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31 março 2016

O clima no país está instável e, além dos problemas econômicos, enfrentamos uma forte crise política. Neste cenário, qual a melhor maneira de investirmos nosso dinheiro?

Só se fala nisso nos noticiários: recessão econômica, inflação e crise política. As ameaças de Impeachment e o embate entre governo e oposição impedem a tomada de medidas anti-cíclicas e fazem com que nada se resolva e a economia simplesmente não ande. Com esse pano de fundo instaurado, fica difícil para o investidor decidir o que fazer com seu dinheiro. “O cenário fica muito inconstante, incerto e, consequentemente, muito mais arriscado para quem investe, afinal, é mais difícil prever o que vai acontecer com os juros, inflação e com o mercado”, explica Marcela Kawauti, economista do SPC Brasil.

 
Então, quer dizer que o conselho é não investir? Longe disso. “O conselho é investir, mas ter muita cautela”, alerta a economista. E para te ajudar a entender o que está acontecendo com o mercado e decidir onde aplicar seu dinheiro, o Portal Meu Bolso Feliz levantou dados atuais e definiu quais investimentos são recomendáveis e quais são ruins durante a crise. Fique atento para saber o que fazer com suas economias a partir de agora.

 

Perfil conservador x perfil ousado

Nós já sabemos que a regra é sempre reservar parte do salário, por menor que seja, certo? “Mesmo com cortes de orçamento, em tempos de crise, o conselho continua sendo esse. Pode ser que você consiga poupar menos, mas vale continuar com a mesma mentalidade”, alerta a economista. Mas, no momento, como devemos encarar um investimento? Assumindo o perfil ousado, que investe em aplicações de maior risco como ações na bolsa e dólar, ou perfil conservador, que prefere investimentos pré-fixados, que fujam da flutuação cambial e dos juros incerto? “Na hora que falamos em investimentos, se as pessoas pensarem apenas no potencial de ganho, tendem a preferir investimentos de perfil ousado”, alerta Rafael Carrenho, especialista em investimentos, de São Paulo. Porém, o bom investidor precisa avaliar, também, o risco do retorno dessa aplicação. “E, no momento atual, a busca pela alta rentabilidade não compensa o elevadíssimo risco”, conclui o especialista.

 

Quais investimentos são menos recomendados e por quê?

Como dito acima, os investimentos considerados arriscados são ruins para o momento. Dentre os mais conhecidos estão as ações e o dólar. “A questão política atinge grandes empresas e, consequentemente, suas ações, que representam pequenas frações de sua propriedade. Além disso, a oscilação do dólar está totalmente associada ao desenrolar político e às notícias que saem na imprensa, além de depender também dos rumos da economia em outros países. Por isso, não são aplicações recomendadas para o momento”, explica Marcela.

 

Ações

não é hora de investir no mercado, afinal, além da crise política, ainda há muito a ser feito do ponto de vista econômico. “A definição do cenário político e do impeachment será fundamental para o desempenho da bolsa. Mas, no momento, a volatilidade é muito alta e extremamente perigosa”, alerta Rafael. Por isso, precisamos esperar o cenário se estabilizar.
Saiba mais em: Tipos de Investimentos – Bolsa de Valores e Ações 

 

Dólar

Também instável e com uma flutuação cambial diária e alta volatilidade, atualmente, o dólar só deve ser comprado se você precisar da moeda estrangeira para viajar, por exemplo. E, mesmo assim, a compra deve ser feita aos poucos para diminuir os riscos de perda.

 

Poupança

ela sempre foi a queridinha de grande parte dos brasileiros, mas, no momento, também é uma opção pouco interessante do ponto de vista de investimento de longo prazo. “A poupança, no momento, tem rendimento menor do que a inflação. Por isso deve ser usada somente para aplicações de prazo muito curto”, explica Marcela.

 

Quais aplicações valem a pena?

