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10 maio 2016
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Está pensando em estudar fora do país e, quem sabe, até trabalhar no exterior? Veja como se programar financeiramente para realizar este sonho

A crise econômica do país pede cautela nos gastos, com especialistas recomendando poupar dinheiro e ficar bem longe de dívidas a longo prazo. Ao mesmo tempo, com o alto desemprego, é preciso investir para se destacar no mercado de trabalho – ou mesmo expandir fronteiras e buscar oportunidades fora do Brasil. E agora? Como se comprometer com um investimento alto tal como o necessário para fazer intercâmbio sem deixar que a experiência abale suas finanças ou mesmo reserva para o futuro?

“É possível investir em sonhos, mesmo na crise. A diferença neste cenário desafiador é o nível de disciplina e comprometimento necessário para juntar o dinheiro que bancará o intercâmbio”, diz Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil. Ou seja, pode ser que você precise de um pouco mais de tempo até juntar o valor necessário e certamente deverá ter um bom plano de investimento. “Além disso, considerando esse tipo de experiência, é preciso também pensar em uma reserva para o retorno, afinal, o intercâmbio não necessariamente garante um emprego melhor na volta”, complementa a economista.

Abaixo, mostramos como organizar as finanças para conseguir fazer um intercâmbio e o que considerar antes de escolher um programa.

O que é intercâmbio e como funciona?

No dicionário, a palavra “intercâmbio” vem descrita como: troca, permuta; relações de comércio ou culturais, entre nações. E na prática é exatamente isso. Uma troca entre nações. Você viaja para um outro país, conhece uma outra cultura e também leva um pouco da cultura brasileira para este lugar. Além disso, a experiência permite que você aprenda ou aperfeiçoe outro idioma, faça um curso em um colégio ou faculdade com matérias e estrutura diferentes das instituições brasileiras e tenha a experiência de viver em outro país. “Cada vez menos pessoas buscam o intercâmbio pela língua. Hoje o que as pessoas procuram é especialmente experiência de vida, estar em um país desconhecido, a autonomia de estar longe de amigos e familiares e o crescimento pessoal que este desafio proporciona, a possibilidade de conviver com outras culturas”, diz Maria Claudia Martins, diretora da Bridges Intercâmbio.

Existem diversos tipos de intercâmbio, dependendo do tempo que você pretende ficar no país, do curso escolhido e do tipo de experiência que busca. Quem está em período escolar, por exemplo, pode passar de seis meses a um ano estudando em um colégio estrangeiro, morando com uma família local; quem trabalha e não quer deixar o emprego, por sua vez, pode passar um mês aprendendo ou aperfeiçoando um novo idioma em um curso para estrangeiros no país escolhido, vivendo em um dormitório em uma faculdade. Veja abaixo as principais modalidades de intercâmbio:
1.Curso de idioma
Dura de um a três meses e o estudante pode escolher se prefere ficar em casa de família ou em um dormitório em uma universidade.
2. Au pair
Dura um ano e inclui hospedagem e refeições. No programa, a participante – só são aceitas mulheres entre 18 e 26 anos, solteiras e sem filhos – trabalha como babá, com remuneração, e pode também fazer um curso do idioma local.
3. Ensino médio
O estudante pode passar de seis meses a um ano cursando matérias do ensino médio em um colégio público ou privado do país escolhido, vivendo na casa de uma família local.
4. Universidade
Para quem busca cursos de Graduação, Pós-Graduação ou Extensão fora do país. Pode ser para um semestre até todo o curso. O estudante pode alugar um apartamento na cidade ou morar em dormitório na própria universidade.
5. Curso profissionalizante
Para quem busca aperfeiçoamento em sua área de atuação. Dura de três meses a dois anos e vive-se em casa de família, hotel ou residência estudantil, dentro ou fora da universidade.
6. Trabalhar e estudar
Este tipo de programa dura de seis meses a um ano. A pessoa estuda uma língua e pode trabalhar meio período. Vive-se em casa de família ou em residência estudantil, dentro ou fora da universidade.
 

Como escolher o melhor programa de intercâmbio?

O principal é ter claras as suas expectativas e quanto tempo tem para ficar fora do país. “Há quem busque aventura, viver uma experiência fora. Outras pessoas querem um diploma internacional. Há ainda os que pretendem se mudar futuramente para aquele país”, diz Maria Claudia. Ou seja, pergunte-se o que você quer do intercâmbio.
 
Quem pretende se mudar para o país, por exemplo, talvez deva optar por um curso que permita ao estrangeiro trabalhar meio-período. Ou então investir em uma especialização que trará networking. “Meu conselho sempre é que se a pessoa já fala bem a língua, então não vá fazer um curso de idioma, busque algo mais”, diz a especialista. Depois, claro, considere o tempo. Quem tem apenas um mês de férias para fazer o intercâmbio não pode optar pelas experiências de longa duração!
 

Como se organizar financeiramente?

