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20 novembro 2014

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O que fazer e o que não fazer ao educar financeiramente as crianças, idade a idade

“A primeira atitude de um pai ao educar financeiramente o filho é ter a consciência do quanto isso é importante”, declara a filósofa e educadora financeira Tania Zagury. “Só assim terão a coragem e a postura necessárias para explicar e orientar os filhos”, completa a escritora. Na prática, ter tal postura significa negar à criança mimos mesmo tendo recursos para bancar os presentes; abdicar de certos comportamentos (consumistas!) em nome do bom exemplo; dedicar parte do seu tempo instruindo os filhos e ajudando-os a lidar com as finanças.

Resumindo, pais, é preciso se comprometer e encarar essa missão pelo que ela é: parte da educação de seu filho. Para ajudá-lo na empreitada, apontamos diretrizes para educar a criança financeiramente, fase a fase, e sete erros que os pais cometem ao ensinarem aos filhos a importância de poupar.

 

A CADA FASE, UMA LIÇÃO ESPECÍFICA

“Não há sentido em ensinar uma criança a economizar se ela ainda nem entende o que é e de onde vem o dinheiro”, diz Tania Zagury. Ao educar financeiramente seu filho, lembre-se que há um tempo certo para que ele absorva cada conceito relacionado a noção de poupar. Veja abaixo a melhor forma de ensiná-los a lidar com o dinheiro, fase a fase.

De 3 a 5 anos – Menos presentes, mais cofrinho

Nessa faixa etária, aconselha-se estimular a criança a ter um cofrinho. Ela ainda é muito nova para entender o que é poupar, mas juntando moedinhas já começará a compreender o que é o dinheiro, por ser algo palpável.

De 6 a 10 anos – Hora da semanada

O indicado aqui já é dar um valor semanal às crianças, que ainda não conseguem administrar bem uma quantia mensal. Alguns cuidados ao adotar a prática:

  • Lembre-se que a mesada não é uma obrigação. É você quem decide se deve e pode dar esse dinheiro e qual será a quantia. “Para definir esse valor de forma correta, converse com seu filho, entenda sua a rotina e onde ele gasta dinheiro”, diz o educador financeiro do portal Meu Bolso Feliz, José Vignoli. E seja ponderado. “Cada família deve estipular a quantia da semanada de acordo com sua condição financeira”, aconselha Vignoli, completando: “E nunca mude o valor sem um bom motivo. Afinal, seu salário não muda quando você quer”.
  • Defina uma data para o recebimento e uma função para o dinheiro. Por exemplo, a semanada pode ser para guloseimas, videogames e figurinhas. “Se ele gastar além da conta porque, digamos, comprou muitas figurinhas, os pais devem usar a situação para explicar a importância de se planejar financeiramente”, aconselha Tania Zagury. E nada de completar o valor. “Não dê mais dinheiro”, enfatiza Tania.
  • Clicando aqui você vê, passo a passo, como inserir a semanada na rotina da criança.

De 11 a 17 anos – O valor do trabalho e de poupar

A partir dos 11 anos, a criança já tem o conceito de temporariedade, ou seja, consegue administrar uma quantia maior, por mais tempo. Por isso a mesada é aconselhável. Veja como agir:

  • A mesada só entra em jogo se a criança vem lidando bem com a semanada. Pense que se ela não dá conta de um valor menor por sete dias, que dirá de mais dinheiro por um mês inteiro.
  • Continue orientando para quais gastos deverá ir aquele dinheiro e não dê um valor muito alto. Porque os jovens já conseguem compreender que, para se ter dinheiro, é preciso “fazer por merecer”, valorize esse conceito evitando dar muito dinheiro.

 

7 ERROS QUE OS PAIS COMETEM AO EDUCAREM OS FILHOS FINANCEIRAMENTE

Tratando-se de economia, levar ao pé da letra a frase “dar o melhor aos filhos” nem sempre é uma boa ideia. Veja os erros que os pais comentem ao ensinarem os filhos a poupar.

1- Não ceda aos desejos de consumo dos filhos. Um estudo realizado pelo Portal Meu Bolso Feliz mostrou que 52% dos pais cedem aos desejos de consumo dos filhos. Segundo especialistas, a prática é definitivamente um erro. “Evite presentear seus filhos fora de datas comemorativas”, diz Ana Paula Hornos. “Ter demais pode ser pior do que ter de menos. Não se trata de possuir ou não os meios para dar aos filhos o que eles desejam, mas sim de educação e amor. Deixe seu filho manifestar o desejo, permita que ele sinta o prazer, depois, de conseguir algo que tanto queria”, aconselha Tania Zagury.

2- Explique por que está dizendo “não”. Ao dizer à criança por que não vai comprar algo, não diga apenas “porque é caro”. Coloque na explicação o valor do trabalho e aproveite para alertar sobre o consumismo. Você pode dizer, por exemplo: “O dinheiro que ganhamos trabalhando vai para pagar a nossa casa, a luz, a água… muitas coisas. Se eu comprar tudo o que desejar pode ser que não sobre dinheiro para essas coisas, que a gente precisa e usa todo dia”. Incentivos que reforçam essa ideia é pedir a ajuda dos filhos em tarefas simples, “remunerando-os” após um tempo com algo que queriam. “Dessa forma a criança se sente importante, capaz e produtiva. E isso depois ajuda na vida profissional. É importante que os pais tenham essa consciência, de que pequenas atitudes na infância repercutem por toda a vida”, diz Tania Zagury.

3- Não associe boas notas na escola à presentes. “Muitos pais dizem ‘se você tirar dez na prova te dou tal brinquedo’. Essa atitude só desvaloriza o estudo e valoriza o dinheiro.

4- Não incentive o consumismo, mesmo que indiretamente. Procure evitar associações que no futuro podem resultar em um adulto consumista e que valoriza demais a aparência e bens materiais. Por exemplo, comprar uma roupa nova para a criança toda vez que ela vai a uma festa. No fundo, você passa a ideia de que ela precisa de algo novo a cada evento e, pior, que o seu valor é medido segundo o modo como se veste.

5- Dê o exemplo. Não adianta ensinar aos filhos a poupar e, sempre que sair, voltar cheio de compras e sacolas. Crianças são observadoras e aprendem muitas vezes por associação.

6- Nada de presentear a criança a todo instante. “Hoje você tem uma situação financeira, amanhã pode ter outra. E aí? Se a criança está acostumada a ganhar tudo sempre, quando não recebe um presente ou mimo pode interpretar a situação como falta de amor. Você sabe que uma coisa não tem nada a ver com a outra, mas seu filho pode ser muito novo para entender as causas econômicas dessa mudança de comportamento”, alerta Tania. Dessa forma, procure seguir o conselho inicial das especialistas, dando presentes apenas em datas especiais – ou de forma comedida, usando o bom senso.

7- Não se sinta culpado. “Dar brinquedos, bolachas, etc. não é obrigação de pai e mãe. Os pais têm que dar amor, saúde, segurança e bons exemplos aos filhos. Bens materiais são bônus”, finaliza Tania.

 

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Paula Aftimus

Paula Aftimus

Jornalista com especialização na State University of New York, editora de publicações e portais do Grupo Abril e especialista em mídias digitais. Passagem acadêmica pelas áreas de Serviço Social e Educação e MBA em Gerenciamento de Projetos pela FGV

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