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12 abril 2017

Não é nada recomendado guardar dinheiro debaixo do colchão. Entenda porque você só perde com essa prática

Juntar dinheiro é uma tarefa difícil. Você precisa saber exatamente o quanto recebe, quanto gasta, fazer contas e sacrifícios para conseguir “salvar” parte do salário – muitas vezes abrindo mão de algumas regalias e diversões e, por fim, decidir o que fazer com essa quantia. E, muita gente, mesmo nos dias atuais, ainda guarda dinheiro dentro de casa.  Por muito tempo, Nanci Salvador, aposentada, administrou e guardou o dinheiro sem intermédio de um banco ou corretora. “Eu não tinha o hábito de ir ao banco, não sei mexer com internet e não confio em ninguém. Por isso, recebia minha aposentadoria e o dinheiro que ganhava com a venda de bolos caseiros e deixava tudo dentro de uma carteira bem escondida no meu armário”, conta.

Mas, conversando com os filhos e netos, a aposentada decidiu parar com esse hábito. “Me convenceram a colocar o dinheiro no banco. Por enquanto está na poupança porque ainda acho que é o local mais seguro para deixar minhas economias protegidas”, conta.

Mas será que Nanci fez bem de tirar o dinheiro de casa ou deveria ter mantido suas economias na segurança do lar? A resposta é simples: ela fez muito bem. Deixar dinheiro em casa não é uma boa opção. “Em casa suas economias não vão render nada, ou seja, vão perder para  a inflação e seu poder de compra vai cair e muito”, explica José Vignoli, educador financeiro do Portal Meu Bolso Feliz. Abaixo, explicamos o que isso quer dizer e listamos mais algumas razões que provam que a prática é uma ideia ruim:

Motivo 1: seu dinheiro não rende e você perde para inflação

Talvez seja difícil para a maioria das pessoas entender como você acaba perdendo dinheiro se deixa a quantia parada em casa, mas é exatamente isso que acontece. A explicação é simples: ao deixar seu dinheiro parado você perde a chance de rentabilizá-lo.

Além de você não fazer seu dinheiro render, você não pode esquecer que a inflação existe. Por exemplo: se você tem R$ 100 todo mês para comprar um cesta básica e o preço da cesta básica aumenta 5% por conta da inflação e agora custa R$ 105 seria ideal que o seu dinheiro fosse corrigido ao menos em 10% para preservar o poder de compra. Certo? Atualmente, a poupança tem um rendimento perto de 8%, ou seja, maior do que o da inflação (que está perto de 5%, segundo dados do IBGE). Nesse caso, o rendimento da aplicação é baixo, mas existe. Agora imagine a comparação da inflação com o rendimento do seu cofre? Para entender melhor, imagine outro exemplo: no último ano (2016) você guardou 500,00 em casa.

No fim de um ano, seu dinheiro, em casa, não terá rendido nada e você ainda terá R$500. O problema é que, com a correção pela inflação vigente o valor seria de R$531,44, ou seja, o seu dinheiro valeria R$31,44 a menos. Por outro lado, se esse dinheiro estivesse guardado na poupança, ao final de um ano, você teria R$541,52.  E vamos além: se esse dinheiro tivesse ficado em um bom fundo de renda fixa ou no Tesouro Selic você teria R$570,09.*

Motivo 2: é perigoso

Você tem certeza que nunca será assaltado? Sua casa é à prova de invasões e roubos, incêndio e chuvas? E essas são apenas algumas das questões que precisam ser levadas em consideração. Agora tente imaginar todos os riscos que você corre ao deixar seu dinheiro em casa. Com certeza as chances do banco quebrar ainda são muito menores do que do seu dinheiro sumir de casa.  E mais: Mesmo se o banco falir, alguns tipos de investimento têm garantia sobre o crédito oferecida pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), entidade mantida pelos próprios bancos que protege os clientes e prevenir crises bancárias.  

E lembre-se de mais alguns detalhes: talvez seu hábito de guardar dinheiro pode atrair pessoas mal-intencionadas. Infelizmente, as pessoas conversam e a informação de que você é avesso a bancos pode chegar aos ouvidos de quem é não deve. “E os riscos não param por ai. Desastres naturais como fogo e enchentes também podem levar seu dinheiro embora”, alerta Marcela  Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil.

