas nas milhas. As operadoras do cartão cobram anuidades, muitas vezes salgadas”, lembra José Vignoli, educador financeiro do Portal Meu Bolso Feliz. Dessa forma, na ponta do lápis, talvez valha economizar o próprio dinheiro para utilizá-lo na próxima passagem.

 

Considerando quem já possui um cartão de crédito que acumule milhas e o usa de maneira responsável, os pontos são, de fato, uma vantagem. “Só vale a pena se você já tiver o cartão de crédito e se vai juntar pontos com despesas que teria de qualquer jeito. Dessa forma, aí sim, acaba sendo uma forma de otimizar as contas. Afinal, se vai gastar, aproveite esse bônus”, ressalta Kawauti. O jornalista Fernando Santos, 48 anos, há cinco cliente do programa Smiles, concorda: “Se não houve custo para obter o benefício, vale a pena. No caso de passagens aéreas, se tiver disponibilidade de datas e destinos, é uma maravilha”. Por outro lado, o jornalista admite que encontrar passagens que caibam no seu número de pontos não é fácil. “Normalmente são poucos voos disponíveis e, pior, quando encontro o voo de ida, não tem voo de volta. Mas, apesar disso e de dar trabalho, compensa, pois acaba saindo de graça”, finaliza. Outra vantagem é que, diferentemente dos cartões das companhias aéreas, os pontos acumulados no cartão de crédito podem ser trocados por milhas em diversas companhias aéreas, não somente naquela detentora do programa de milhagem e suas parceiras. Há, ainda, a possibilidade de trocar pontos por produtos de menor valor, como pequenos eletrodomésticos.

 

Só não vale ficar obcecado em obter milhas. Gastar sem ter a necessidade, simplesmente para chegar ao total que levará às férias tão desejadas, é um erro. “Viver em função de milhas pode ser uma armadilha”, avisa Kawauti. É duro, mas a realidade, como confirma a especialista, é que “quem acaba ganhando mais milhas e trocando por mais passagens aéreas é justamente quem já gasta mais e para quem faz menos diferença usar ou não as milhas”. Por isso, aproveite a chance dos programas, mas com cuidado.

 

7 dicas para aproveitar melhor o seu programa de milhas
1 – Vai colocar tudo no cartão? Cuidado!

Dada a dificuldade de acumular milhas suficientes apenas com a compra de passagens aéreas, é comum a tática do “pague tudo o que puder com o cartão de crédito”. A atitude, no entanto, só é indicada para quem controla muito bem cada gasto. “Para quem é organizado financeiramente, colocar tudo no cartão vale a pena, pois além de acumular mais pontos a pessoa tem num único extrato todas as suas despesas extras, ou seja, ele pode se tornar um aliado no seu controle financeiro”, explica Vignoli. Fique atento apenas a possíveis taxas para o pagamento de certas contas usando o cartão crédito, como água e luz. Se houver taxas, o gasto apenas para ganhar milhas não compensa.

 

2 – O melhor uso do cartão de crédito para acumular milhas

Veja se possui o melhor tipo de cartão de crédito para acumular milhas. Há modalidades de cartão, por exemplo, cujas milhas acumuladas não expiram e contabilizam até três vezes mais pontos por gasto. Só fique atento ao custo-benefício, já que estes cartões costumam possuir anuidades mais caras (embora negociáveis). Avalie o quanto, dentro do seu estilo de vida, este cartão mais caro realmente compensa.

 

3 – Controle suas milhas

Lembre-se de monitorar com regularidade quanto tem acumulado e, principalmente, até quando pode utilizar o que juntou até ali. As milhas têm duração estipulada pelo programa, variando de dois a três anos. Se expirar, não tem choro nem vela. O mesmo vale para as milhas do cartão de crédito. Alguns programas, como o Multiplus e o Smile, permitem que o cliente “reative” suas milhas vencidas (dentro de um determinado período). O serviço, no entanto, tem um custo. Assim, só deve ser utilizado para quem pretende viajar em breve e precisa de milhagem para completar os pontos que já possui. Outra dica é transferir suas milhas se elas estiverem prestes a vencer. Por exemplo, se elas estão expirando no cartão de crédito, transfira-as para seu programa de fidelidade e então elas passarão a valer dentro de uma nova data de validade.

 

4 – Monitore as ofertas

“Eu fico de olho em sites como o melhoresdestinos.com, que vez ou outra mostra promoções de passagens com milhas. Nessas situações costumo conseguir um bom voo usando poucas milhas, aí compensa”, conta Rafael Sales Rebouças, servidor público de Belo Horizonte. Outras promoções que devem ficar no radar são as relativas à transferência de milhas. As companhias aéreas costumam, por exemplo, oferecer 10 mil milhas para quem transferir 30 mil milhas do seu cartão de crédito para o programa de fidelidade delas. “Por isso é vantajoso deixar acumular as milhas no cartão, em vez de logo transferi-las para as companhias”, completa Rafael.

 

5 – Faça uma inscrição SEM custos

Acumular milhas e trocar por passagens aéreas não deve significar novos gastos. A adesão aos programas de fidelidade de cada companhia aérea costuma ser gratuita. Certifique-se disso e leia com calma e atenção as regras. Cuidado para não cair na tentação de pedir um novo cartão de crédito, mas se optar por esse caminho, preste atenção ao valor das anuidades e às condições de contratação. Evite participar de clubes de fidelização dos próprios programas de fidelidade, que garantem mais milhas, além de outras vantagens, mas cobram mensalidades que, somadas ao longo de dois, três anos, poderiam ser o mesmo que pagar uma passagem.

 

6 – Planeje a compra com antecedência

Deixar para comprar uma passagem usando milhas em cima da hora é certeza de mau negócio. “Se comprada a poucos dias da viagem, a passagem custará mais milhas e muitas vezes você sequer consegue disponibilidade de assentos, em especial se viaja com mais pessoas”, diz Rafael, que costuma se planejar com bastante antecedência para fazer valer suas milhas. Além disso, você deve observar se o programa que você participa ou se o cartão que você possui permite o uso de milhas para adquiri uma passagem da companhia com o voo que escolheu. Uma vantagem é que, caso precise suspender a sua viagem, as taxas de cancelamento para bilhetes comprados com milhas costumam ser mais baixas – e os pontos, claro, são devolvidos.

 

7 – Faça bom uso das empresas parceiras

Comprar no cartão de crédito não é o único jeito de ganhar milhas. Alguns programas de fidelidade e milhagem têm parcerias com redes de varejo. Assim, é possível acumular pontos gastando em postos de combustíveis e em drogarias, por exemplo. “Se você abastece num posto credenciado e paga no cartão, ganha tanto as milhas do posto de gasolina (empresa parceira) quanto do cartão de crédito”, comenta Rafael.

 

Saiba mais:
Vantagens e desvantagens dos programas de fidelidade

Paula Aftimus

Paula Aftimus

Jornalista com especialização na State University of New York, editora de publicações e portais do Grupo Abril e especialista em mídias digitais. Passagem acadêmica pelas áreas de Serviço Social e Educação e MBA em Gerenciamento de Projetos pela FGV

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