60566056

21 maio 2015

spc-mbf-educacao-financeira-pais-dinheiro-filhos

Aprenda dicas valiosas para ensinar aos pequenos as primeiras noções de educação financeira, importantes para ajudá-los a se tornarem adultos conscientes

Se os adultos têm dificuldade para lidar com dinheiro, imagine, então, as crianças. O quanto antes os pais introduzirem a educação financeira à vida dos filhos, maiores as chances de eles chegarem à vida adulta prontos para cuidarem do próprio bolso. “A independência financeira está ligada à autonomia, à capacidade de se organizarem sozinhos e tomar decisões com responsabilidade”, garante Ana Paula Hornos, economista e coach em finanças.

Pode até parecer uma tarefa simples, mas não é. Tanto é assim que, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de dezembro do ano passado, a proporção de filhos entre 25 e 34 anos que moram com os pais subiu de 21 por cento, em 2004, para 24,5 por  cento, em 2013. “Se o caminho para a organização e a consciência financeira for construído desde cedo, consolidando valores, virtudes e práticas, essa independência acontecerá de forma suave e natural”, garante Ana Paula.

Veja cinco lições que todos os pais devem ensinar aos seus filhos sobre dinheiro, para que os pequenos, quando adultos, sejam pessoas independentes, com uma vida financeira organizada e saudável.

spc-mbf-educacao-financeira-filhos-pais-dinheiro

5 lições sobre dinheiro que seus filhos devem saber 

1) A DIMENSÃO – valores
Depende da idade e da maturidade, mas, em geral, as crianças não têm dimensão do valor do dinheiro. “Não conseguem diferenciar, por exemplo, o tênis de centenas de reais do carro de milhares de reais. É tudo a mesma coisa”, exemplifica José Vignoli, educador financeiro do Portal Meu Bolso Feliz. Os pais devem, portanto, ajudar os pequenos a assimilar essa noção, conversando e explicando à medida que as oportunidades aparecerem. Desmistifique o assunto. Seja franco, por exemplo, quando não for possível comprar algo, e tire as dúvidas com paciência, de forma didática. Uma medida indicada por Altemir Farinhas, especialista em finanças pessoais, é incluir as crianças nas discussões sobre o orçamento familiar. “É bom descobrirem os números, perceberem o porquê das escolhas e encararem a realidade. Claro que vão acabar dando opiniões e ideias. Se questionarem, basta mostrar que não é bem assim e explicar a importância de um gasto específico em detrimento de outro”, explica.

2) A PRÁTICA – semanada e mesada
Os especialistas recomendam, para que a criança comece a ter noção da dimensão do dinheiro, implementar uma semanada, para crianças de 4 a 13 anos, e uma mesada, para aqueles acima dos 13. Alguns acreditam que a idade ideal para começar está entre os 7 e 8 anos, quando estão aprendendo matemática básica e costumam fazer os primeiros pedidos de autonomia, ou seja, começam a querer fazer coisa sozinhos. Antes de dar semanada ou mesada, porém, sente para uma conversa séria sobre o tema. “Não vá direto ao ponto. Construa uma história junto. Pergunte para a criança o que ela gostaria de fazer, se tem desejos de compras, de passeios. Introduza a ideia de que várias dessas coisas demandam dinheiro. Imagine junto como seria gostoso realizar essas vontades. Diga, então, que, a partir dali, começará a receber um dinheirinho só para gastar com o que quiser, à parte do lanche e de outras necessidades, e precisará saber administrar esse dinheiro”, ensina Altemir. O valor varia de acordo com as possibilidades dos pais, mas uma vez definido, deve ser mantido, assim como o dia de “pagamento”. Essa regularidade ajuda na organização da cabeça dos filhos.

3) AS CONDIÇÕES – quando recompensar
A semanada ou a mesada não deve servir para gastos essenciais, como, por exemplo, o lanche. A ideia é que o dinheiro entregue aos pequenos possa ser administrado de acordo com os desejos de compra e passeios de cada um. O pagamento deve estar desvinculado da realização de tarefas domésticas, como arrumar a cama ou lavar a louça, e de prêmios por, digamos, notas altas no colégio ou primeiro lugar na natação. Essas recompensas podem levar a uma associação negativa do dinheiro ao trabalho. Por isso, Ana Paula prega o ensino da gratidão, desde cedo. “A criança desenvolverá a capacidade de estar satisfeita e contente independentemente da situação financeira, o que dá base para o equilíbrio ao lidar com o dinheiro, posses e consumo. É um treino diário de agradecimento às coisas boas que a vida proporciona, presentes na vida de todos, não importa classe social ou renda”, garante.

4) OS LIMITES – sem extras
Por outro lado, a semanada ou a mesada não deve ser complementada. Ou seja, nada de dar mais dinheiro porque o que a criança recebeu acabou rápido demais. Afinal, o objetivo do “pagamento” regular é que as crianças aprendam a se enquadrar naquele “orçamento”. “Não adianta dar mais toda vez que pedirem, não importa o motivo. Se não, você ensina a, quando adultos, entrarem no cheque especial”, argumenta Vignoli. Quando for o caso de compras maiores, incentive a pouparem para atingirem a “meta” e lembre-os que, assim como um salário, precisam ter paciência até receberem a próxima semanada ou mesada. “O saber esperar é o fiel da balança entre ter dívidas ou reservas. É sempre melhor aguardarmos até ter dinheiro para comprar à vista e negociar um preço mais vantajoso. Por outro lado, sem paciência, antecipamos a compra, parcelamos e fazemos dívida. Estudos mostram que crianças que aprendem a ter paciência desde cedo têm maior probabilidade de sucesso profissional”, aponta Ana Paula Hornos.

5) O CAMINHO – exemplos
Os pais têm de segurar seus impulsos protetores. Não adianta interferir ou opinar na gestão do dinheiro logo no começo da semanada ou mesada – ou mesmo a todo momento. É importante que as crianças acertem e errem sozinhas antes de uma conversa. Quando for a ocasião, seja por acabarem com a grana rapidamente ou por não gastarem sequer um centavo, você vai saber. Procure ressaltar o que fizeram de positivo e, diante dos negativos, busque histórias de conhecidos que corrigiram o rumo ou acertaram fazendo de determinada maneira. “E não adianta falar para as crianças que elas devem fazer de um jeito e aí você, no dia a dia, age de outro. É importante que os próprios pais deem o exemplo”, acrescenta Vignoli. Procure, por fim, inspirá-los a seguir o caminho mais saudável para uma vida financeiramente adequada e estável.

Saiba mais

Como educar seu filho financeiramente

9 dicas para educar financeiramente as crianças 

Paula Aftimus

Paula Aftimus

Jornalista com especialização na State University of New York, editora de publicações e portais do Grupo Abril e especialista em mídias digitais. Passagem acadêmica pelas áreas de Serviço Social e Educação e MBA em Gerenciamento de Projetos pela FGV

Veja também

mbf_banners_portal_223x86_01
Como aproveitar seu dia de folga!
Idéias criativas e baratas para relaxar e aproveitar o feriado. Fique atento às sugestões e faça seu dia r  [...]
spc-viajar-passeios-baratos-ferias
Viagens e dicas de diversão baratas para as férias
Veja dicas de como aproveitar as férias sem deixar que a diversão prejudique sua vida financeira!  [...]
meu-bolso-feliz
Descubra a importância de ser um consumidor consciente
O brasileiro já sabe que atitudes cotidianas ligadas ao consumo devem ser tomadas. Agora, é hora de entender  [...]