Motivo 3: Você tem dificuldade de conseguir crédito e/ou financiamento

Você pode ter medo de deixar o dinheiro no banco porque, em caso de dívidas, ela pode ser debitada da sua conta. Acertamos? “A questão aqui é que nenhum dinheiro pode ser debitado de sua conta, a não ser que você tenha dado autorização”, alerta Marcela. Além disso, com um histórico positivo no banco, ou seja, com investimentos, contas em dia e uma boa movimentação, você teria mais chances de conseguir um crédito para conseguir quitar essa dívida, por exemplo.

E tem mais: se você resolveu comprar uma casa ou um carro e vai precisar financiar parte do valor. Será que, sem histórico de investimentos e movimentações, esse financiamento não fica mais difícil? “Guardando dinheiro no banco, se tem algum financiamento e um bom relacionamento com a instituição, fica mais fácil provar que você é um bom pagador”, explica Marcela.

Motivo 4: é muito mais difícil ter controle dos gastos

Se você guarda dinheiro em casa, provavelmente não tem cartão de débito, cartão de crédito e tem menos noção do quanto tem, do quanto gastou e do quanto precisa economizar. Além disso, é mais difícil ter controle do que você gasta. “Com dinheiro na mão você está mais sujeito a gastos não planejados e cair em tentação é sempre mais fácil”, explica Marcela. Por isso, o ideal é colocar o valor no banco e seguir nossas dicas de planejamento.

Motivo 5: a situação do Brasil, hoje em dia, é outra

Muita gente passou pelo trauma de ter seu dinheiro confiscado pelo Governo no início da década de 90 quando, durante o Plano Collor. Foram retirados das contas pessoais os depósitos e investimentos com mais de 50 mil cruzados novos (moeda brasileira na época) durante 18 meses com correções monetárias muito aquém da inflação. O plano, que foi um fracasso generalizado e levou o país a uma recessão severa, mudou o rumo de muitas famílias que tinham seu dinheiro guardado. “Mas o que é preciso entender é que, atualmente, a situação é completamente diferente e muito dificilmente algo desse tipo aconteceria de novo”, alerta Marcela. E um dos motivos é simples: a constituição mudou. Houve uma mudança na constituição que veda um novo confisco. A Emenda Constitucional nº32/2001, modificou o artigo 62 da Constituição Federal. Ela proíbe que o governo faça uma medida provisória “que vise a detenção ou sequestro de bens, de poupança popular ou qualquer outro ativo financeiro”. Além disso naquela época planos mirabolantes como este tinham mais espaço porque vivíamos uma inflação galopante, da ordem de 1000% ao ano. Planos como este dificilmente teriam espaço após a estabilização monetária em 1994.

E AGORA, O QUE EU FAÇO?

Se convenceu de que é uma boa ideia ter o dinheiro guardado no banco e não sabe por onde começar? Fique tranquilo. Procure um banco ou corretora, diga que quer fazer uma reserva financeira e avalie as opções que você tem. “O Tesouro Selic, por exemplo, é uma boa opção de investimento para quem precisa ter fácil acesso ao investimento”, aconselha Marcela. Outra boa opção, para quem não quer se arriscar de forma alguma, é começar aplicando o dinheiro na poupança. Agora, para saber tudo sobre investimento, acesse a matéria completa que fala sobre o tema.

GUARDE PARA EMERGÊNCIAS!

Ok, já demos algumas provas de que armazenar todo seu dinheiro em casa é uma má ideia, mas, por outro lado, guardar uma pequena quantia é uma boa sacada. “Se você precisa de um dinheiro rápido, para pequenas emergências como a compra de um remédio, por exemplo, é sempre bom ter um dinheiro na mão”, exemplifica Marcela.

*Para todos os casos os valores usados foram baseados em 01/2016 e 12/2016.

Natália Chagas

Natália Chagas

Jornalista, com especialização em marketing e vasta experiência em revistas e portais de notícia. Foi editora de mídias digitais do grupo GR1 Editora e produziu conteúdo para diversas publicações do Grupo Abril, Editora Globo, Folha de São Paulo, entre outros.

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