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24 maio 2016
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Se você já passou ou tem medo de passar por isso, vale a pena se precaver. Saiba como…

A crise chegou para todos. Por isso, nesse momento, acaba havendo um aumento do número de funcionários com carteira assinada e profissionais autônomos que não estão com seus recebimentos em dia. Se isso deve ser encarado de forma natural? Não. Mas a verdade é que temos que lidar com o fato de que muitas empresas públicas e privadas estão atrasando pagamento aos seus funcionários e fornecedores, devido ao momento econômico. Por isso, preparamos algumas dicas práticas para lidar com esse problema. “O segredo é colocar os pés no chão e encarar a realidade financeira do mês. Entrou menos dinheiro? Então o que deve ser feito?”, questiona José Vignoli, educador financeiro do Portal Meu Bolso Feliz. Vamos à solução?
 

Administre a situação com seu chefe ou cliente

A primeira coisa quando precisa lidar com essa situação é conversar com seu chefe ou cliente e tentar entrar em um acordo para saber exatamente quando vai receber e por quanto tempo terá que encarar esse problema. Então, para administrar essa situação, você tem algumas opções:
• Avalie a situação da empresa onde trabalha ou do cliente para quem você presta serviço. As vendas diminuíram? Ele está demitindo? Será que existe a possibilidade dele estar falindo? Se sim, talvez seja a hora de se adiantar ao problema, e começar a procurar outra ocupação.
• Dialogue. Não deixe de ter uma conversa pessoalmente, mostrando-se disposto a negociar e entender o que está acontecendo.
• Tente, junto ao chefe ou cliente, encontrar uma maneira de resolver a questão; pode ser o pagamento com juros ou apenas uma data limite para quitação. Mas lembre-se de registrar qualquer acordo em um documento.
• Procure maneiras alternativas de ganhar dinheiro. Um trabalho extra, feito aos fins de semana, pode fazer a diferença nesse momento.
 
“No fim de 2015 eu dava 5 plantões por semana em um hospital particular. Do dia para a noite, eles começaram a cortar horas dos médicos e atrasar os salários. Minha vida virou de ponta cabeça porque é preocupante você contar com um dinheiro que simplesmente não vem. E pior, continuar trabalhando “de graça”.  Enquanto conversava com minha chefe para conseguir um acordo, encarei a realidade para decidir o que faria. Cortei saídas de fim de semana, chamei minha esposa para conversar e pedi compreensão de toda família, ou seja, os gastos precisariam ser reduzidos drasticamente. Menos gasolina, menos comida no supermercado e zero supérfluos. Além disso, nas minhas horas cortadas, não fiquei parado e fui atrás de plantões em outros hospitais. A correria triplicou, mas pelo menos consegui repor parte do que tinha perdido. Hoje, 5 meses depois, a situação está se estabilizando e, finalmente, comecei a receber normalmente”. conta o médico Renato Dias.
 

E na prática? o que eu faço sem dinheiro?

Afinal, você tem contas para pagar e ficar sem receber o dinheiro do salário ou serviços prestados nunca está nos nossos planos. “Para isso, é preciso lidar com a situação de duas formas. A primeira, emergencial, afinal, você tem que encarar um mês com menos dinheiro, e a segunda, de forma preventiva, sempre economizando para momentos como esse não te pegarem desprevenidos. Nunca é tarde para isso”, explica Vignoli.
 
Descubra o tamanho do problema: ok, você ainda não recebeu seu salário, mas as contas não param de chegar. Então, enxergue o tamanho do problema. Como? Sabendo, exatamente, quanto entrou e quanto vai sair. Com ajuda do Simulador Diagnóstico Financeiro você consegue listar todas as contas que você precisa pagar e quanto de dinheiro você terá para quitá-las. Depois, o segundo passo é cortar.
 
Corte o que for preciso: Por exemplo: depois de incluir todas as suas despesas, você descobriu que tem R$1.200 de contas em aberto. Seu salário, por outro lado, é de R$2.000, mas ele ainda não chegou. Então, é hora de cortar. Veja no Simulador quais gastos são supérfluos: salão de beleza, compras extras, plano de TV a cabo ou celular, restaurantes, cafezinho no fim de tarde… Da para diminuir um pouco a conta do mercado? E da gasolina? Lembre-se que essa é uma saída emergencial e que, em breve, você vai se ajeitar.
 