Resumindo, é preciso ficar atento a investimentos mais seguros, compatíveis com o cenário atual. Fique de olho em algumas boas opções:

 

CDB

Os CDBs são os Certificados de Depósito Bancário. Eles funcionam como um “empréstimo” que você faz ao banco, em duas modalidades: CDB pré-fixado ou CDB pós-fixado. Ao aplicar em um CDB pré-fixado, você já sabe quanto ele vai render na data de vencimento do título. No caso do pós-fixado, o rendimento vai depender de quanto a taxa de juros e a inflação vão variar entre o dia da aplicação e do resgate. Tanto o pré-fixado como o pós podem ser considerados seguros, mas caso você opte pelo pré-fixado você precisa comparar a rentabilidade prometida com a expectativa do mercado para inflação ou juros, dependendo da indexação do seu investimento.

Vale lembrar que os CDBs têm garantia do  Fundo Garantidor de Créditos, a entidade que garante a recuperação de depósitos até determinado valor, e o imposto de renda, para esse tipo de aplicação, é progressivo.

• Até 180 dias – 22,5 por cento

• De 181 a 360 dias – 20 por cento

• De 361 a 720 dias – 17,5 por cento

• Acima de 720 dias – 15 por cento
Saiba mais em: Tipos de Investimento – CDB e Renda Fixa 

 

Título Público

O Tesouro Direto é um programa de venda de títulos do Governo Federal aos investidores interessados. Você pode aplicar seus recursos na compra de títulos cujo prazo de vencimento varia entre o curto prazo (até cinco anos), médio prazo (até 10 anos) e longo prazo (que vencem até o ano de 2.050). Eles também podem ser pré-fixados ou pós-fixados (em que a remuneração vai depender da variação da inflação e da taxa de juros Selic, definida pelo Banco Central). Mas nesse caso é importante que você fique com o título até o vencimento, já que optar pelo resgate antes deste momento, você poderá arcar com perdas. A única exceção é o Tesouro Selic.

Vale lembrar que os títulos públicos não são garantidos pelo Fundo Garantidor de Créditos, mas têm garantia de recompra pelo Tesouro Nacional e o imposto de renda, para esse tipo de aplicação, é progressivo.

• Até 180 dias – 22,5 por cento

• De 181 a 360 dias – 20 por cento

• De 361 a 720 dias – 17,5 por cento

• Acima de 720 dias – 15 por cento

Saiba mais em: Tipos de Investimento – Títulos Públicos

 

Fundo de renda fixa

é um dinheiro que você dá para o banco administrar e te devolver corrigido pela rentabilidade obtida. “Geralmente eles colocam seu dinheiro em títulos públicos ou debêntures, ou seja, títulos privados”, explica Marcela.  E a especialista completa: “Aqui vale lembrar que esses juros geralmente, perseguem benchmarks como a inflação e a taxa SELIC”. Por isso, sendo pré-fixados, eles são determinados antes da aplicação e você saberá exatamente quanto seu dinheiro está rendendo. “Mas é importante ter em mente que não temos como saber com antecedência o quanto nosso dinheiro vai render em um fundo de investimento. Ou seja, em um fundo de renda fixa, a rentabilidade passada, ou seja, a atual, não é garantia de rentabilidade futura”, alerta a economista.
O imposto de renda, para esse tipo de aplicação é progressivo, ou seja, quanto menos você deixar o dinheiro aplicado, mais paga.
• Até 180 dias – 22,5 por cento
• De 181 a 360 dias – 20 por cento
• De 361 a 720 dias – 17,5 por cento
• Acima de 720 dias – 15 por cento
 

CI e LCA

As letras de crédito imobiliário (LCI) e letras de crédito do agronegócio (LCA) são opções para investir em renda fixa e são atraentes pela isenção do IR e garantia do Fundo Garantidor de Créditos. Só vale ficar atento porque a maioria das aplicações exige um prazo mínimo de seis meses para retirar o dinheiro.
Saiba mais em: Tipos de Investimentos – Letras de Crédito Imobiliário

