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14 abril 2016

Montamos um passo a passo para um planejamento financeiro e mostramos o que fazer na prática para que você quite suas dívidas e recupere seu crédito na praça!

Segundo dados do SPC Brasil e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), o número de consumidores brasileiros registrados em listas de devedores em atraso aumentou para 58,7 milhões em março deste ano – uma alta de 700 mil pessoas em relação a fevereiro. O número representa 39,64 por cento da população adulta (entre 18 e 95 anos). Desde janeiro de 2015, a estimativa é que 4,2 milhões de pessoas tenham sido incluídas na lista. Muita gente, certo? E este período de crise econômica só agrava a situação, visto que muitos ainda estão se adaptando à situação de desemprego e alta no preço de produtos e serviços.

Independentemente do motivo que levou alguém a se endividar, uma característica é comum a todos os casos: desorganização financeira. Assim, a boa notícia é que ver-se livre de dívidas é questão de controlar melhor essa área da sua vida, a partir de organização, planejamento e mudanças de atitude no dia a dia. O mais importante? Tornar o plano de quitar suas dívidas uma prioridade! “É preciso paciência e organização. Se não possui dinheiro, não recorra a ‘milagres’, aliás, desconfie desses atalhos como o crédito para negativados que, normalmente, possuem juros extremamente altos. Renegocie valores, pague um pouco por mês, e, acredite, você se verá sem dívidas”, garante José Vignoli, educador financeiro do Portal Meu Bolso Feliz.

Abaixo, mostramos um passo a passo para você sair das dívidas e recuperar a saúde da sua vida financeira!

 

Primeiro passo: descubra por que está endividado

A primeira atitude a ser tomada deve ser entender como e por que você chegou nesta situação. Você precisa descobrir, por exemplo, se está gastando mais do que sua renda permite e ver para onde está indo o seu dinheiro. “Usar o cheque especial e os limites do cartão de crédito com frequência e muitas vezes sem nem perceber, não saber exatamente quanto ganha e fazer compras de forma não planejada são hábitos comuns que, rapidamente, levam ao descontrole das despesas e ao endividamento”, explica Vignoli. Liste sua renda, seus gastos e descubra o que está colocando em risco sua saúde financeira. Podem ser as compras exageradas, parcelar tudo o que adquire, sempre pagar o mínimo do cartão de crédito ou simplesmente falta de controle sobre seu orçamento. Considere saídas e entradas de dinheiro mês a mês. Use o Simulador Diagnóstico Financeiro para descobrir quais são seus gastos fixos e quais consegue cortar. Conhecendo de verdade suas dívidas, despesas e hábitos de compra, fica mais fácil saber como agir – e o que cortar – imediatamente.
A partir de agora, mesmo após quitar suas dívidas, acompanhe de perto suas entradas e saídas. “Se organizar é o segredo para manter a vida financeira sempre saudável”, garante Vignoli.

 

E se estiver com o nome sujo?

Com seu nome negativado, surge uma série de dificuldades envolvendo alguns processos financeiros, já que seu CPF passa a ficar registrado no cadastro de inadimplentes. Por exemplo, você tem dificuldade em fazer um pagamento a prazo, contratar uma operação de crédito, fazer pagamentos com cheques, alugar imóveis, obter empréstimos e até abrir uma conta no banco.
Caso descubra que está com o nome “sujo”, é preciso tirar seu nome do cadastro de negativados o quanto antes. O primeiro passo é, ao receber uma notificação, ver qual empresa te mandou o comunicado e saber qual a pendência existente. Caso não saiba, entre em contato diretamente com o posto de atendimento do serviço de proteção ao crédito, levando CPF e documento com foto. Para descobrir o posto mais perto de você, clique aqui. Outra opção, caso não tenha um posto de atendimento na sua região ou não queira se deslocar até lá, é acessar o SPCNet, no qual você paga uma taxa e pode consultar seu CPF para saber se há restrições no seu nome. Com isso feito, obtenha um demonstrativo da dívida e planeje-se para negociar o pagamento e conseguir quitar a dívida. Com o valor pago, a própria empresa que te negativou tirará o seu nome da lista de devedores dos serviços de proteção ao crédito.

