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23 outubro 2014

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Adquirir bens sem precisar comprá-los é uma prática que ganha cada vez mais fãs. Afinal, quem não quer ter coisas bacanas sem colocar a mão no bolso?

A proposta é simples: trocar, emprestar e comprar objetos usados, em vez de adquirir produtos novos. O que isso quer dizer? Que aquele brinquedo que seu filho não gosta mais pode fazer outra criança muito feliz e que as roupas de um bazar de trocas talvez sejam justamente o que o seu guarda-roupa estava precisando. Basicamente, é a prática de adquirir novos bens gastando pouco ou sem gastar nenhum tostão – e ainda contribuir para que outros (e o meio ambiente) também saiam ganhando.

DE ONDE SURGIU A IDEIA

O hábito de trocar e compartilhar ganhou força nos Estados Unidos, no final de 2008, durante a crise americana. Mas a ideia está longe de ser nova. Antigamente, a prática de trocar favores e “coisas” – alimentos, por exemplo, – era muito comum, o chamado escambo. Hoje, a tendência se intensificou por causa do novo estilo de vida que as famílias atuais estão adotando. “As pessoas têm mudado o padrão porque estão mais preocupadas com o bem-estar e qualidade de vida e acabam questionando as tendências de consumo atuais”, explica o professor de Ciências do Consumo da ESPM-RJ, Eduardo França.

Por isso, atualmente é comum ver pessoas procurando alternativas para continuar consumindo, mas de maneira mais consciente. “No meu trabalho nós praticamos o escambo de 3 em 3 meses. Todas as mulheres do escritório fazem uma limpa geral no armário e marcamos um dia para trocar roupas, sapatos, acessórios e, claro, dar muitas risadas. Nessa brincadeira, chego a economizar uma média de R$300 que eu gastaria no shopping”, conta Gizele Agozzino, designer.

“Hoje em dia o impacto que o consumo causa no meio ambiente preocupa, assim como os altos valores pagos por tudo que compramos. E é assim que surge a necessidade de dividir espaços, experiências e compartilhar coisas”, explica Eduardo. Um bom exemplo que ilustra essa tendência é o site House Carers, que coloca em contato pessoas que adoram viajar e não gostam da ideia de pagar uma fortuna pela hospedagem. Quer um exemplo prático? Imagine que você quer ir para Nova York. Agora pense em um morador de Nova York que está em busca de alguém para cuidar da sua casa justamente no período em que você deseja ir para a cidade. Nessa plataforma colaborativa, isso é possível.

 

ECONOMIA NO DIA A DIA

Além das iniciativas e sites de compartilhamento de itens, o consumo colaborativo também serve para aliviar os gastos fixos do dia a dia. “Como moradia em São Paulo costuma ser um custo alto, resolvi juntar os amigos e alugar uma casa maior. Nela, temos empregada todo dia, TV de qualidade, internet, piscina e, claro, uma convivência ótima. Atualmente gastamos R$1.300 cada. Para ter o mesmo padrão de vida, sozinho, teria que desembolsar no mínimo R$4.000. Para completar, economizo nas saídas porque os amigos estão sempre em casa”, conta o empresário Murilo Lozano.

Outra alternativa que virou tendência para empresários são os escritórios compartilhados. Chamados de coworkings, a proposta desses lugares é oferecer aluguel de mesas de trabalho ou salas para profissionais de áreas e ocupações variadas. “No coworking,toda a infraestrutura de um escritório é compartilhada. Isso vai desde os produtos de limpeza e impressões ao uso mais consciente do espaço urbano. Quando aumentamos a produtividade por metro quadrado do espaço, economizamos energia elétrica, água, suprimentos. Fora isso, os coworkers compartilham ideias e experiências”, explica Danilo Salgueiro, sócio do Lab 48 coworking, em São Paulo.

 

A INTERNET: UMA GRANDE AMIGA

Engana-se quem pensa que o consumo colaborativo é comum apenas entre amigos. Atualmente, as transações estão concentradas na internet. Sites e redes sociais juntam pessoas querendo trocar – ou vender – o que já não usam mais. “Eu tinha um par de chuteiras novinhas que não me serviam, mas queria que elas fossem para alguém que realmente as usaria. Anunciei num grupo no Facebook pedindo em troca “um sorriso”. O resultado? Elas foram para um menino louco por futebol e eu ainda ganhei uma amiga: a tia dele que respondeu ao anúncio”, lembra a engenheira Bruna Laudario. Ou seja, além de um bom negócio, o universo do consumo colaborativo é também mais humano – e pode expandir para além da internet.

 

CONSUMO COLABORATIVO NA PRÁTICA

Veja alguns sites em que é possível praticar o consumo colaborativo e comece você também a economizar de forma sustentável!

– No DescolaAí você cadastra itens e pode “descolar”outros.

– O Clube do Brinquedo aluga brinquedos e acessórios para bebês e crianças. O processo de locação é feito pelo site e, depois de trinta dias, o usuário troca o item ou simplesmente devolve. Assim como o Clube do Brinquedo, o Joanninha também aluga brinquedos.

– O Livra Livro é uma comunidade de troca de livros e disponibiliza gêneros variados.

– O Café Brechó é um blog que organiza quem quer vender ou comprar roupas e acessórios usados.

– O Tomaládacá  é um site onde você cadastra itens para troca, de aparelhos de celular a instrumentos musicais, tem de tudo.

 

SAIBA MAIS:

UOL Tab – Inimigo Invisível 

Consumo Colaborativo: uma boa ideia  

Natália Chagas

Natália Chagas

Jornalista, com especialização em marketing e vasta experiência em revistas e portais de notícia. Foi editora de mídias digitais do grupo GR1 Editora e produziu conteúdo para diversas publicações do Grupo Abril, Editora Globo, Folha de São Paulo, entre outros.

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