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19 abril 2017

Pesquisa mostra que 4 em cada 10 casais brigam por dinheiro no casamento. Veja dicas para fugir dessa roubada!

Segundo pesquisa realizada pelo SPC Brasil e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), quatro em cada dez (39%) brasileiros casados ou em união estável brigam com o parceiro ou parceira por causa de dinheiro.  Os principais motivos de brigas são discordâncias sobre os gastos da casa (41%), não ter reservas para imprevistos (32%) e o fato de não querer pagar pelos gastos do cônjuge (19%). Mas, afinal, como evitar brigar por dinheiro no casamento? A resposta é simples na teoria e pode ser também na prática, desde que cada um faça a sua parte. “Quanto mais as pessoas estiverem em sintonia quanto a importância de se organizarem financeiramente, maior será a probabilidade de que consigam caminhar na mesma direção, no sentido de preparar-se para imprevistos e concretizar objetivos de médio e longo prazo. Somente o diálogo torna possível conciliar os interesses de cada um, respeitando as individualidades e estabelecendo metas conjuntas”, diz José Vignoli, educador financeiro do SPC Brasil e do portal Meu Bolso Feliz.

Identifique suas despesas e receitas

Para descobrir quanto o casal costuma gastar coloque todas as contas na ponta do lápis. O quanto cada um ganha, quais são as despesas de cada um e depois, quais são as despesas da casa. “Outro dia meu marido comentou ‘estava pensando aqui, como temos Netflix se nunca pagamos?’. Aí eu disse ‘você nunca pagou, eu pago todo mês’. Neste momento eu percebi que ele não conhecia todas as despesas da casa”, conta a designer Andreia Marques. Nosso simulador Diagnóstico Financeiro pode ajudar a levantar tais despesas e receitas!

Mantenha o hábito de poupar e tenha uma reserva financeira

Não ter uma reserva para imprevistos foi apontado por 32% do entrevistados na pesquisa como um motivo para as brigas por dinheiro entre o casal. A reserva é importante porque dá mais tranquilidade. No caso de se depararem com uma despesa alta não planejada, as finanças não ficam abaladas e o casal evita brigas por dinheiro. “Os dois podem abrir uma poupança juntos, combinar o valor que cada um tem condições de depositar, e, dessa forma, ter controle do dinheiro de forma igual. Isso traz comprometimento e responsabilidade”, recomenda Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil. Considere a possibilidade de programar no banco depósitos automáticos mensais e cuide para que a data dos depósitos sejam feitos logo após o recebimento do salário, assim já garantem o investimento, em vez de esperar que sobre dinheiro no fim do mês para só então poupar.

“Muita gente economiza para realizar grandes sonhos como se casar ou comprar um imóvel. Mas, depois disso, se esquece de manter o hábito de poupar – e de dialogar sobre dinheiro dentro de casa. É preciso ter objetivos em comum e conversar sobre eles, sempre”, alerta Marcela. Lembre-se que agora que são um casal devem identificar suas necessidades de consumo como parceiros – que são diferentes daquelas de quando era solteiro ou solteira.

Não imponha, converse e explique

E o que fazer quando uma das partes gasta muito mais do que a outra – ou, pior, mais do que a renda familiar permite? “O desafio de organizar as finanças do casal quando um é mais consumista é justamente fazer com que a pessoa entenda os motivos para economizar, poupando por vontade própria e não porque se sente obrigada”, diz a psicóloga Olga Tessari. Nada de dar ordens, impor um comportamento de consumo ou ficar questionando cada compra. Converse sempre, exponha a realidade financeira do casal, criem juntos metas para poupar, como uma viagem, por exemplo. Dessa forma é mais provável que de fato a pessoa economizará.

Para evitar essas cobranças, vale determinar, conjuntamente, o orçamento de cada um. A dica é fazer um cálculo de quanto os dois ganham de forma conjunta e dividir este total em 3 partes: pagamento de contas da casa (obrigação), reserva financeira e lazer. O valor destinado ao lazer deve então ser dividido entre os dois para que gastem da maneira que preferirem (figura abaixo). “Essa divisão da quantia destinada ao lazer pode ser distribuída igualmente ou não. O casal deve avaliar as necessidades de cada um”, sugere Marcela. O importante é que este orçamento seja sempre respeitado.

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Conversem sobre as finanças

Tocar no assunto dinheiro deve ser tão recorrente quanto decidir o que fazer no final de semana. O tema não deve ser um tabu entre o casal, mas algo natural. Não deixe para falar sobre finanças só quando a coisa aperta. Com o assunto “naturalizado”, explicar ao parceiro ou parceira que é preciso segurar os gastos neste mês não será um problema, mas algo normal. Adquira o hábito de pelo menos uma vez ao mês conversar sobre as despesas do casal, incluindo os gastos com os filhos. Tenha em mente que um gasto que você considera normal – dar ao seu filho o brinquedo da moda, por exemplo – o outro pode entender como um luxo. Daí a importância do diálogo frequente.

Não esconda gastos

Segundo a pesquisa, 40% dos brasileiros não contam sobre todas as compras ao cônjuge. 61% escondem as compras para evitar conflitos e 37% dizem ter prioridades diferentes e tentam conciliar desejos com família sem causar discussões. “Com a omissão, algum dos lados pode se sentir enganado e, se isso acontecer, o relacionamento pode ser abalado. Além disso, gastos omitidos também podem prejudicar o equilíbrio do orçamento familiar. É importante que o casal saiba de todas as despesas para manter um bom controle financeiro”, recomenda a economista. Lembre-se que saber de todas as despesas não inclui, necessariamente, acompanhar cada compra feita pela pessoa, mas sim a quantia destinada a ela para que gaste com o que deseje. Caso uma das partes extrapole esse orçamento (o orçamento destinado ao lazer), aí então é preciso deixar o outro à par e buscar, juntos, uma solução.

Estabeleçam acordos – e cumpra-os!

Uma relação madura é feita de acordos, o que inclui também determinar regras financeiras, como por exemplo onde investir as economias do casal, quanto cada um pode gastar com si próprio, além das contas compartilhadas. Através do diálogo conversem sobre o que é prioridade para cada um e tentem ajustar as necessidades. Lembrando que isso deve ser feito de modo leve e tranquilo, sem um jogando na cara do outro quem gasta mais ou menos. Tenha em mente que o que é supérfluo para você pode não ser para a companheira ou companheiro.

Mantenha-se ciente das finanças

É importante que os dois saibam exatamente quanto e como investem o dinheiro do casal e a maneira habitual da dupla em pagar as contas. Assim, caso seja preciso, a outra parte pode assumir a tarefa. “Às vezes um dos dois é mais ligado em investimentos e isso pode dar certo, somente um assumir essa parte. No entanto, a ciência do que está sendo feito deve ser sempre compartilhada”, explica Marcela.

Paula Aftimus

Paula Aftimus

Jornalista com especialização na State University of New York, editora de publicações e portais do Grupo Abril e especialista em mídias digitais. Passagem acadêmica pelas áreas de Serviço Social e Educação e MBA em Gerenciamento de Projetos pela FGV

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