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09 agosto 2017
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Fazer trocas, adquirir produtos que você precisa sem gastar e até ganhar dinheiro. A tendência veio para ficar! Entenda.

Você já deve ter visto no Facebook um amigo seu divulgando algo em bom estado como, por exemplo, um celular, e se colocando à disposição para possíveis trocas, remuneradas ou não: isso é um dos vários exemplos de consumo colaborativo. A ideia é trocar, emprestar, alugar  ou vender objetos em bom estado. Nessa proposta, você deixa de lado o consumo “tradicional” de ir à loja gastar dinheiro e entra na onda do consumo colaborativo. Flavia Ramos, publicitária de 30 anos, já aderiu à mudança há anos. “A ideia precisa ser absorvida no dia a dia da gente”, conta. Para entender melhor, é só pensar na rotina das pessoas: Algumas optam por emprestar ou alugar suas residências quando estão fora, alugar seus veículos, dar carona ou alugar seus objetos, quando estes estão sem uso. Por outro lado, outras pessoas estão dispostas a utilizar esses serviços/produtos quando precisam, ao invés de os comprar. Isto pode ser feito entre conhecidos ou por meio de sites e aplicativos específicos.  E, no geral, as pessoas aprovam essas práticas. Segundo pesquisa realizada pelo SPC Brasil em parceria com a CNDL, 79% dos entrevistados concordam que o consumo colaborativo torna a vida mais fácil e funcional. Para 47% deles, a principal vantagem da prática é a economia de dinheiro, enquanto 46% acreditam que a economia colaborativa é ótima para se evitar desperdícios.

Para Manuela Marcondes, o consumo colaborativo entrou em sua vida quando ficou grávida. “Eu comecei a pesquisar tudo que precisaria comprar para meu filho e me desesperei. Tudo parece essencial e tudo é extremamente caro. Neste momento, acionei minhas amigas que tinham filhos e começamos a conversar”, conta. Há 7 meses, quando Pietro nasceu, o quartinho do bebê estava montado com itens lindos, novinhos e quase todos usados. A contrapartida é simples: a cada mês o Pietro “perde” alguma roupinha ou brinquedinho e tudo é passado para frente. Simples, barato e colaborativo.

E se você gostou da ideia, fique de olho e entenda tudo sobre essa mudança que veio para ficar!

A ideia é nova?

Não. O conceito de doar e vender produtos, serviços e experiências é um hábito colaborativo bem antigo. É só pensar nos albergues que existem há muito tempo e, até, o escambo (prática de trocar produtos).  Mas foi a partir de 2008, nos Estados Unidos,  que a tendência começou a se espalhar. “Até outro dia era inadmissível você viajar e ficar na casa de um estranho, não é verdade? Hoje já existem sites que oferecem um quarto em cidades diferentes. O mais famoso, claro, é o AirBNB, mas a ideia de ficar na casa de alguém já é muito mais natural para as pessoas”, conta Flavia. Para Manuela, outra ideia colaborativa que ajudou muito no orçamento foi o Uber Pool. “Eu não tenho carro e só ando de metrô e ônibus. Na hora de ir ao médico com o Pietro, por exemplo, uso o Uber Pool, serviço compartilhado do Uber, que é bem mais barato que o serviço comum”. E esses são apenas dois exemplos de economia colaborativa.  

Mas onde posso encontrar e usar a economia colaborativa?

Em quase tudo! Segundo a pesquisa, as modalidades mais conhecidas e já utilizadas de consumo colaborativo são o aluguel de casas e apartamentos para temporada direto com o proprietário (40%), as caronas para locais de trabalho, faculdade ou viagens (39%) e o aluguel de roupas (31%). Entre as mais utilizadas ou propensas a utilização estão as caronas (82%), o aluguel de casas e apartamentos (81%), o aluguel de bicicletas (77%), compartilhamento de locais de trabalho (72%) e o aluguel de roupas (72%). Se você quer entrar na onda colaborativa, algumas ideias que podem dar certo:

  • Organize um escambo de roupas com as colegas de trabalho.
  • Ofereça sua casa para alguém de fora e se hospedar na casa de alguém que mora em outro lugar.
  • Deixe seu animalzinho de estimação com alguém enquanto viaja em troca dessa pessoa deixar o dela com você quando fizer o mesmo.
  • More com mais gente: “Além de sempre ficar antenada em iniciativas bacanas, há 6 meses fui morar com mais 2 amigas. A qualidade do local e as regalias que temos são imensas, afinal, dividimos tudo em três”, conta Flavia.  

Em outras palavras, tudo que facilita o compartilhamento e a troca de serviços, experiências e objetos pode ser considerado colaborativo.

Troque experiências e coisas que ainda são suas!

Para Manuela, as amigas continuam fazendo parte de todas as ideias colaborativas para redução de custos. “A gente até se diverte. Trocamos roupas, sapatos, cada semana estou com várias peças de roupa diferentes, é uma delícia”, conta. Além disso, Manuela agrega experiências e está até ganhando dinheiro com isso. “Há 1 mês, uma das meninas teve uma ideia genial de vender brigadeiros. Ela, que gosta de cozinhar, faz os brigadeiros, eu faço as caixinhas personalizadas porque amo trabalhos manuais e nossa amiga com mais tino comercial sai para vendê-los. Isso prova que até nossas aptidões podem entrar na onda”, conta.  Então, inspire-se nessa história, afinal, consumo colaborativo é isso: você consome experiências e produtos e também disponibiliza o que tem e o que sabe.