“Sempre que for pesquisar valores de um intercâmbio, fique atento a tudo que está fora do pacote”, diz Maria Claudia. Por exemplo, de que vale conseguir o dinheiro para bancar a viagem se não conseguir o visto? Aliás, quanto custa o visto para o país da sua escolha? “Muita gente quer ir para a Austrália, porque lá pode-se trabalhar. Mas a Austrália exige que o viajante demonstre determinado valor em conta, como premissa para a obtenção do visto. Aí a pessoa fecha o pacote, mas depois não consegue o visto. Por isso um planejamento a longo prazo é tão importante. Planejamento e conhecimento sobre o país para o qual pretende ir”, diz a diretora da Bridges Intercâmbio.
 
Para ajudar neste planejamento, a internet é sua primeira aliada. Sites como o Descubra o Mundo – Intercâmbio ou o Estudar Fora, da Fundação Estudar, trazem desde de dicas sobre os países, passando por passo a passo de como conseguir visto e documentação até depoimentos de quem fez intercâmbio. Depois, claro, converse com amigos e conhecidos que viveram experiência similar a que deseja para você. Por fim, com uma base do que procura, pesquise em agências, tirando dúvidas e levantando valores.
 
Além dos gastos que antecedem a viagem, considere também o que será gasto durante e depois da experiência. “As pessoas devem colocar tudo no papel, lembrar que viverão naquele país, ou seja, terão gastos do dia a dia, com mercado, transporte, etc. Não é apenas a passagem e o pacote. E que depois ainda deverão ter dinheiro para se manter no país ao voltarem, no caso daqueles que optaram por cursos mais longos e deixaram seu emprego”, diz Marcela. No site Expatistan, você consegue comparar o custo de vida na sua cidade com a de outros locais no mundo. A plataforma também fornece uma média de quanto dinheiro você precisa para viver naquela região.
 

O melhor jeito de economizar

Para poupar para o seu sonho, não tem jeito: é preciso estimar mais ou menos o quanto vai precisar (considerando tudo o que foi dito acima), avaliar quanto consegue poupar por mês e aí descobrir quanto tempo demorará para juntar a grana. “Tratando-se de um a dois anos de investimento o CDB (Certificado de Depósito Bancário) e o Tesouro Direto são boas recomendações. Mas você deve deixar também uma parte das suas economias em um investimento de fácil acesso, como a poupança, para que o dinheiro possa ficar por prazos curtos para ir comprando câmbio ao longo do tempo e tentar fazer um valor médio interessante. Independentemente do escolhido, no entanto, é preciso disciplina para todo mês fazer seu depósito, pensando neste sonho”, diz a economista.
 

5 dicas que barateiam o intercâmbio
1 – Pesquise, pesquise, pesquise!

Desde a agência com o melhor custo benefício, à promoções de passagens, passando por entrar em contato com quem já passou pela experiência no país de sua escolha e que já usou o serviço da empresa que você escolheu. Toda forma que tiver de descobrir maneiras de economizar e aproveitar melhor seu intercâmbio valem o investimento do seu tempo!
 

2 – Compre moeda estrangeira no Brasil

“Quem decidiu viajar para fora deve olhar o câmbio da moeda do país escolhido todo dia. Sempre que baixar, compre um pouquinho”, aconselha Marcela. Isso porque nem você nem os economistas sabem quanto custará a moeda daqui um ano. Se subir demais, você estará com uma reserva comprada a um bom valor.
 

3 – Faça amigos

Comece amizades com estrangeiros que já vivem no país de sua escolha ou mesmo com locais. Geralmente o próprio colégio ou universidade escolhida, seja para o curso de idiomas, colegial, superior ou técnico, fornece o contato de pessoas dispostas a ajudar os recém-chegados. Fazendo amizade, pode-se dividir moradia, transporte e, claro, experiências.
 

4 – Prepare-se para possíveis gastos extras

Se você está indo ficar um ano num país com inverno rigoroso, sabe que inevitavelmente precisará de um bom agasalho, não? Pois pense nesses detalhes com antecedência, evitando gastar mais por algo que só usará algumas vezes. Uma boa dica para economizar é pedir tais peças emprestadas ou então buscá-las em brechós, por preços bem baratos.
 

5 – Procure uma bolsa de estudos

Procure uma instituição que incentive o intercâmbio, oferecendo bolsas de estudos para candidatos que passarem no processo seletivo. Veja estes exemplos:

  • Rotary Club: Oferece a jovens de 15 a 19 anos a chance de passarem até um ano como estudantes internacionais recebidos pelos Rotary Clubs do país escolhido. Paga-se apenas a passagem, seguro viagem, documentos e despesas gerais.
  • Universidades: para quem já é aluno de uma faculdade, o intercâmbio pode ser facilitado e parcialmente custeado pela própria instituição, devido a convênios que universidades brasileiras possuem com escolas estrangeiras. Informe-se na sua faculdade!

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Paula Aftimus

Paula Aftimus

Jornalista com especialização na State University of New York, editora de publicações e portais do Grupo Abril e especialista em mídias digitais. Passagem acadêmica pelas áreas de Serviço Social e Educação e MBA em Gerenciamento de Projetos pela FGV

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