Use suas reservas: com esse levantamento e cortes feitos, pague as contas fixas com o que tem na conta corrente. Se for necessário, recorra à poupança. Esse é o tipo de caso que você pode, e deve, usá-la.
 
Tente pagar suas contas em dia: evite, ao máximo, atrasar contas. Uma vida organizada financeiramente garante saúde por mais tempo. Então, pague em dia as contas de luz, água, telefone, aluguel, cartão, supermercado, religiosamente. Em casos recorrentes de atraso de salário vai ser um pouco mais difícil encarar a realidade se você tiver dívidas em aberto.
 

Não tem jeito. vou ter que atrasar uma conta

Às vezes, mesmo sabendo o certo a ser feito, em uma situação dessa natureza fica difícil seguir a risca nossas dicas. Se você somou as contas fixas, cortou os supérfluos e, mesmo assim, faltou dinheiro, é hora de avaliar quais os juros e encargos de cada dívida em aberto e escolher as que tem a menor multa. Alguns exemplos:
 
Conta de luz: contas pagas após o vencimento sofrem acréscimo de multa de 2 por cento, juros de 1 por cento e atualização monetária.
 
Conta de água: contas pagas após o vencimento sofrem acréscimo de multa de 2 por cento, juros de 1 por cento e atualização monetária.
Vale lembrar que você pode ter sua energia e água cortadas, mas o correto, segundo o PROCON é que o consumidor receba aviso prévio.
 
Cartão de crédito: atrasar a conta do cartão de crédito é ainda mais perigoso porque os juros chegam a mais de 400 por cento ao ano. Se for necessário, deixe de usar o cartão durante o período, para não correr o risco de acabar atrasando a fatura e se envolver em uma bola de neve difícil de sair.
 
Mensalidades e outras contas: no caso de mensalidades de escolas, faculdades, entre outras contas familiares, o ideal é que você verifique o valor da multa registrada no contrato. Além disso, nesses casos, vale conversar com, por exemplo, a instituição de ensino, para explicar a situação e procurar um acordo. “Nunca deixe o credor sem informação ou satisfação. Isso prejudica muito qualquer negociação, mesmo que futura”, aconselha Vignoli.
 

Vale a pena fazer um empréstimo?

Outra opção para evitar transtornos, como corte de luz e água, é optar por um empréstimo, mas é preciso tomar muito cuidado. ˜Você pode juntar as contas que estão em aberto e quitá-las com um empréstimo de juros mais baixo, como o consignado”, explica Vignoli. Mas, mesmo se optar por essa saída, é preciso tomar decisões muito bem planejadas. “É importante estar organizado e ter certeza que vai poder quitar as parcelas desse empréstimo”, conclui Vignoli.
 

Não passe por isso de novo

Por fim, quando o aperto passar e seu salário finalmente cair na sua conta, organize-se para nunca mais passar por isso!
 
Decida o que fazer com o que sobrou no fim do mês: sabemos que é uma delícia fazer compras, sair para jantar e tomar um cafezinho com os amigos todo dia na hora do almoço, mas será que, fazendo tudo isso, ainda vai sobrar alguma coisa para realizar uma reserva financeira? Lembre-se aqui que, em tempos de crise, para encarar um problema como atraso de salário ou até a perda do emprego o ideal é que você aumente, cada vez mais, sua reserva financeira. Então, estipule um valor que consegue guardar por mês e cumpra essa meta mesmo que, no processo,  tenha que deixar de lado os supérfluos.
 
Não deixe seu dinheiro parado: quando falamos em guardar dinheiro, não é esquecer o montante na conta corrente. O ideal é que você aplique esse dinheiro, nem que seja na poupança. “Assim, você cria o hábito de poupar, separando um valor todo mês”, alerta o especialista. Para decidir onde aplicar seu dinheiro de maneira mais eficiente, assista: Onde investir seu dinheiro em tempos de crise. 
 

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Natália Chagas

Natália Chagas

Jornalista, com especialização em marketing e vasta experiência em revistas e portais de notícia. Foi editora de mídias digitais do grupo GR1 Editora e produziu conteúdo para diversas publicações do Grupo Abril, Editora Globo, Folha de São Paulo, entre outros.

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