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08 outubro 2015
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Veja como casais devem lidar com as finanças para que, juntos, tenham o orçamento em dia, poupem e realizem sonhos

Exatamente como qualquer outro aspecto de uma relação, cuidar das finanças do casal exige diálogo, paciência e respeito mútuo. “Muita gente economiza para realizar grandes sonhos como se casar ou comprar um imóvel. Mas, depois disso, se esquece de manter o hábito de dialogar – e de poupar. É preciso ter objetivos em comum e conversar sobre eles, sempre”, alerta Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil. Segundo levantamento feito pelo SPC Brasil e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), para 53 por cento dos entrevistados, seus companheiros não são rigorosos para cumprir o planejamento financeiro e 23 por cento relatam brigas e discussões quando os gastos extrapolam o orçamento.

Outro ponto que pode comprometer as finanças em casa é o excesso de mimos – sem ter renda para tanto. De acordo com a mesma pesquisa, para satisfazer as vontades do parceiro, um terço dos internautas gasta mais do que pode. As principais razões são gostar de agradar, mesmo que seja necessário fazer dívidas (11 por cento), não conseguir ver o parceiro frustrado ou triste (9 por cento), ter dificuldades para dizer não (6 por cento) e não resistir à pressão do parceiro para comprar presentes (4 por cento). “Quando um gasta mais do que o outro é preciso, antes de mais nada, identificar por que isso está acontecendo. Depois, trabalhar em conjunto para que ambos entendam que amor não se mede pela quantidade de presentes. Afinal, não adianta pedir que o parceiro não gaste com mimos e se mostrar chateada caso ele compre algo mais barato do que de costume”, diz a psicóloga Olga Tessari.

Veja abaixo dicas de como casais devem lidar com as finanças para que, juntos, fechem as contas no azul, poupem e realizem sonhos.

Seja transparente

O melhor caminho para organizar as finanças em casa é ser transparente e tratar de forma natural o assunto dinheiro. “O casal precisa parar para conversar sobre as suas finanças. Uma relação franca pode revelar que o verdadeiro problema não é a falta de amor, mas sim a forma com que administram o dinheiro. Saber qual é a renda da casa e quais são os interesses e gastos de cada um é fundamental para o sucesso financeiro e do relacionamento”, explica José Vignoli, educador financeiro do Portal Meu Bolso Feliz. Com o compartilhamento de planos e conversas diárias ou frequentes, evita-se surpresas desagradáveis e que resultam em brigas, como gastos sem planejamento ou exagerados e empréstimos bancários que desequilibrarão as finanças e poderão resultar em “nome sujo”. Resumindo: não espere a coisa apertar para falar de dinheiro, traga o tema de forma natural para dentro de casa.

Organizem juntos o orçamento

“O ideal é que o planejamento financeiro seja estabelecido e executado conjuntamente, de forma clara e honesta entre ambas as partes. Os problemas econômicos podem atrapalhar a convivência e tornar a vida familiar menos harmônica”, afirma Marcela. Assim, procure encontrar aquele ponto de equilíbrio financeiro que tornará a vida da família mais tranquila e não mais difícil. Uma dica para iniciar essa organização – e diálogo – é disciplina para expor, em uma planilha ou outro tipo de controle, o quanto cada um ganha e o quanto gasta. Em especial, o quanto cada um deve! Converse honestamente sobre cada ponto, sem omitir gastos, dívidas e investimentos ou dinheiro que se tem guardado – mesmo que tenha começado essa poupança ainda durante sua solteirice. Lembre-se também de incluir nesse controle os gastos gerais da família, como com aluguel, mercado e em especial compras que extrapolam o orçamento. Só organizados e conscientes de suas finanças poderão traçar planos.

Tracem planos em comum

No instante em que resolveu se comprometer com alguém, tomar decisões sozinho, gastar sem pensar nas consequências e pagar contas sem planejamento, ficaram fora de cogitação. Uma relação madura é feita de acordos e isso também inclui determinar regras financeiras, como onde investir as economias do casal, quanto cada um pode gastar com si próprio, além das contas compartilhadas. Estabeleça metas para que ambos cumpram, mesmo que um contribua menos do que o outro. Afinal, em uma relação equilibrada não é a diferença de renda que fará um ser mais ou menos importante no relacionamento. Decida junto com o outro os objetivos financeiros do casal. Uma viagem, uma reserva para a faculdade dos filhos, reformar a casa, não importa. “Os dois podem abrir uma poupança juntos, combinar o valor que cada um tem condições de depositar, e, dessa forma, ter controle do dinheiro de forma igual. Isso traz comprometimento e responsabilidade”, recomenda Marcela. “Casais que não planejam pensando no futuro ou exageram nos sonhos podem até saber o que querem, mas não têm estratégia, não reveem seus objetivos e acabam falhando — muitas vezes sem perceber por que”, alerta Vignoli.

Respeite as diferenças

Separe do orçamento uma quantia para que cada um possa fazer seus gastos individuais, mensalmente, sem a interferência do outro – mesmo que só um tenha renda fixa. Isso ajuda até na manutenção da autoestima, uma vez que cada um vai se sentir responsável em fazer bom uso deste dinheiro. “Geralmente, os parceiros não pensam que o que é supérfluo para um pode não ser para o outro. E aí subestimar um desejo do companheiro pode gerar brigas”, ressalta a psicóloga. Saber entender o que é importante para o outro, no entanto, não significa ser passivo. A real situação financeira do casal deve ser sempre exposta e, com diálogo, decidir o que será prioridade (onde economizar para poder gastar em pequenos mimos, por exemplo) vira uma conversa tranquila.

Saiba quando elogiar e quando se posicionar

Durante momentos de adversidade, procure entender o lado do outro e saiba ceder se necessário. Caso os gastos estejam muito acima do que a renda familiar permite, não tenha receio de confrontar o companheiro ou companheira sobre o que está te tirando o sono. “A melhor maneira de discutir sobre dinheiro é sendo claro, direto e transparente”, avisa Olga. Nesta conversa, tenha também sugestões de melhorias, evitando apenas apontar problemas. Só “bater boca” não resolve a questão de um endividamento. Coloquem as contas na mesa e investiguem o que causou o problema. Da mesma forma, determinem como sanar a vazão de dinheiro da conta bancária. “Na verdade, mesmo quando tudo estiver bem, é muito saudável agir desta forma pelo menos uma vez por mês”, finaliza Vignoli. Assim, conseguirão notar facilmente quando e onde perderam a mão nos gastos.

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Paula Aftimus

Paula Aftimus

Jornalista com especialização na State University of New York, editora de publicações e portais do Grupo Abril e especialista em mídias digitais. Passagem acadêmica pelas áreas de Serviço Social e Educação e MBA em Gerenciamento de Projetos pela FGV

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