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15 março 2017
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Poupança, bolsa de valores, Tesouro Direto? Conversamos com uma economista para responder algumas das principais questões quando o assunto é investir

São tantas as possibilidades quando a assunto é escolher um investimento, que pode ficar complicado, em especial para quem nunca investiu, saber para onde direcionar parte de sua renda todo mês. Além dos tipos de investimento, há também que se considerar o quanto você tem para o depósito inicial, o objetivo desta economia, seu perfil de investidor e por quanto tempo pretende investir. Nesta matéria, conversamos com a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, para responder algumas das principais questões quando o assunto é investir.

“Não tenho nada guardado e quero começar a investir, qual a melhor maneira?”

Quem vai começar a investir precisa primeiro se organizar para entender o quanto é possível poupar. Isso se faz anotando seus gastos, descobrindo no que pode economizar e então, com dedicação, separando o valor mensalmente. Um erro muito comum é achar que é preciso conseguir poupar uma quantia alta para começar a investir, sendo que com R$50 ou R$100 por mês pode-se começar a criar uma reserva. Neste caso, mais importante do que o valor, é a pessoa criar o hábito de poupar. Com o tempo, você vai aumentando o montante que consegue economizar todo mês. Para quem não tem nada guardado a sugestão é começar colocando esse dinheiro na poupança, que é mais simples. À medida que for crescendo sua reserva, considere passar para outro tipo de investimento que seja mais vantajoso.

“Por que dizem que investir na bolsa é arriscado?”

Investir em ações na Bolsa de Valores é arriscado porque, neste tipo de investimento, o valor da ação que você compra depende de uma série de variáveis, desde o crescimento da taxa de juros brasileira, a inflação e até a forma como a empresa é gerida. No caso do Brasil, porque ainda não somos um país maduro e apresentamos muitos problemas políticos e institucionais, o investimento acaba sendo ainda mais arriscado.

“É verdade que investir numa previdência privada é perder dinheiro?”

Não. Ao investir na previdência privada você pode ganhar menos do que em outras modalidades de investimentos, mas dificilmente perderá dinheiro. E, vale ressaltar, apesar de a previdência privada render menos, ela oferece algumas vantagens, como rendimento de juros sobre juros no longo prazo, tempo para investimento indefinido e abatimento no imposto de renda. Além disso, há a questão sucessória, que prevê que seu dinheiro vá para um beneficiário especificado por você em caso de morte, sem a necessidade de um inventário ou muita burocracia, como acontece com outros investimentos.

“Quais as dicas para driblar a falta de praticidade e burocracias do Tesouro Direto?”

Nada vem de graça. Você pode investir na poupança sem trabalho nenhum, mas verá seu dinheiro rendendo menos. Ao investir no Tesouro Direto, terá que lidar com alguns passos a mais (escolher instituição financeira, solicitar cadastro, obter senha e aprender a utilizar o site, escolher um título adequado ao seu objetivo financeiro e então efetuar a compra). No entanto, o rendimento será bem melhor. Minha dica é buscar uma corretora que facilite sua vida, por exemplo, possuindo um site ou aplicativo de fácil navegação. Mas, claro, não tem como fugir do cadastro, do trabalho de escolher o melhor título, etc. E, claro, de nada adianta a facilidade em investir se você não conhece os tipos de título e os vencimentos disponíveis. Para se atualizar nesses itens vale dar uma boa lida no material disponível no site do Tesouro Direto.

“Comprar imóveis é considerado um investimento?”

Comprar imóveis pode ser considerado um investimento no sentido que contribui para a construção de um patrimônio. No entanto, dificilmente comprar um imóvel multiplicará o seu investimento. A ideia de se comprar imóvel para investir era bastante popular nos anos 80 e 90. Isso fazia sentido numa época em que a inflação fazia desvalorizar a moeda e o mercado de capitais era pouco acessado pelos cidadãos comuns. Mesmo pensando em ganhar com o aluguel, há que se considerar os gastos com o imóvel (por exemplo, reparos) e também que o local deve estar sempre alugado, caso contrário significará custo, não lucro.

“No ano passado disseram que investir na poupança era perder dinheiro, neste ano estão dizendo que a poupança não é tão ruim. O que mudou?”

Ao se fazer um investimento é preciso estar sempre do olho no chamado ganho real. O ganho real é a rentabilidade de uma aplicação menos a inflação no período. Em resumo, para conseguir um ganho real em qualquer aplicação, é necessário que ela renda acima da inflação. O que aconteceu em 2016 foi que a inflação estava mais alta do que os juros da poupança, ou seja, não havia ganho real e por isso, colocar dinheiro ali não era um bom negócio. Para 2017, a estimativa é de inflação bem menor, em torno de 4,5%, abaixo dos cerca de 8% da poupança. Trata-se de um ganho real – e assim vantajoso – pois a poupança parou de perder para a inflação.

“Tenho dificuldade para conseguir guardar dinheiro todo mês. O que fazer?”

Uma dica é cadastrar no banco uma transferência automática de dinheiro da sua conta corrente para a conta poupança. Estipule um valor possível para o seu orçamento e escolha uma data para essa transferência. O ideal é que ela ocorra logo após o recebimento do seu salário, dessa forma passará a considerar o investimento como parte dos seus gastos mensais, como um compromisso já assumido.

 “Em quais situações vale a pena optar pelo CDB?”

O CDB (Certificado de Depósito Bancário) é um título que os bancos emitem para ganhar dinheiro para financiar suas atividades de crédito. Eles funcionam como um “empréstimo” que você faz ao banco. Geralmente os CDB de grandes bancos não rendem tanto quanto os de pequenos bancos. Por isso, por mais que o consumidor possa obter um título do CDB em qualquer banco, recomenda-se tratar em uma corretora, que apresentará os CDBs dos bancos menores, mais vantajosos. Hoje, porque muita gente está optando pelo Tesouro Direto, os bancos – grandes e pequenos – estão oferecendo vantagens para quem opta por investir no CDB, o que pode tornar essa opção um bom negócio para quem possui um valor mais alto para dar como aporte inicial, já que, diferentemente do Tesouro Direto, no CDB é preciso começar com valores que podem chegar a 5 mil, 10 mil ou mais.

“Quais os investimentos mais adequados para cada perfil de investidor?”

Antes de mais nada, é preciso saber identificar qual é o seu perfil. Para isso, considere o quanto está disposto a correr riscos num investimento para ganhar mais dinheiro. Por exemplo, um perfil arriscado, como o próprio nome já diz, prefere arriscar em um investimento de maior rentabilidade porém volátil, ou seja, cujo valor pode variar bastante, para mais ou para menos. O conservador, por sua vez, mantém seu investimento em algo que embora não renda tanto, possui retorno mais seguro e garantido. Já o moderado embora priorize a segurança de seus investimentos, mantém também espaço para arriscar um pouco mais. Quanto ao tipo de investimento mais adequado para cada perfil, indica-se para o conservador a poupança, o Tesouro Direto e CDB; para o moderado, investimento de renda fixa e mais um pouco na Bolsa de Valores e fundo cambial; por fim, para o arriscado, fundo cambial e mercado financeiro (Bolsa de Valores).

Paula Aftimus

Paula Aftimus

Jornalista com especialização na State University of New York, editora de publicações e portais do Grupo Abril e especialista em mídias digitais. Passagem acadêmica pelas áreas de Serviço Social e Educação e MBA em Gerenciamento de Projetos pela FGV

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