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12 janeiro 2016

Saiba o que considerar antes de investir em um carro, os cuidados ao financiar e como ficar longe de furadas

“Juro zero”, “IPVA pago”, “valorização do usado na troca”… são tantas as promoções das concessionárias de carros que o consumidor até desconfia. E, se não desconfia, vale ter cautela! Especialmente aqueles que pretendem financiar a compra do automóvel. “Por causa do momento econômico do país, juros elevados e maiores riscos de inadimplência as instituições financeiras aumentaram suas taxas, tentando assim evitar possíveis perdas. Ou seja, financiar o carro ficou, neste início de 2016, ainda mais caro. Além disso, as exigências de garantias, como uma entrada de 50 por cento do valor do carro, por exemplo, também aumentaram. Junte a isso o IPI de volta a sua alíquota original – 7 por cento para motores 1.0; 9 por cento para motores até 2.0 flex e 13 por cento para motores até 2.0 movidos a gasolina – e o resultado é que comprar um carro hoje pode ser um bom negócio apenas para quem não precisa recorrer ao financiamento”, diz José Vignoli, educador financeiro do Portal Meu Bolso Feliz. Ou seja, tantas “promoções” são, na verdade, uma maneira das concessionárias conseguirem manter suas metas de vendas e esvaziar seus estoques, mais cheios devido à crise na indústria automobilística. Veja abaixo o que você deve saber e pesquisar antes de investir em um veículo!

 

Vale a pena financiar?

O melhor jeito de comprar um carro é fazer um bom planejamento, economizando mensalmente, aplicando para que o dinheiro renda e, ao final, comprar o automóvel à vista, podendo inclusive conseguir descontos ao negociar o valor final com o vendedor. “Na teoria, esse seria o cenário perfeito: o consumidor não paga juros, compra o bem por um valor menor do que se tivesse que parcelar, decide o prazo para poupar e ainda tem em mãos um bem quitado”, explica Vignoli.

 

Nem todo mundo, claro, pode esperar juntar todo o dinheiro que um automóvel exige, pois pode precisar do carro para trabalhar ou porque não tem alternativas melhores de transporte. Quem opta pelo financiamento, no entanto, deve pesquisar muito e só se comprometer após ampla reflexão. “As ferramentas de crédito não devem ser vistas como vilãs. No entanto, precisam ser utilizadas com planejamento e inteligência”, pondera Vignoli. Simplesmente pesquisando as diferenças de custo entre financiamentos de diferentes instituições – sem precisar aumentar o valor da entrada, nem encurtar o prazo de pagamento – pode-se economizar um bom valor. Fique atento, em especial, às taxas de juros e sempre calcule o custo total do financiamento e não o valor de cada parcela.

 

Veja na simulação abaixo, feita pela economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, que a diferença entre taxas oferecidas por diferentes bancos pode resultar em um financiamento até R$16 mil mais caro!

 

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Neste processo de pesquisar a taxa mais vantajosa, duas páginas no site do Banco Central podem ajudar: uma  delas mostra as diferentes taxas de juros oferecidas pelas instituições financeiras, e o outro, a Calculadora do Cidadão, pode-se fazer as contas tanto dos juros do financiamento quanto do valor final.

 

Outra dica é negociar o custo dos juros, que podem, sim, variar de acordo com perfil do cliente, das condições de pagamento e até do modelo do carro. “Dependendo do valor da entrada, fica mais fácil conseguir taxas melhores. Aí outra vantagem de procurar, sempre, juntar um bom valor antes da negociação”, ressalta o educador financeiro.

 

Por fim, muita atenção à propaganda do “juro zero”! “A ‘taxa zero’ na prática não existe pois o comerciante sempre embutirá no valor total o risco que ele corre de não receber o dinheiro, ou seja, o risco da inadimplência. Além disso, um financiamento não deixa de ser um empréstimo, o que também significa cobrança de juros”, explica Marcela Kawauti. Não caia também na conversa de que a concessionária pagou pelo carro à vista, por isso para ela tanto faz receber à vista ou a prazo, normalmente usada para justificar um desconto baixo frente a proposta do consumidor de pagar o veículo à vista com desconto. “Dinheiro tem valor no tempo, ou seja, para a concessionária será, sim, mais vantajoso receber e poder investir R$40 mil do valor total do carro do que os R$ 20 mil da entrada, sem contar a garantia de já ter recebido o dinheiro”, diz Vignoli.

 

Novo ou usado?

Atualmente, considerando que o consumidor não conta mais com a redução do imposto (IPI) cobrado sobre os carros novos, investir em um carro usado pode ser mais vantajoso. Além disso, como todos sabem, no instante em que você sai da loja com seu carro zero, ela já desvalorizou no mínimo 20 por cento. E, ainda, a desvalorização é sempre maior no primeiro ano de uso do automóvel, em comparação aos anos seguintes.

