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21 junho 2017

 

  Veja quais atitudes tomar para nunca mais ter dor de cabeça ao receber a fatura do cartão.   Com algumas ações, pagar em dia e sem apertos será algo natural!

As novas regra do rotativo do cartão de crédito foram anunciadas para trazer taxas de juros menores para essa modalidade. Afinal, segundo a nova regra, a dívida não poderá ficar rolando no rotativo por tempo indeterminado. Ela é corrigida por 30 dias e após esse período deve haver pagamento integral ou migração para uma linha de crédito mais vantajosa para o consumidor.

Parcelar o pagamento da fatura do cartão, no entanto, nunca foi – e continua não sendo – algo vantajoso. Pelo contrário, os juros ainda são muito altos e, por isso, não é um bom negócio, especialmente em um momento em que devemos evitar compromissos financeiros de longo prazo e privilegiar a economia. Mesmo no caso de parcelamento, considerando as taxas de linhas de crédito oferecidas por grandes bancos, o montante a ser pago, ainda que menor, continua extremamente caro para o bolso. “Por mais que a nova regra seja bem-vinda para o consumidor, isso não diminui a necessidade de ter cautela nos gastos com o cartão de crédito”, diz a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti. “O cartão de crédito traz conveniência e segurança porque viabiliza uma compra, mesmo que o consumidor não disponha de dinheiro no momento do uso. Mas para usufruir das vantagens, é preciso controle para que a pessoa não gaste mais do que efetivamente possa pagar”, complementa José Vignoli, educador financeiro do Portal Meu Bolso Feliz.

Veja o que fazer para se organizar de modo a pagar a fatura total, livrando-se assim dos juros seja do primeiro mês do rotativo, seja do parcelado no restante do período.

Cuidado com os parcelamentos

Parcelar compras no cartão só funciona para quem é organizado. E, mesmo assim, aconselha-se parcelar apenas valores mais altos, os quais não se consegue pagar à vista, e procurar parcelar no menor número de parcelas possível.

Dividir valores pequenos em várias parcelas deve ser evitado, pois facilita o descontrole. Quando se dá conta sua fatura está bastante alta e você nem sabe com o que gastou. “O parcelamento, mesmo na opção ‘sem juros’, dá a sensação que o gasto foi menor, deixando margem para realização de novas compras, seja na mesma loja ou em outras. As pessoas precisam ter em mente que o cartão não é dinheiro a mais para você gastar e sim uma quantia emprestada (do banco) que terá que pagar na data combinada”, alerta Vignoli.

“O que eu faço é estipular um valor máximo a pagar nas compras parceladas e aí só parcelar de novo quando tiver quitado alguma das compras. Por exemplo, só quando eu termino de pagar uma compra que tinha uma parcela de R$120 por mês que eu me permito fazer uma compra parcelada que tenha essa mesma parcela. E também procuro sempre parcelar em no máximo três vezes, para não deixar acumular dívidas”, diz a designer Andreia Acora.

Organize as finanças e programe-se

Fazendo um levantamento das suas finanças, avaliando renda e despesas, você consegue chegar a um valor máximo de quanto pode gastar no cartão de crédito. Com esse número em mente, use-o para guiá-lo sobre seus gastos. Está chegando perto do valor? E       ntão é hora de deixar o cartão em casa. “Ah, mas acabou meu dinheiro e só posso gastar no cartão”. Então talvez seja hora de você ficar em casa! Se acabou o dinheiro o negócio é gastar o mínimo que puder, deixando de sair com os amigos, evitando shoppings, economizando com transporte, cozinhando em casa, enfim, evitando se endividar!

“O ideal é que a pessoa deixe esse valor máximo que pode gastar no cartão como o limite do cartão de crédito dela”, diz Marcela, alertando ainda para outro perigo: “O consumidor deve tomar cuidado com uma modalidade chamada ‘limite emergencial de crédito’, em que o banco aumenta o limite do cartão automaticamente, quando a pessoa atinge o limite máximo”.

Verifique a fatura com frequência!

