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22 março 2016
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Explicamos o que é o consórcio, como funciona e suas vantagens e desvantagens

Com a crise pesando no bolso, alta dos juros, crédito mais caro e difícil e sem dinheiro para pagar à vista, o consórcio tem aparecido, para muitos brasileiros, como uma saída para adquirir o bem ou o serviço desejado. Segundo dados da Associação Brasileira das Administradoras de Consórcios (Abac), os consórcios nos setores de imóveis e veículos leves – que reúne automóveis, camionetas e utilitários -, tiveram um aumento de participantes ativos de, respectivamente,  3,8 por cento e 7 por cento, na comparação entre janeiro de 2016 e o mesmo mês do ano anterior. O setor de veículos leves é, atualmente, o com o maior número de consorciados: 3,2 milhões. Mas será o consórcio, de fato, um bom jeito de conseguir comprar um bem ou pagar por um serviço?

 
“Assim como qualquer decisão envolvendo desembolso de dinheiro, entrar num consórcio deve ser uma escolha muito bem pensada e planejada, afinal, pode demorar algum tempo para se conseguir a contemplação e não deixa de ser um compromisso financeiro que vai pesar no orçamento”, diz o educador financeiro do Portal Meu Bolso Feliz, José Vignoli. Abaixo, explicamos o que é e como funciona um consórcio e listamos suas vantagens e desvantagens!

 

O que é um consórcio?

O consórcio é uma modalidade de aplicação de dinheiro formada pela união de pessoas que se propõem a construir uma poupança comum, com o objetivo de adquirir imóveis, veículos e serviços, mediante autofinanciamento. É um grupo de pessoas voltadas para um mesmo investimento contribuindo com uma quantia mensal que inclui parte do valor do bem, taxas de administração da operadora do consórcio, seguro e fundo de reserva do grupo. A cada mês, uma delas é sorteada, recebendo então o valor necessário para adquirir aquele bem ou serviço. Os consórcios mais populares são os de veículos e imóveis. No entanto, é possível começar um consórcio para adquirir de eletrodomésticos a aeronaves.

 

Como funciona

Para participar, o consumidor deve selecionar uma administradora de consórcio e escolher o grupo ao qual quer aderir (moto, carro, imóvel, etc.). Normalmente, com o dinheiro adquirido entre os consorciados, são adquiridos dois “lotes” para pagar pelo bem ou serviço. Um desses lotes vai para o sorteado e o outro, para quem fizer o maior lance em dinheiro, durante a assembleia mensal (reunião entre os participantes). O consorciado contemplado poderá utilizar o crédito para adquirir o bem ou serviço ou para convertê-lo em dinheiro. Neste último caso, deve fazer a quitação integral do seu débito com o grupo. O sistema de consórcio é regularizado e fiscalizado pelo Banco Central do Brasil e é lá que você checa a idoneidade do consórcio e da administradora – algo fundamental a ser feito!

 

O que se paga exatamente?

Segundo as regras do Banco Central, o valor do crédito deve ser dividido pelo número de prestações. O valor assim obtido é destinado ao fundo comum, cujos recursos são utilizados para pagamentos dos bens. Outro valor que você desembolsa é a taxa de administração. É daí que as administradoras tiram sua remuneração. Esse valor também é determinado pelo seu contrato de adesão. Quando você faz opção por um consórcio, deve lembrar que, além do valor do bem, pagará à administradora essa taxa pela gestão e administração do seu grupo. Além desses pagamentos, o seu contrato de adesão pode prever outros, como valores decorrentes de seguros e uma taxa referente ao fundo de reserva. O fundo de reserva, se estabelecido no grupo de consórcio, somente poderá ser utilizado nas situações previstas nos normativos vigentes.

 

Vantagens e desvantagens do consórcio

Vantagens:

• Inexistência de juros e IOF;

• Parcelamento integral e prazos longos;

• Sem entrada ou parcelas intermediárias;

• Chance de obter o bem todo mês por sorteio;

• Chance de ser contemplado via lances;

• Formação gradativa de patrimônio que, caso não seja retirado para a compra do bem, rende corrigido pela Selic.

