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27 abril 2015

Todos os cuidados necessários – e riscos possíveis – que você precisa conhecer antes de fazer um empréstimo de dinheiro ou o nome a terceiros

“A família acabou!” Com esta frase, a diarista Dolores Rezende resume o fim de uma história que começou com um pedido de dinheiro emprestado. Sem verba para quitar a compra fiada que fez na quitanda do bairro, Carlos, irmão de Dolores, recorreu ao marido dela e pediu cerca de R$1.200 para pagar a dívida. O combinado: ele devolveria a quantia em duas prestações a partir do mês seguinte. Quatro anos se passaram e Dolores não recebeu o valor de volta. “Cansado de esperar, meu marido foi cobrar meu irmão quase um ano depois do empréstimo. Nesse dia, eles brigaram feio. A família se dividiu: alguns parentes ficaram do nosso lado e outros do lado do Carlos”, conta a diarista. Dessa história, diz ela, ficou a lição: “nunca mais empresto dinheiro para ninguém!”

 

Dolores está certa. Porém, sofreu na pele para aprender que empréstimo informal de dinheiro pode acabar em confusão. “Se alguém lhe pedir dinheiro emprestado, nunca responda imediatamente. Se a pressão for muito grande, aí diga não, na hora, de maneira educada, mas firme. É melhor do que se comprometer com uma dívida que pode jamais ter fim”. E o contrário também serve para você. “Nunca peça para alguém pagar uma dívida que é só sua”, aconselha José Vignoli, educador financeiro do Portal Meu Bolso Feliz.

 

E emprestar o nome, por meio de cartão de loja ou de crédito, para fazer uma compra? Na opinião de Vignoli, isso é ainda pior do que pedir dinheiro emprestado. Os dados de uma pesquisa realizada pelo SPC Brasil e pelo Portal Meu Bolso Feliz comprovam a informação: 15 por cento dos consumidores que emprestaram o nome para terceiros fazerem financiamentos ou adquirirem produtos ou serviços, acabaram com o nome sujo. A maior parte desses inadimplentes são mulheres entre 18 e 34 anos que pertencem às classes C, D e E.

 

Descubra os perigos que você corre quando cede ao empréstimo informal, seja de dinheiro ou nome, e o que você pode fazer para não se dar mal.

 

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Quando alguém pede dinheiro a você

• Antes de qualquer coisa, nunca responda na hora. “Lembre-se, no entanto, que você não tem obrigação em emprestar o dinheiro e que você estará levando para dentro de sua casa um problema que não é seu”, afirma Vignoli. Caso a pessoa insista muito, por mais constrangedora que se torne a situação, seja firme e explique que não poderá emprestar dinheiro neste momento. O mal-estar momentâneo é melhor do que colocar a amizade ou as relações familiares em risco para sempre, caso não receba o dinheiro de volta.

 

• Se o dinheiro não for só seu, se fizer parte de uma reserva familiar, nada mais justo do que dividir esta decisão dentro de sua casa. Desta forma, o sim ou o não será resultado de uma conversa entre quem realmente lhe interessa, ou seja, sua família.

 

• Se está certo de que vai emprestar dinheiro a alguém, não deixe de pedir um cheque ou uma nota promissória em garantia. “Você tem toda a liberdade de pedir uma garantia”, explica Vignoli. É importante ressaltar, no entanto, que mesmo com a nota promissória há o risco de você só recuperar o valor após processo judicial, o que toma tempo e dinheiro. E, mesmo assim, pode ser que jamais receba de volta a quantia emprestada.

 

• Tenha sempre em mente que será difícil cobrar o devedor. Caso faça isso, a situação pode se inverter e você ainda correrá o risco de ficar mal visto. Mais um motivo para evitar emprestar dinheiro a terceiros. Esta situação se agrava ainda mais tratando-se de familiares. Esteja preparado!

 

• Não conseguiu dizer não e acabou emprestando o dinheiro? Então, pelo menos, disponibilize uma quantia com a qual você não precise contar. Afinal, essa verba pode nunca mais voltar para o seu bolso.

 

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Quando alguém pede seu nome emprestado

• “Emprestar o nome é ainda pior do que emprestar dinheiro”, afirma Vignoli. Afinal, você pode perder a sua reputação e ficar com o nome sujo caso quem usou o seu cartão de crédito ou mesmo o cartão de loja não tenha quitado a dívida. Como isso acontece? O vendedor baterá na sua porta com o boleto para você saldar. Depois de algumas tentativas de cobrança, das duas, uma: ou você se junta aos 52 por cento que quita a dívida alheia ou aos 53 por cento que se tornam inadimplentes por causa de terceiros

 

• tudo porque emprestou seu nome! – Ao se tornar inadimplente, seu nome pode parar em uma entidade de proteção ao crédito. Quando isso acontece, você perde o acesso ao crédito. Ou seja, não pode comprar nada parcelado nem fazer empréstimos. A saída? Dirigir-se até o estabelecimento onde a compra foi realizada e pagar a dívida feita pelo outro para limpar o seu nome e regularizar a situação.

 

• Se você está decidido a emprestar seu nome – algo desaconselhável e perigoso -, pelo menos verifique o quanto a pessoa que utilizará o seu cartão pretende gastar. Por aí você já conseguirá ter ideia se poderá ou não arcar com as possíveis consequências, caso a dívida não seja paga. 61 por cento das pessoas pesquisadas pelo SPC Brasil e pelo Portal Meu Bolso Feliz não sabiam quanto o terceiro havia gastado em seu nome. Isso é puro descuido com as próprias finanças.

 

• Se com tudo isso você ainda não se convenceu de que emprestar seu nome não é uma boa alternativa, quem sabe você mude de ideia ao saber que, ainda segundo a pesquisa, quem emprestou o nome pagou, em média, R$ 2.168 da dívida do terceiro.

 

• Por fim, lembre-se que você tem todo o direito de se recusar a emprestar seu nome, mesmo a familiares. Considere que até a mais honesta das pessoas pode enfrentar uma dificuldade financeira não prevista, como a perda do emprego ou doença, por exemplo. Nessas horas, ela certamente priorizará o bem-estar de sua família – não o pagamento da dívida que fez em seu nome. Assim, coloque-se à disposição para ajudar a pessoa a buscar outras formas de conseguir dinheiro, mas, educadamente, explique que não se sentirá confortável emprestando seu nome.

 

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Quando você precisa pedir dinheiro

• Questione-se: por que envolver uma terceira pessoa em um problema que já está tirando o seu sono? Procure resolver a questão e sanar a dívida que adquiriu sem envolver outras pessoas. Faça o exercício de listar possíveis alternativas: tenha outra conversa no banco, procure renegociar a dívida, busque por “bicos” que o ajudarão a conseguir uma grana extra, veja em casa itens sem uso ou de valor e tente revendê-los, etc.

 

Natália Chagas

Natália Chagas

Jornalista, com especialização em marketing e vasta experiência em revistas e portais de notícia. Foi editora de mídias digitais do grupo GR1 Editora e produziu conteúdo para diversas publicações do Grupo Abril, Editora Globo, Folha de São Paulo, entre outros.

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