Sempre que pensar em sair para o shopping ou para fazer compras levando o cartão dê uma olhada na sua fatura para verificar se de fato pode gastar mais no cartão de crédito. Fique de olho especialmente na informação sobre o total de compras a prazo e quanto da sua renda já está comprometida no próximo mês. “Meu conselho é que a pessoa olhe a fatura pelo menos uma vez por semana, mesmo que não saia para comprar. Isso porque ela pode ter cobranças pré-aprovadas no cartão (academia, Spotify, seguro do carro, etc.), que caem automaticamente. Se ela não verifica a fatura com frequência, pode esquecer desses valores”, diz Marcela.

Evite pagar determinadas contas pelo cartão de crédito

Usar o cartão de crédito para pagar contas (de luz, telefone, água) é arriscado porque: 1) os tais ’40 dias para pagar’ anunciados nas propagandas só funcionam no primeiro pagamento, depois, as cobranças são realizadas mensalmente. 2) os bancos cobram tarifas para cada operação realizada, acrescido de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Ou seja, a conta fica mais cara. O pagamento automático de contas no cartão de crédito só compensa se tiver certeza de que não há juros ou tarifas sobre a operação.

Saiba quando deixar o cartão em casa

A dica é sempre deixar o cartão de crédito fora da carteira e só pegá-lo quando de fato precisar – compra de alto valor com planejamento prévio, por exemplo. Se não planeja gastar, por que levar o cartão e ser tentado a usá-lo? “Muita gente vê no cartão de crédito a possibilidade de viver um estilo e um padrão de vida que só o seu salário não possibilitaria. E o cartão não deixa de ser uma ferramenta que permite que se viva ou tenha ter algo que, se não pudesse pagar mais para frente ou parcelar, não conseguiria. No entanto, esse dinheiro será pago em algum momento e a pessoa deve conseguir se planejar para quitar essa dívida. Viver no rotativo e no cheque especial é viver com um pé na inadimplência”, diz Vignoli.

Escolha a data de vencimento com sabedoria

Para evitar não conseguir pagar o total da fatura, coloque o pagamento do cartão de crédito no débito automático e escolha uma data de vencimento no dia em que recebe o seu salário.

Atenção à anuidade

A chamada anuidade é a taxa paga à operadora para o uso do cartão. Ela pode ser paga anualmente, à vista ou em parcelas mensais. “As taxas variam de uma administradora para outra. Ou seja, se estiver insatisfeito com a sua, procure negociar o valor ou mesmo a isenção. Pesquisando é possível possuir um cartão sem cobrança de anuidade”, aconselha Vignoli. Outro conselho do especialista é avaliar o tipo de cartão que possui, o que também isenta, barateia ou encarece a anuidade. Por exemplo, não adianta ter um ‘internacional’ e pagar uma anuidade por ele, que custa mais caro, se você não vai fazer compras no exterior.

Cuidado com programas de pontos

O programa de pontos só é interessante se você já iria usar o cartão, aí aproveita os pontos ganhos. No entanto, não caia na furada de gastar mais no cartão apenas para juntar pontos.

Evite ter muitos cartões

Tenha apenas um cartão com um limite que respeite o seu orçamento. Ter muitos cartões pode fazer com que a pessoa se descontrole no orçamento, além do gasto adicional com anuidades. E, mesmo que lhe ofereçam um cartão sem taxa de anuidade, se não for precisar dele de fato, por que duplicar as chances de perder o controle de seus gastos? A não ser, claro, que possua um cartão no qual pague anuidade e receba uma oferta de um livre dessa cobrança, aí compensa trocar um pelo outro.

Não conseguirá pagar toda a fatura? Avalie suas opções!

Caso, olhando sua fatura, perceba que não conseguirá quitá-la por completo, já comece a pesquisar uma linha de crédito com taxa de juros menores, como crédito pessoal ou crédito consignado e liquidar todo o saldo do cartão. E, claro, no período que estiver pagando essa dívida feita no cartão recomenda-se deixá-lo em casa, evitando novas dívidas.

Paula Aftimus

Paula Aftimus

Jornalista com especialização pela State University of New York, editora de publicações e portais do Grupo Abril e do Grupo LANCE!, especialista em mídias digitais e marketing de conteúdo. MBA em Gestão Estratégica e Econômica de Projetos pela FGV.

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