E o que faço para começar?

Para começar a entrar na moda da economia colaborativa é só ter uma ideia ou um interesse. Para te ajudar, chame os amigos e navegue na internet porque o consumo colaborativo não fica só entre pessoas próximas.  Sites e redes sociais juntam pessoas querendo trocar – ou vender – o que já não usam mais.  Ou seja: se você quer vender algo, se precisa de algo ou se quer unir forças com pessoas que tenham os mesmos interesses, comece a pesquisar e a listar ideias. Abaixo, algumas ótimas iniciativas para você se inspirar:

Enjoei: sim, esse site é famoso e colaborativo. A ideia é que você compre coisas em bom estado por preços menores e, se quiser, abrir uma lojinha online para vender as suas.

Couch Surfing: esse site parece o AirBNB. A ideia é que você ofereça um cantinho para pessoas de fora e, em troca, sempre tenha um cantinho para ficar.

Descola Ai: o nome já diz tudo. Nesse site você “descola” coisas úteis para você. Como? Pesquisando os produtos, serviços e  experiências que as pessoas estão colocando à disposição no site. Entre elas: troca de livros, venda de objetos e até de serviços como aulas de dança e fotografia.

RetrocaNesse site você pode vender as roupinhas infantis que não servem mais no seu filho. Além disso, você pode encontrar novas opções em ótimo estado para comprar.

Waze: Pois é. Um dos apps mais famosos da atualidade é colaborativo. Isso porque os caminhos, muitas vezes salvadores quando te tiram do trânsito, são elaborados através de notícias e alertas dados pelos próprios usuários.
www.airbnb.com.br – No AirBNB você encontra uma casa, um apartamento ou um quarto onde quiser.

www.doghero.com.br – A plataforma liga pessoas que tem cachorro em casa a um anfitrião que hospedará seu pet com segurança na residência dele.

www.blablacar.com.br – A plataforma de compartilhamento de viagem acessível tem como objetivo aproximar condutores que viajam para um determinado destino a passageiros com trajetos parecidos.

www.dressandgo.com.brO site aluga vestidos de festa. É só escolher entre as opções e alugar por uma determinada data.  

Como se proteger

Ok, você entendeu o quanto o consumo colaborativo é uma boa ideia, mas ainda tem medo de adotar a prática? Fique tranquilo porque você não é o único. Para 47% dos entrevistados, a principal barreira para o consumo colaborativo é a falta de confiança nas pessoas enquanto 41% consideram que o maior problema é lidar diretamente com estranhos e para 37% a falta de garantias no descumprimento do acordo. Então, para experimentar e se sentir seguro ao mesmo tempo, siga alguns passos simples que, no geral, são bem parecidos com qualquer compra online:

  • Se for fazer algo através de um site, pesquise sobre ele. Cheque se outras pessoas já usaram e como são as avaliações.
  • Se for fazer algum negócio com uma pessoa física como, por exemplo, a troca de algum produto, marque o encontro em um lugar público. E, antes disso, peça provas e garantias de que o produto é original e está em bom estado. Por exemplo: fotos do produto e a nota fiscal do mesmo.
  • Redobre a atenção se for usar o consumo colaborativo para hospedagem: pesquise a região, converse com pessoas que já ficaram no local e sempre peça um contrato explicando exatamente as condições do acordo.
  • Se for receber alguém em casa, o ideal é que você converse com outras pessoas que já passaram por essa experiência e conheça seu hóspede. A situação fica um pouco mais tranquila quando você tem um apartamento pronto para esse tipo de situação, ou seja, sem objetos de valor, por exemplo. Caso não seja, o mais prudente é que o local esteja pronto para receber hóspedes, ou seja, sem objetos de valor por perto.
  • Nunca tenha vergonha em perguntar, tirar dúvidas e pedir “provas” como fotos do produto, nota fiscal, entre outros, de que o negócio é exatamente aquele que está sendo combinado.

Ser colaborativo é ser verde

Por fim, além de economizar, entrar na onda da economia colaborativa também é um movimento de nova percepção do mundo. Segundo o Sebrae, a economia colaborativa representa o entendimento de que, diante de problemas sociais e ambientais que se agravam cada vez mais, a divisão deve necessariamente substituir o acúmulo. Em outras palavras: é uma maneira de mudar a forma em que vivemos, estimulando o desapego, consumindo menos e mudando a forma de lidarmos com as outras pessoas.  Afinal, ajudar os outros e ser ajudado é sempre uma ótima ideia

Saiba mais em: Consumo colaborativo: um jeito novo de investir

 

 

Natália Chagas

Natália Chagas

Jornalista, com especialização em marketing e vasta experiência em revistas e portais de notícia. Foi editora de mídias digitais do grupo GR1 Editora e produziu conteúdo para diversas publicações do Grupo Abril, Editora Globo, Folha de São Paulo, entre outros.

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