43854385

14 agosto 2014

 

Seja feliz gastando pouco!

 

É possível ser feliz gastando pouco!

 

Para muita gente, a felicidade mora em uma casa grande com um carrão na garagem. Já outras acham que ser feliz é ter corpo sarado e juventude prolongada. Também existem os que só sorriem largo ao festejar a carreira bem sucedida e a possibilidade de torrar quanto dinheiro quiser. Mas será que isso, tudo junto ou separado, é felicidade?

 

“A felicidade não é só o nível médio de satisfação que a pessoa obtém durante um longo período, mas também a ausência de sentimentos negativos, como tristeza e raiva”, define a psicóloga Susan Andrews, autora do livro “A ciência de ser feliz” (Editora Ágora).  Traduzindo: de nada adianta ter dinheiro para comprar o que quiser se a empolgação logo passa, num ciclo em que temos necessidade de consumir para nos sentirmos “alegres” e aliviar sentimentos estressantes, para depois ficarmos “para baixo” novamente.

 

Gaste do jeito certo

Dinheiro, então, não traz felicidade, certo? Mais ou menos. O segredo é saber como e onde gastá-lo para transformar o investimento em bem-estar duradouro. E a melhor forma de fazer isso é apostar em experiências, como uma viagem inesquecível, e não necessariamente num celular último modelo. Foi a essa conclusão que chegaram os pesquisadores das universidades de Colorado e Cornell, nos EUA, num estudo intitulado “To Do or Have, that is the question” (Ter ou fazer, essa é a questão).

 

Os entrevistados para a pesquisa tinham que responder a seguinte pergunta: “Que gasto você realizou que lhe deixou mais feliz?”. Mais da metade dos participantes (57%) lembrou-se de uma experiência enquanto apenas 34% dos entrevistados mencionaram compra de produtos. A explicação: a felicidade está ligada a vínculos emocionais e não materiais. Experiências geram memórias que, quando boas, sempre proporcionam sensação de prazer ao serem lembradas. Enfim, embora dinheiro e tranquilidade financeira sejam importantes, são as vivências que valem a pena!

 

A verdadeira satisfação

Um estudo Belga realizado em 2010 vai ainda mais longe na relação entre felicidade e finanças, defendendo que o dinheiro diminui a satisfação encontrada nos simples prazeres da vida. As pessoas se concentram tanto em comprar sua felicidade, que se esquecem de descobri-la em situações mais cotidianas, como um jantar em casa com amigos. “A relação entre felicidade e pequenos prazeres é três vezes maior do que entre felicidade e riqueza”, diz o psicólogo Jordi Quoidbach, responsável pelo estudo. Convencido agora? Então, veja como investir suas finanças do jeito certo para ser feliz:

 

Menu ideal: companhia perfeita!

Há diversos restaurantes bons e com valores que cabem no seu bolso. Pesquise lugares interessantes, como locais regionais ou de outras nacionalidades, por exemplo. Assim, será possível encontrar comidas deliciosas e baratas.

 

Claro, isso não significa que você não possa conhecer um lugar da moda, obviamente, com um preço mais salgado. No entanto, precisará exercitar sua paciência e capacidade de economizar. Estabeleça o período e quanto precisará juntar para, enfim, conhecer o local. Afinal, nem a melhor das refeições vale a indigestão de entrar no especial do cartão. E, como confirmaram os estudos, o mais importante mesmo é reunir amigos e pessoas queridas, aproveitando o momento para criar boas lembranças.

 

Viagem para guardar na memória

Difícil conhecer quem não ame viajar, não é mesmo? Mas, para dar conta das despesas, planejamento é fundamental. Bem antes de colocar o pé na estrada, anote seus possíveis gastos no papel e comece a guardar dinheiro. O ideal mesmo é sempre contar com uma poupança para esta finalidade.

 

Na hora de escolher seu destino, cuidado com as armadilhas. Desconfie de passagens muito baratas ou lugares da moda. O economista do Meu Bolso Feliz, José Vignoli, aconselha: “Esqueça o que as outras pessoas dizem sobre os pontos turísticos que você deve conhecer e defina seu próprio roteiro. E não pense, por exemplo, só em fazer compras. Viajar é uma grande oportunidade de absorver novos costumes, aprender, inspirar-se e relaxar”.

 

Eleito o lugar e já com a estimativa de quanto deverá gastar determinada, o Simulador de Sonhos te ajuda a definir durante quanto tempo precisa poupar para realizar sua viagem.

 

O real valor de um carro

Assim como a maioria dos bens de consumo, para a sociedade atual, ter um carro é sinônimo de sucesso e, dessa forma, felicidade. No entanto, muita gente se esquece do investimento mensal e anual que um automóvel exige. “A pessoa deve ter um carro que caiba no seu bolso. Não adianta comprar o modelo do ano se não há condições de mantê-lo”, aconselha Vignoli.

 

A decisão mais inteligente é comprar um carro apenas se tiver, realmente, necessidade. Se o veículo não lhe trouxer qualidade de vida, conforto e ganho de tempo, por que tê-lo?

 

Na hora de fazer essa opção, leve em consideração seu estilo de vida, rotina e, o mais importante: todas as despesas que entrarão na conta do mês. Além da prestação do veículo, precisará bancar gasolina, seguro, IPVA, manutenção e, muitas vezes, estacionamento. Assim, consegue comprar seu carro de forma consciente – não só pelo status.

 

O preço de ficar na moda

Assim como ter um determinado carro, vestir-se com roupas da moda – em geral de grifes caras – também representa status e identificação com o grupo de pessoas ao qual sonhamos em parecer. E esse desejo por reconhecimento é um dos principais motivos que nos levam às compras por impulso. Afinal, consumimos produtos e serviços que reforçarão em nós a identidade que as pessoas acreditam que devemos ter.  A consequência: gastamos dinheiro, ficamos empolgados por um período curto de tempo e depois voltamos ao sentimento de vazio que motivou a compra. E então começamos tudo de novo.

 

Por sorte, para gastar menos e ser ainda mais feliz, a receita é simples: questione o atual padrão de consumo da sociedade. É mesmo necessário comprar tanto? Em tempos de consumo colaborativo (trocar, emprestar e comprar objetos usados, em vez de adquirir produtos novos), acumular só é bem visto quando se trata de experiências enriquecedoras e bagagem cultural.

 

Lógico, gostamos de estar minimamente apresentáveis e confortáveis. Ninguém será condenado por isso. Mas é possível se vestir bem sem gastar muito. Compre uma peça nova somente se for necessário, opte por modelos que podem ser usados em diversas ocasiões e aproveite promoções e trocas de estação.

 

Paula Aftimus

Paula Aftimus

Jornalista com especialização na State University of New York, editora de publicações e portais do Grupo Abril e especialista em mídias digitais. Passagem acadêmica pelas áreas de Serviço Social e Educação e MBA em Gerenciamento de Projetos pela FGV

Veja também

ciladas-limpar-nome-mbf-spc
Cuidado com as ciladas na hora de limpar seu nome
A situação complicou e seu nome foi negativado. Saiba qual a melhor maneira de sair dessa – sem se enrolar  [...]
quanto-custa-ter-um-filho-economizar
Planeje-se financeiramente para ter um filho
Veja como se organizar para ter um filho sem passar apertos, considerando gastos do nascimento até o término  [...]
evitar-brigas-dinheiro-casamento
Deixe os problemas com dinheiro longe do casamento
Sabia que o principal motivo de discórdia entre um casal é dinheiro? Veja dicas para manter seu relacionamen  [...]