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19 outubro 2016
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Existem várias maneiras de você contratar serviços bancários. Veja dicas para reduzir custos e escolher o pacote certo!

Você já parou para olhar sua conta corrente com calma? Será que você sabe exatamente quanto paga de taxas e o que você tem direito ao contratá-la? Pois talvez esteja na hora de ficar ligado. As contas correntes podem se tornar um grande problema para o bolso caso os clientes não fiquem atentos aos valores dos serviços cobrados pelas instituições financeiras. Segundo levantamento divulgado pela Fundação Procon-SP, as tarifas cobradas pelos bancos para serviços ou operações pode variar até 447,5%. Por exemplo: um banco pode te cobrar R$4 por um serviço específico e outro banco pode cobrar R$22 pelo mesmo serviço.  “Por isso que é tão importante que o cliente saiba exatamente qual seu perfil e qual sua necessidade antes de contratar um pacote de operações ou aceitar um upgrade”, alerta Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil.

E a economista completa: “Saber quanto pagamos para o banco e que tipo de serviço estamos contratando é muito importante. Muita gente paga por um serviço que não usa. Esse dinheiro poderia estar indo para poupança ou qualquer outro tipo de aplicação“, finaliza. Imagine, por exemplo, se você conseguir economizar 20,00 de taxa e colocar esse mesmo valor na poupança:

  • por 10 anos: R$ 3.500
  •  por 20 anos: R$ 10.800
  • por 30 anos: R$ 25.800

Bastante dinheiro, né? Por isso, o Meu Bolso Feliz resolveu listar os tipos de conta corrente que existem no mercado e porque elas são – ou não – vantajosas para o consumidor. Fique de olho:

Tipos de conta corrente

– Conta com tarifa de serviços ou pacote padronizado: Esse é o pacote mais comum, aquele que a pessoa paga uma mensalidade e ganha uma série de serviços como um número específico de DOCs,  de retiradas de extratos, de saques, cheques, entre outros. Caso ultrapasse o combinado, são cobradas tarifas pelo excedente. O importante, nesse caso, é saber exatamente qual sua necessidade para, assim, personalizar seu pacote. Segundo o Procon, os bancos são obrigados a oferecer quatro tipos de pacotes de serviços padronizados pelo Banco Central. Dessa maneira, todo cliente deve perguntar quais as opções e, só depois, escolher o seu.

– Conta com atendimento “diferenciado”: Muitos bancos oferecem um upgrade para seus clientes. Entre os benefícios, atendimento personalizado, uma agência “vip” e algumas regalias são oferecidas para aqueles que têm uma renda específica ou um valor determinado aplicado. O problema é que, muitas vezes, nada mudou na sua vida e o valor da tarifa cresce para pagar esses ‘mimos’. Seu salário não mudou tanto, suas despesas também. Dessa maneira, o que mais aumenta é a taxa que você vai pagar, mensalmente, ao banco. Por isso, se te ofereceram esse upgrade, questione. Pergunte exatamente o que vai ganhar e, depois, avalie se precisa e vai usar esses serviços. Para Rafael Comesto, empresário, o upgrade foi ótimo. “Eu queria começar a investir e não sabia muito bem o que fazer. Com o upgrade eu consegui um atendimento mais adequado, uma consultoria financeira e, até, investimentos que rendiam mais“. Já para Eduardo Costa, jornalista, o upgrade foi um problema. “Eu acabava o mês quase no zero a zero. Quando me “promoveram”, comecei a pagar o dobro de taxa e não senti mudança alguma porque nunca preciso ir ao banco. Só comecei a gastar mais e minha reserva financeira diminuiu porque parte do dinheiro ia para cobrir a taxa. Péssimo negócio”,  conta.

Conta de serviços essenciais (exigida pelo Banco Central): É isso mesmo. Quase ninguém sabe que essa opção existe, mas todo mundo tem direito. Quem faz poucas movimentações na conta corrente deve optar pela conta gratuita. Os bancos devem garantir aos clientes operações gratuitas, os chamados serviços essenciais, conforme resolução do Banco Central. Esse pacote, ótimo para fugir das taxas, ainda dá direito, mensalmente,  a 10 folhas de cheque, quatro saques, dois extratos dos últimos 30 dias no caixa eletrônico e duas transferências entre contas do mesmo banco. “Vale lembrar que, se houver uso que gere cobrança extra o valor pode ser mais alto, mas mesmo assim no longo prazo é melhor pagar um extra de vez em quanto do que pagar a tarifa básica durante anos e anos”, diz Marcela.

