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07 abril 2015
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Conheça o imposto que todo mundo fala, mas que ninguém entende muito bem, e veja como o IOF pode aparecer nas contas do seu dia a dia

IOF. Três letrinhas que parecem estar em todo lugar. A sigla é vista no extrato bancário quando você usa o cheque especial, faz uma transação internacional no cartão de crédito ou parcela alguma compra. Mas, afinal, o que é o IOF?

O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) incide sobre operações de crédito, de câmbio e seguro ou relativas a títulos financeiros. Ficou um pouco mais conhecido neste começo de ano, por fazer parte do pacote de medidas visando o ajuste fiscal e reequilíbrio das contas do governo brasileiro. Em 21 de janeiro de 2015, passou a valer a nova alíquota do IOF em empréstimos para pessoa física: foi de 1,5 por cento para 3 por cento anuais, ou seja, dobrou de valor. Vale lembrar aqui que a alíquota do IOF varia de caso para caso.

“O aumento do IOF tem duas características: arrecadatório, para que o governo arrecade mais dinheiro, e inibidor, para que iniba as pessoas de tomarem empréstimos”, explica José Vignoli, educador financeiro do Portal Meu Bolso Feliz. “Todos nós conseguimos cortar os gastos, mas, diferentemente do governo, nem todos têm capacidade para aumentar as receitas quando precisa e, assim, conseguir pagar dívidas ou poupar”, acrescenta.

O jeito mais fácil de entender o que é o IOF é dar uma olhada no próprio extrato bancário, nos meses em que se fez compras internacionais, parcelou pagamentos ou usou o cheque especial. Quando não se usou nenhum destes recursos, o IOF não aparece no extrato. “Por exemplo, para as pessoas que têm o costume de usar o cheque especial como parte do orçamento, ultrapassar o limite do que possui na conta ficou ainda mais caro. Aquele valor que antes era considerado desprezível, deixou de ser”, atesta Vignoli.

Calculando o IOF

A dificuldade para se entender o custo efetivo do IOF se deve a dois principais fatores: alíquotas variadas, estabelecidas de acordo com cada situação (disponíveis no site da Receita Federal) e o cálculo do imposto em si. “Um grande problema no Brasil é que a toda hora mudam os impostos e as alíquotas. São tantos números e valores que fica difícil para os contribuintes entenderem tudo e acompanharem quando, o que e o quanto estão pagando a cada transação”, explica MarcelaKawauti, economista-chefe do SPC Brasil. Imagine que já é complicado calcular as parcelas do financiamento de um carro, por exemplo, considerando os juros mensais. Quando acrescentamos a alíquota do IOF, que é cumulativa pelos dias corridos, a tarefa torna-se missão trabalhosa até mesmo para os especialistas.

Em razão da mudança da alíquota do IOF, em janeiro, a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) deu exemplos para que o consumidor pudesse entender o aumento. Para pagar um automóvel de R$ 25 mil em 12 parcelas, com o IOF a 1,5 por cento, gastava-se, no final e ao total, R$ 28.617,96. Com o IOF a 3 por cento, o consumidor passa a pagar no mesmo veículo R$ 29.039,28, um acréscimo de R$ 421,32.

Como o IOF pode interferir no seu dia a dia

A recomendação dos especialistas do Portal Meu Bolso Feliz e SPC Brasil, neste momento – e não só em razão do IOF -, é evitar usar o cheque especial ou parcelar compras no cartão de crédito e ficar longe dos empréstimos. Na hora de comprar, lembre-se sempre de avaliar o quanto aquele item é de fato imprescindível e se não há outras alternativas. Pesquises preços, opções mais baratas e, sempre que possível, poupe para garantir uma reserva financeira. “Estamos em um ano para o qual já se tinha perspectiva de ser ruim, por esses ajustes fiscais, pela alta inflação, economia instável e até a possibilidade de um apagão duplo (de água e de energia). Então, se não for urgente, melhor não gastar e optar pelas compras à vista”, sugere Kawauti.

 

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Paula Aftimus

Paula Aftimus

Jornalista com especialização na State University of New York, editora de publicações e portais do Grupo Abril e especialista em mídias digitais. Passagem acadêmica pelas áreas de Serviço Social e Educação e MBA em Gerenciamento de Projetos pela FGV

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