 

Sua aplicação depende do seu objetivo

Sem dúvida, na hora de decidir onde deixar seu dinheiro é preciso ter ideia do que quer com ele. Então, fique de olho no que precisa para, finalmente, decidir onde aplicar:

 
Preciso de dinheiro no curto prazo: quem precisa de liquidez pode deixar parte do dinheiro na poupança, lembrando que, no momento, a poupança rende menos que a inflação.  “Se você deseja liquidez, ou seja, corre o risco de precisar de dinheiro logo, vale a pena, até, deixar um pouco de dinheiro na poupança no curto prazo, mesmo que o rendimento seja baixo”, alerta Marcela. Lá seu dinheiro estará seguro e o acesso será livre.  Você só precisa ficar de olho para ver se vale a pena retirar o dinheiro antes do crédito dos rendimentos, que acontecem todos os meses no mesmo dia em que você fez o depósito. Outra opção é aplicar em fundos de renda fixa, que também garantem liquidez. Neste caso, é preciso tomar cuidado com as taxas de administração, que não devem passar de 1 por cento ao ano. Por isso, faça uma boa pesquisa. “Lembre-se, também, de que na renda fixa você já paga imposto de renda progressivo, ou seja, quanto mais tempo você deixar seu dinheiro aplicado, menos imposto você paga”, alerta Rafael.

 
Quem quer fugir da inflação e volatilidade, mas quer ver seu dinheiro render mais:  quem se preocupa com isso, mas quer que o dinheiro renda, a longo prazo, deve investir no Tesouro, principalmente o Tesouro IPCA ou Tesouro SELIC que garantem a remuneração e protegem o investidor da inflação. “Nestes casos, vale ficar atento porque alguns títulos têm prazos muito longos que precisam ser estudados e analisados com antecedência”, explica Rafael.

 
Quem não tem pressa e se preocupa com o futuro: para pensar a longo prazo e ver seu patrimônio valorizado, invista nos CDBs, LCIs e LCAs, no Tesouro Direto ou, é claro, na Previdência Privada. Esses são investimentos de renda fixa que podem ser mantidos por prazos longos e tem uma rentabilidade atrativa. Além disso, eles são ideais para quem não gosta de lidar com oscilações e quer ter segurança nas suas aplicações.

 

E como fica a previdência?

Vale lembrar que a Previdência Privada é um investimento bastante seguro e que tem como finalidade a garantia de aposentadoria mais tranquila. “Esse investimento deve ser pensado a longo prazo, mesmo em momentos mais turbulentos quando você não deve se descuidar do futuro”. explica Marcela.

 
Se você tem a previdência aplicada em um fundo conservador, deixe seu dinheiro rendendo porque a retirada desse valor costuma não ser vantajosa. “Lembre-se que com o dinheiro aplicado na previdência, seu risco é pequeno, mesmo considerando a crise atual”, alerta a especialista.

 
Se o seu caso for um fundo de previdência de renda variável ou multimercados, vale ficar atento. “Estes fundos tem a possibilidade de investir parte do seu dinheiro em ações ou em moedas estrangeiras”, explica Marcela. Então, converse com o seu gerente do banco e veja se há a possibilidade de fazer a portabilidade para um fundo mais conservador dentro da mesma instituição, o que pode ser mais interessante neste momento.

 
Vale lembrar que a Previdência Privada não é garantida pelo Fundo Garantidor de Crédito. Além disso, o pagamento de imposto de renda depende do tipo de previdência que você escolher (PGBL ou VGBL).

 
Saiba mais em: Vantagens e Desvantagens da Previdência Privada

 
 

Natália Chagas

Natália Chagas

Jornalista, com especialização em marketing e vasta experiência em revistas e portais de notícia. Foi editora de mídias digitais do grupo GR1 Editora e produziu conteúdo para diversas publicações do Grupo Abril, Editora Globo, Folha de São Paulo, entre outros.

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