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12 maio 2016
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Todos os riscos que você deve conhecer antes de emprestar seu nome a terceiros

Segundo pesquisa do SPC Brasil, 11,2 por cento dos consumidores ficaram com o nome sujo por terem emprestado o nome a terceiros. Dentre esses, 34,2 por cento não tinham sequer conhecimento do valor que seria utilizado na compra.

Embora o ato de emprestar o nome a terceiros, normalmente pessoas próximas, amigos e parentes, possa parecer uma ação solidária – ou seja, as pessoas o fazem na intenção de ajudar – ele é, no fundo, bastante perigoso. “Existem outras maneiras de ajudar alguém que precisa de dinheiro que não emprestando o seu maior bem, que é seu nome”, diz José Vignoli, educador financeiro do Portal Meu Bolso Feliz. “Antes de emprestar o nome, o melhor a se fazer é entender e procurar orientar quem está pedindo a sua ajuda, ou melhor, o seu nome”, complementa o educador. Lembre-se que, além de ser responsabilizado por uma dívida que não é sua, quem empresta o nome pode ainda enfrentar problemas como: restrição ou impedimento ao crédito, dificuldade em fazer um pagamento a prazo ou usando cheques, alugar imóveis, obter empréstimos e até abrir uma conta no banco. “A pessoa deve refletir se está mesmo preparada apara assumir o compromisso, prevendo as consequências de pagar o valor da conta em atraso, caso a pessoa que se beneficiou da compra não consiga cumprir sua parte”, diz o educador.

4 motivos para não emprestar seu nome a terceiros
1 – Seu nome é seu bem mais precioso

“Emprestar o nome é ainda pior do que emprestar dinheiro”, afirma Vignoli. Afinal, será na sua porta que baterão cobrando o dinheiro devido! E, caso a pessoa não pague a dívida e você também não possua recursos para bancar o valor devido, será o seu nome que ficará negativado e você que se tornará um inadimplente.

Tenha em mente que emprestar o nome para amigos ou conhecidos pode até parecer uma atitude solidária, mas, caso fique com o nome sujo, essa “boa ação” pode estragar planos importantes de curto e médio prazo, como comprar uma casa, um carro ou investir na educação e mesmo na saúde pela restrição ou impedimento ao crédito. Além disso, a inadimplência resulta na dificuldade em fazer um pagamento a prazo ou usando cheques, alugar imóveis, obter empréstimos e até abrir uma conta no banco ou conseguir um novo cartão de crédito ou de loja. Ou seja, não poderá comprar nada parcelado nem fazer empréstimos. A saída? Dirigir-se até o estabelecimento onde a compra foi realizada e renegociar a dívida feita pelo outro para limpar o seu nome e regularizar a situação o quanto antes.

2 – Você terá que arcar com a dívida

Em pesquisa realizada com consumidores inadimplentes em razão do empréstimo de seu nome, o SPC Brasil constatou que 53 por cento deles estavam nessa situação há mais de três anos! Sendo que, em média, quase cinco parcelas deixaram de ser pagas por aquele que pediu o nome emprestado. Ou seja, por mais que quem pediu seu nome emprestado jure que vai pagar o valor devido, pode ser que isso jamais aconteça. Lembre-se ainda que estamos em um momento de crise econômica no país, com as pessoas perdendo renda e emprego, ou seja, está ainda mais complicado para as pessoas conseguirem dinheiro! Enquanto isso, as taxas de juros só sobem e, com elas, o valor da dívida em seu nome.

Ainda não se convenceu? Pois a pesquisa mostra que, entre os que foram negativados devido ao empréstimo do nome, só em 5,3 por cento dos casos a dívida foi quitada por quem realmente fez a compra. No caso dos que emprestaram o nome e resolveram arcar com a dívida,  apenas 11,5 por cento receberam de volta o valor integral da dívida e 12,1 por cento receberam somente um valor parcial. A grande maioria, 76,4 por cento, não recebeu absolutamente nada.

3 – Você pode abalar um relacionamento de anos

Em pelo menos 69,2 por cento dos casos o relacionamento entre o devedor e quem emprestou o nome ficou abalado. Por isso, ao tentar ajudar uma pessoa próxima, é preciso pensar bastante antes”, analisa Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil. “Os resultados da pesquisa indicam que, frequentemente, quem emprestou o nome acaba se responsabilizando por uma dívida que não fez, com graves desdobramentos que vão da restrição ao consumo e inadimplência até mesmo a perda da amizade de quem pediu ajuda”, diz a economista. Ou seja, se os riscos financeiros já não são o bastante, há também os emocionais e de relacionamento, resultado do empréstimo de nome.

4 – Você tem todo o direito de se recusar a emprestar seu nome!

E isso inclui amigos próximos e mesmo parentes. Considere que até a mais honesta das pessoas pode enfrentar uma dificuldade financeira não prevista, como a perda do emprego ou doença, por exemplo. Nessas horas, ela certamente priorizará o bem-estar de sua família – não o pagamento da dívida que fez em seu nome. “O problema é que decisões financeiras precisam ser tomadas de forma racional, e quando as emoções interferem o julgamento do consumidor fica comprometido”, explica Marcela. “Por isso, o recomendável é pensar bastante, de preferência sem a presença da pessoa que fez o pedido, antes de tomar qualquer atitude”, conclui a especialista. Assim, coloque-se à disposição para ajudar a pessoa a buscar outras formas de conseguir dinheiro, mas, educadamente, explique que não se sentirá confortável emprestando seu nome.

Vai emprestar?

“Se você está decidido a emprestar seu nome – algo desaconselhável e perigoso -, pelo menos verifique o quanto a pessoa que utilizará o seu cartão pretende gastar. Por aí você já conseguirá ter ideia se poderá ou não arcar com as possíveis consequências, caso a dívida não seja paga”, alerta Vignoli. Lembrando que o aconselhável, mesmo, é não emprestar! Se a pessoa está numa situação muito difícil, pense que há outras formas de ajudar. Por exemplo, você pode fazer a compra para essa pessoa, em vez de simplesmente dar o seu cartão ou o seu nome.

 

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Paula Aftimus

Paula Aftimus

Jornalista com especialização na State University of New York, editora de publicações e portais do Grupo Abril e especialista em mídias digitais. Passagem acadêmica pelas áreas de Serviço Social e Educação e MBA em Gerenciamento de Projetos pela FGV

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