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21 julho 2015
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Entenda o que considerar para renovar ou contratar uma apólice de seguro e como proceder para economizar sem comprometer sua tranquilidade

Como muitos brasileiros, neste momento de crise econômica, você deve estar se perguntando em quais itens do seu orçamento é possível fazer cortes ou reduções de despesas. Os seguros, seja o de vida, saúde, casa ou carro, podem ser uma opção, desde que com cuidado e ressalvas.
 
“Estamos tratando de riscos. A escolha é entre assumir esse risco, ficando sem seguro, pronto a arcar com as consequências de imprevistos, ou terceirizar o risco, contando com a seguradora para cobrir eventuais despesas contempladas na apólice”, explica José Vignoli, educador financeiro do Portal Meu Bolso Feliz.
Para quem está apertado, com as contas justinhas e sem margem de manobra, ou mesmo para aqueles endividados, seguro não é prioridade. Necessidades básicas do orçamento familiar, como a alimentação, e quitar débitos vêm na frente. “Afinal, o seguro é algo que se compra para não usar. Trata-se de uma forma de parcelar um gasto, antecipadamente, e evitar um valor absurdo que você pode não conseguir arcar de uma só vez caso necessário”, acrescenta Vignoli. De qualquer maneira, pense muito bem antes de abandonar suas apólices. Não vale a pena sair cancelando qualquer seguro. Além do risco, ao cancelar um seguro, apenas parte do que foi pago é devolvido – um percentual variável e de acordo com o mês do ressarcimento. Perde-se o dinheiro e a cobertura. Definitivamente, um péssimo negócio. O importante é refletir sobre a renovação (ou aquisição, para quem não tem) e em que condições isso deve ser feito, principalmente em termos financeiros. “O acidente pode nunca acontecer, mas se acontecer, você está preparado para as despesas? Essa é a questão principal”, argumenta Guilherme Giglio, sócio-diretor da corretora Cofargo. “O seguro repõe uma perda financeira. Dificilmente alguém que perde um carro ou uma casa, por exemplo, consegue comprar outro com facilidade”.
 
Com o acesso à internet, qualquer um pode pesquisar sobre seguros e valores. Em busca da economia, as pessoas usam os números a seu favor para barganhar, mas esquecem dos detalhes. “Só ligam para o preço e nem sabem o que compram. Tem quem troque de corretora por R$ 50 a menos, sem avaliar se os benefícios que pode estar perdendo compensam a economia”, conta. Aí mora o perigo. “O seguro não é custo, e sim proteção. Quando você compra uma televisão ou qualquer outro produto, pesquisa e escolhe o melhor custo benefício, não o mais barato. Com o seguro é igual. Tem de pesquisar, ler, saber quais as coberturas, se está adequado as suas especificidades, qual a seguradora por trás do corretor, se em caso de algum problema para onde pode ligar, e por aí vai”, ensina Giglio. “Se você comprar uma apólice errada, pode até perder o único bem que conseguiu na vida”.
 
Na dúvida entre qual seguro é imprescindível, os dois concordam: o de saúde. “Qualquer custo de exame é absurdo e ir para uma UTI pode levar à falência”, comenta Vignoli. “Nada é mais importante do que a saúde”, concorda Giglio. O automóvel vem em seguida, claro, para quem tem. “Quando você coloca o carro na rua, já está em risco: roubo, acidente com pedestres e outros veículos, alguém que bate em você e não está segurado. Não aconselho comprar um carro se o seguro não cabe no seu bolso. É igual a comprar um carro e não ter dinheiro para a gasolina. Infelizmente é um custo que deve ser levado em conta”, lamenta Giglio. A solução pode ser um seguro mais barato, com cobertura para terceiros e assistência 24 horas. “Você só não tem o seguro do seu carro, do casco por assim dizer, mas tem direito a guincho e cobertura dos outros transtornos. E para quem só está preocupado com roubo, pode colocar rastreador”, sugere o corretor.
 
Como as prioridades e o bolso de cada um variam, veja dicas para considerar antes de contratar ou cancelar um seguro!
 

3 dicas para avaliar quando vale a pena ter seguro
1 ) Avalie se o risco compensa

Você pode escolher ficar sem seguro. Por outro lado, deve avaliar o risco, considerando se, lá na frente, terá dinheiro para cobrir uma eventual perda. Pense, portanto, em como vê e encara essa projeção do futuro. Acredita que estará preparado para repor um bem de valor ou arcar com os custos de uma emergência médica? O quanto o valor da apólice pesa no seu orçamento a ponto de não compensar caso precise, futuramente, despender de um grande gasto devido a falta de seguro? Quem opta por ficar sem seguro deve ter como prioridade uma reserva para imprevistos.