 

Desvantagens:

• Em geral, você não recebe o bem de maneira imediata. É preciso sorte ou dinheiro para dar um lance alto, caso contrário, pode demorar muito tempo para obter o que deseja;

• Em tempos de crise e alto índice de inadimplência, existe o risco de o fundo de reserva do grupo não suportar a falta de pagamento de muitos consorciados. Tenha em mente que empresas que gerenciam consórcio também podem falir;

• Pagamento de taxa de administração – que, dependendo da empresa escolhida, pode ser bastante alta – e fundo de reserva;

• Sair do consórcio não é tão simples. Você precisa achar um interessado que queira comprar sua quota – mantendo os pagamentos até o momento da transferência – ou ser sorteado como desistente, o que depende de sorte;

• As parcelas costumam ser mais altas, o que exige maior planejamento financeiro. Pense que estará pagando uma parcela considerável por tempo indeterminado, pois não sabe quando obterá o bem ou serviço;

• O valor das parcelas acompanha o valor do bem. Por exemplo, a maioria dos consórcios de imóveis tem os contratos reajustados a cada 12 meses. Se o setor teve alta de 6 por cento, as parcelas pagas aumentarão nesta proporção;

• Embora entrar no consórcio seja mais fácil, em termos de comprovação de renda e acesso a crédito, a burocracia quando você é contemplado é similar à de um financiamento.

 

O consórcio vale a pena?

“O consórcio valia muito a pena nos anos 80 e 90, quando havia pouca disponibilidade de crédito e as pessoas não tinham como construir uma poupança porque a economia não era estável”, explica Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil. Hoje, no entanto, mesmo com a crise, é possível economizar, criar uma poupança, investir seu dinheiro e juntar o valor para a obtenção do bem. “O que a pessoa deve considerar é que, se ela está disposta a esperar para ter esse bem, vale muito mais a pena fazer um investimento. Ela precisará de menos dinheiro, afinal, ganhará juros sobre o que depositou, e ainda poderá negociar um bom desconto com dinheiro na mão”, diz a economista.

 

Uma vantagem do consórcio pode estar na comparação com o financiamento – e mesmo assim dependendo do bem ou serviço. Isso porque, como o dinheiro vem dos próprios consorciados, a administradora não cobra juros, mas sim uma taxa de administração para guardar o valor e organizar a estrutura (assembleias, sorteios, etc.). Assim, quem participa do consórcio acaba pagando menos do que teria pago num financiamento que conta com juros. “Mas é preciso colocar na ponta do lápis porque, por exemplo, se a intenção é comprar um imóvel, talvez o financiamento seja mais vantajoso, já que os juros do setor são mais baixos”, diz Marcela.

 

Então o consórcio não vale a pena? “Para quem possui um dinheiro guardado que o permita dar um lance alto logo nos primeiros sorteios, aí pode ser vantajoso, pois logo conseguirá o bem”, explica a economista.

 

Veja abaixo uma tabela comparando o quanto se gasta para comprar um carro modelo básico recorrendo ao financiamento e ao consórcio, e o valor poupado no caso de um investimento num fundo de renda fixa, durante o mesmo período (24 meses).

 

tabela-consorcio-financiamento-comparativo

“Comparando-se os valores, percebe-se que compensa muito mais ter a disciplina para poupar. Se no financiamento e no consórcio você desembolsa mais que o valor do veículo, pagando parcelas durante dois anos, recorrendo a um investimento você compra o carro em 15 meses porque se vale dos ‘juros sobre juros’. E, se optar por seguir economizando, depois de dois anos pode, inclusive, adquirir um modelo melhor, pois terá mais dinheiro”, resume Marcela.

 

E a questão do ‘poupança forçada’?

Muita gente defende o consórcio como uma maneira de “se forçar” a guardar dinheiro todo mês, já que existem penalidades para quem atrasa o pagamento. “As pessoas têm que lembrar que no consórcio paga-se uma taxa administrativa mais o valor do fundo de reserva. Ter organização e disciplina para poupar todo mês e fazer um investimento que vá render juros e aumentar sua renda, em vez de pagar uma taxa para ‘se forçar’ a poupar, é sempre melhor”, ressalta o especialista, complementando: “se deseja comprar um bem, faça um compromisso com você mesmo e economize para isso”. Nosso Simulador de Investimentos pode ajudar a avaliar melhor as possibilidades!

 

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Paula Aftimus

Paula Aftimus

Jornalista com especialização na State University of New York, editora de publicações e portais do Grupo Abril e especialista em mídias digitais. Passagem acadêmica pelas áreas de Serviço Social e Educação e MBA em Gerenciamento de Projetos pela FGV

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