 

Por que, então, tanta gente prefere o novo? Fora o famoso “cheirinho de carro novo”, existe o receio de sofrer com problemas em um futuro próximo. “Já ouvi muitas histórias de pessoas que sofreram batidas graves e venderam seu carro depois sem mencionar o acidente para o novo comprador, o que facilmente pode resultar em problemas mecânicos no futuro. Com o novo, garanto pelo menos três anos de garantia da fábrica”, conta o jornalista Daniel Franco. Por isso mesmo, quem opta pelo usado deve tomar muito cuidado. Desconfie caso o preço esteja muito barato, procure sempre um vendedor de confiança, leve um bom mecânico para fazer uma bela vistoria do automóvel, faça um teste drive e, claro, pechinche. Muito!

 

4 itens a considerar antes de comprar um carro:

1 – Reflita sobre os motivos que o levam a querer um carro – e se eles valem você se endividar ou gastar soma significativa por eles. “Lembre-se que, a não ser que você tenha uma profissão dependente do carro ou uma rotina que será muito facilitada pelo automóvel, comprar um veículo não é investimento. É um bem que desvaloriza rapidamente e ainda gera despesas”, diz Vignoli. Por isso, certifique-se de que de fato precisa do veículo e se tem condições de arcar com as despesas extras que o carro traz, como gasolina, estacionamento, seguro, manutenção, etc. Coloque na ponta do lápis tanto as despesas financeiras quanto os ganhos em termos de tranquilidade e tempo que, dependendo do dia a dia da família, podem compensar o gasto extra. “Atenção também com o ‘por só mais um pouco’ você leva este e aquele acessório ou muda deste para aquele modelo mais sofisticado. Isso pode aumentar e muito seus custos”, complementa Vignoli.

 

2 – Considere o valor do seguro. “Eu montei uma tabela comparando os dois modelos de carro que estava em dúvida e o valor do seguro foi decisivo, já que um deles era R$800 mais caro”, conta Daniel. Para isso, o jornalista entrou em contato com um corretor de seguros, pedindo os valores para o seu perfil de motorista e para os modelos pesquisados. Além disso, logo que começou a busca por um carro, entrou em contato com o mesmo corretor, perguntando sobre modelos mais visados (e, consequentemente, com seguros mais caros), veículos que apresentavam mais problemas, etc. “Carros não fabricados no Brasil, por exemplo, costumam ter seguros mais caros, já que as peças para conserto são importadas. Eu não sabia disso”, ensina o jornalista.

 

3 – Pesquise o quanto o modelo desvaloriza. Esse é um ponto fundamental para se considerar pois permite avaliar o grau de dificuldade que terá ao revender o seu carro e o quanto de dinheiro perderá nessa negociação. De modo geral, quanto menos procurado é um carro, mais valor ele perde. Assim, veículos luxuosos costumam ser os que mais desvalorizam. Há ainda casos de modelos que não são muito aceitos pelos consumidores ou que, devido a um momento econômico difícil ou condições de financiamento desfavoráveis ao consumidor, não foram tão vendidos quanto esperado (caso de alguns populares), acumulando no estoque. Todo ano, a Agência Auto Informe disponibiliza uma lista mostrando a depreciação média dos 100 veículos mais vendidos do Brasil. Fique de olho!

 

4 – Informe-se bem sobre a manutenção que o carro exige. Certifique-se se há na sua região concessionárias para as revisões e manutenções periódicas e pesquise na internet o que técnicos e donos do modelo que considera comprar têm a dizer sobre o carro. Muitas reclamações? Desconfie. E, claro, procure conversar com mecânicos sobre o quanto o veículo costuma dar problema e sobre custo e disponibilidade de peças no caso de acontecer. Esses cuidados valem tanto para os usados quanto para os novos. “Recomenda-se verificar a idade do projeto do carro para evitar a compra de modelos muito defasados. Também deve-se checar as características técnicas e o histórico da fabricante, inclusive no que se refere ao pós-venda. Opte por priorizar marcas cujos intervalos para revisão sejam maiores e que apresentem boa disponibilidade de peças”, ensina Leandro Mattera, autor do livro digital “Como Escolher o seu Carro Ideal”.

 

Saiba mais:

Veja todas as despesas que envolvem ter um carro

Está na hora de comprar um carro?

Paula Aftimus

Paula Aftimus

Jornalista com especialização pela State University of New York, editora de publicações e portais do Grupo Abril e do Grupo LANCE!, especialista em mídias digitais e marketing de conteúdo. MBA em Gestão Estratégica e Econômica de Projetos pela FGV.

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