2 ) Procure confiança

Se você entendeu que precisa de um seguro, seja qual for, trate de pesquisar bastante sobre o tema, quais os tipos de cobertura e os valores. Procure um corretor ou uma corretora capazes de tirar suas dúvidas e abertos a ajudar nos dois pólos: proteção e economia. Não hesite em perguntar e comparar propostas. Só acerte com profissionais e empresas em quem depositar confiança, depois de conferir todos os detalhes e certificar-se de que está contratando o melhor para sentir-se realmente seguro.

3 ) Explore as opções

Nem que seu único seguro seja o de saúde, procure saber se te interessa ou não um plano de cobertura mais limitada e, portanto, mais barato. Não saia comemorando na primeira proposta de valores reduzidos. Entenda em que essa economia acarreta e se está disposto a aceitar. Adquirir um seguro é também adquirir tranquilidade. Se vai colocar a mão no bolo, não faça à toa.
 

Quando cada seguro compensa?
Automóvel

Tudo depende do quanto está disposto a arriscar. Pode ser que você passe anos sem precisar ativar o seguro. Por outro lado, dependendo de quanto investiu no automóvel, contratar o seguro garantirá maior tranquilidade – e menos prejuízo em caso de acidente. Caso esteja diante de um seguro de 30 por cento ou mais do valor do carro, vale considerar aplicar o dinheiro que pagaria nessa “tranquilidade”. Dessa maneira, caso venha a precisar, terá a quantia reservada. Caso não use esse valor, terá guardado um bom dinheiro. Neste meio tempo, claro, deve-se ser extremamente cuidadoso. E, no caso de acidente provocado por terceiros, estar preparado para, caso a outra pessoa não arque com os custos do reparo, tirar o dinheiro do seu bolso.

Saúde

O seguro médico é um dos que mais costuma pesar mais no orçamento. Quem opta por não contratar um seguro saúde e fazer uma aplicação financeira para resgatar em caso de uma necessidade deve colocar na balança – e no valor aplicado! – que os custos médicos costumam ser muito altos, esgotando rapidamente esta reserva. Quanto mais idoso, maior a preocupação e os gastos. O quanto você confia na qualidade do serviço médico público oferecido na sua cidade?  “Neste caso, meu conselho é não encarar o seguro como um gasto, mas como uma compra de tranquilidade”, recomenda Vignoli.

Vida

O seguro de vida é indicado para quem está constituindo uma família e ainda não conseguiu criar uma reserva financeira suficiente para, no caso de falecimento, conseguir manter o padrão de vida da família. Para quem já possui estabilidade econômica, bens e investimentos, esse tipo de seguro pode não ser fundamental. O mesmo vale para jovens solteiros. Ainda sem beneficiários, vale mais poupar mensalmente para construir um patrimônio do que investir em seguro de vida.

Residencial

Este é um dos seguros que apresenta o melhor custo-benefício. Isso porque costuma custar, anualmente, cerca de 1 por cento do valor do imóvel. Por exemplo, uma casa de R$200 mil terá uma apólice de R$200 ao ano. Além de verba para reformar a casa após um incêndio, por exemplo, neste tipo de seguro também costumam estar previstos alguns consertos e reposição de bens após um roubo. Ou seja, o seguro residencial só não compensa para quem está com o orçamento realmente bastante apertado e considera que seu imóvel esteja bem protegido de desastres naturais ou assaltos.

Acidentes e Invalidez

Em vez de um seguro de vida, há quem prefira contratar um seguro contra acidentes (normalmente vendido junto com o seguro de vida), que protege, inclusive os dependentes, de acidentes que resultem em invalidez (permanente ou parcial). O seguro prevê também uma indenização em caso de morte acidental (não natural). Para jovens sem dependentes pode ser uma boa alternativa, já que tem apólice mais barata do que a do seguro de vida. A ideia é pagar menos no seguro e ir construindo uma reserva financeira. Ao constituir família – e se ainda não for financeiramente estável – aí então sugere-se mudar para o seguro de vida, com cobertura mais ampla.

 

Paula Aftimus

Paula Aftimus

Jornalista com especialização na State University of New York, editora de publicações e portais do Grupo Abril e especialista em mídias digitais. Passagem acadêmica pelas áreas de Serviço Social e Educação e MBA em Gerenciamento de Projetos pela FGV

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