 

Segundo passo: planeje como quitará a(s) dívida(s)

Depois de descobrir o real motivo do endividamento, é hora de começar a quitar suas dívidas, privilegiando as que possuem juros mais altos, como as do cartão de crédito e cheque especial. Como já sabe no que vem gastando e o que pode ser cortado, pode se planejar para dedicar uma quantia mensal para o pagamento dessas dívidas. “Lembre-se que não adianta se comprometer a pagar uma parcela de R$500 para o banco e, no mês seguinte, não ter 100 por cento do valor para honrar o acordo”, diz Vignoli. Renegocie com os credores prazos e valores, pesquise suas opções e considere mudar o tipo de crédito. Nosso Simulador de Troca de Dívida por ajudar.
Dentro das possibilidades buscando ver-se livre de dívidas, considere também medidas para levantar dinheiro, como recorrer a um “bico” ou trabalho extra, vender algum bem, como um carro ou eletrodoméstico, limpar a poupança ou outro investimento, etc. Esta é a hora de utilizar esse dinheiro para sair das dívidas!
“Uma opção é recorrer ao crédito consignado para quitar dívidas com juros altos. Como os juros do crédito consignado são menores, a pessoa não vê sua dívida aumentar tanto mensalmente e também concentra seus esforços para quitar um único empréstimo”, diz Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil. Quem não tem acesso ao crédito consignado deve então pesquisar bastante as opções de crédito pessoal que oferecem as menores taxas de juros e melhores condições do mercado. No site do Banco Central tem-se acesso às taxas de diferentes instituições. “Renegociar uma dívida, no entanto, embora seja uma alternativa inteligente e necessária em muitos casos, não pode ser um vício. Dívida só se faz quando se tem consciência de que ela pode ser paga”, complementa a economista. Dentre as opções de dívidas com juros altos está o cartão de crédito, um dos grandes responsáveis pelo descontrole financeiro de muita gente. Assim, caso esteja pagando o mínimo da fatura, com juros acumulados, dedique-se a quitar essa dívida o quanto antes.

 

Terceiro passo: pare de gastar!

É isso mesmo, quem tem dívidas para pagar deve concentrar seus esforços em quitá-las e, até que consiga fazer isso, deve ter disciplina e organização para fugir de gastos desnecessários. “Pense nessa situação, de ter que pagar uma dívida, como uma oportunidade para melhorar suas finanças. Este é o momento para entender seus gastos e hábitos, descobrir reais necessidades e aprender a poupar mensalmente”, diz Vignoli. Abaixo, algumas dicas para conseguir reduzir gastos e quitar sua dívida:
• Assim que seu salário entrar na conta, já reserve o valor destinado à quitação da dívida.

• Pergunte a si mesmo se você e sua família gastam mais do que precisam, se não estão vivendo de uma forma incompatível com a renda que possuem. Escolha gastar com aquilo que realmente importa e reúna todo mundo para que a família também se conscientize.

• Pesquise preços, substitua produtos por outros mais baratos no supermercado e evite shoppings, pelo menos por um tempo. Até quitar as suas dívidas, é importante manter-se longe de tentações de compras desnecessárias.

• Pare de usar o cheque especial e o cartão de crédito. Além disso, procure pagar suas contas à vista. Assim não só evita juros, mas facilita o seu controle financeiro.

• Anote seus gastos e acompanhe de perto cada saída de dinheiro. Ter total controle sobre seu orçamento é fundamental para conseguir economizar. “Só entendendo bem suas contas você tem como saber onde reduzir gastos e quanto precisa sobrar no mês para bancar suas despesas e parcelas direcionadas para a quitação da dívida”, diz Vignoli.

• Deixe temporariamente de lado alguns sonhos de consumo, como viagens ou um bem de custo mais elevado. Quando estiver livre das dívidas, aproveite que criou o hábito de poupar uma quantia mensalmente e dedique esse valor à realização destes sonhos.

 

Dívidas em dia? Coloque seu nome do Cadastro Positivo!

O Cadastro Positivo é um banco de dados que contém informações do histórico de pagamentos realizados por pessoas físicas ou jurídicas. Instituições financeiras e lojistas poderão consultar as informações contidas neste banco de dados para conseguir, em conjunto e mediante a análise de outros critérios próprios, melhores condições de financiamento e outros benefícios àqueles que possuem o seu histórico de crédito no Cadastro Positivo. Para saber mais sobre o Cadastro Positivo, que é um benefício gratuito, basta clicar aqui.

 

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7 práticas para viver sem aperto financeiro

Paula Aftimus

Paula Aftimus

Jornalista com especialização na State University of New York, editora de publicações e portais do Grupo Abril e especialista em mídias digitais. Passagem acadêmica pelas áreas de Serviço Social e Educação e MBA em Gerenciamento de Projetos pela FGV

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