– Conta salário: A conta salário não tem tarifa, mas só pode ser aberta pelo empregador e com um objetivo específico. Esse tipo de conta permite o acesso ao serviço bancário a qualquer trabalhador. “A conta salário é muito vantajosa para quem só precisa receber e fazer poucas transações como, por exemplo, sacar o dinheiro que ganhou”, explica Marcela. Só é preciso ficar atento caso o trabalhador comece a usar serviços como depósitos de terceiros, débito automático e movimentações pela internet pois a contratação separada desses serviços pode ficar mais cara.

Conta digital: A modalidade é nova e, por isso, tende a ser mais barata. Resumindo: você não tem mais agência física, gerente,  e faz tudo pelo computador ou telefone. Apesar de nova, muitos bancos vêm adotando a experiência e tendo muito sucesso. “Para ter uma conta digital você precisa ser conectado porque vai lidar com seu gerente virtual e transações bancárias exclusivamente através da internet e telefone. Para quem quer arriscar a dica é não ter receios e preconceitos. Os bancos estão muito treinados para lidar com essa novidade”, aconselha Marcela. Se tiver interesse, entre em contato com seu gerente e veja se a modernidade já chegou ao seu banco. E lembre-se:  “é indicada para os mais antenados”, finaliza Marcela.

6 Dicas extras para você nunca mais gastar além do que precisa

Agora que você já sabe que sua conta corrente pode ser mais complexa do que parece, fique de olho nas seis dicas que Marcela Kawauti separou para você:

  • Seja questionador

Não importa se vai ficar com fama de chato. Se tiver dúvidas, pergunte e se algo te incomodar, fale imediatamente com seu gerente. Ele pode te ajudar, e muito, mas também é preciso sempre lembrar que ele é um ótimo vendedor. Se você permitir,  ele só vai te mostrar os benefícios e vai esquecer da parte ruim que um novo serviço vai trazer. “Se aproprie da sua conta. Ela é sua e não do banco”, diz.

  • Cheque cada débito que aparece na sua conta corrente

Crie o hábito de checar sua conta toda semana. Qualquer débito que você não sabe o que é deve ser avaliado. Cada aumento de tarifa, cada centavo extra que você pagou deve estar muito bem discriminado.

  • Cuidado com os vários cartões na carteira

Muita gente tem mais de uma conta por preguiça de juntar todas as questões financeiras em um só banco. Não faça isso! Mais contas são sinônimo de mais transações bancárias, mais taxas e, normalmente, mais confusão. “Só tenha duas ou mais contas se você tiver um motivo muito claro para isso”, finaliza.

  • Tenha paciência

Na hora de escolher a melhor opção para seu perfil e para seu bolso é preciso calma. Conversar com o gerente e pesquisar as tarifas de outros bancos é sempre uma boa opção. Vale lembrar que não adianta mudar para o banco 2 que é mais barato se todas as transações que você faz estão no banco 1. Dessa maneira, você vai acabar pagando mais pelas transações entre eles.

  • Emplaque um desconto

Além de escolher o pacote ideal para seu perfil é possível conversar sobre as taxas que você paga. “Há algumas regras que podem ser conversadas. A partir de um determinado valor investido no banco, por exemplo, há isenção de taxas. Por isso, vale checar com o gerente qual a regra vigente”, explica Marcela.

  • Fique de olho nas tarifas e faça comparações

Na hora de escolher o banco onde vai ter conta ou quando for avaliar se vale a pena mudar de instituição, lembre-se de fazer uma lista das principais transações que faz no dia a dia e comparar os valores. Abaixo, um check-list para você não esquecer nenhuma:

  1. Extratos
  2. Saques
  3. Cartão de débito
  4. Depósitos
  5. DOCs  e TEDs
  6. Transferências
  7. Cheque – número de folhas e entrega a domicílio

 

Natália Chagas

Natália Chagas

Jornalista, com especialização em marketing e vasta experiência em revistas e portais de notícia. Foi editora de mídias digitais do grupo GR1 Editora e produziu conteúdo para diversas publicações do Grupo Abril, Editora Globo, Folha de São Paulo, entre outros.

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