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16 setembro 2014

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Entenda como games e aplicativos aparentemente inofensivos podem causar dependência e te deixar no vermelho.

Candy Crush Saga, Farmiville, SongPop, Angry Birds, Instaframes, Iphoto… Estes são apenas alguns joguinhos e aplicativos virtuais divertidíssimos que nos ajudam a passar o tempo ou organizar as imagens em nosso celular. O que mais eles têm em comum? Como a maioria dos games, é possível utilizá-los gratuitamente até enquanto durarem suas vidas ou artifícios limitados. A partir daí, quem quiser continuar conectado precisará desembolsar um determinado valor para garantir mais recursos ou chances de jogar. Nesse momento, será preciso escolher entre aguardar o tempo de liberação de novas oportunidades para seguir adiante ou… colocar seu dinheiro em algo supérfluo e desnecessário. E, pior, acabar se endividando com essa brincadeira toda. No entanto, calma: você não precisa correr desesperadamente para deletar os ícones de diversão do seu celular. Mas pode, sim, aprender a curtir virtualmente, mas com cautela.

 

8 táticas para se divertir no mundo virtual sem se endividar na vida real

1- Existem jogos e aplicativos, mesmo entre os considerados ‘gratuitos’, articulados para manter os consumidores vidrados e, claro, faturar com isso. Não à toa, eles têm aumento gradual de complexidade e, em determinado momento, o nível de dificuldade cresce drasticamente. Isso ocorre para tornar quase impossível ultrapassar etapas sem fazer um investimento. Fuja desse modelo de brincadeira, pois ele vai te fazer gastar, e possivelmente mais do que pode.

2- Não permita que o mundo virtual se sobreponha à realidade. De tanto jogar, você passa a considerar frutas, doces e cristais do game como algo valioso para o cumprimento de tarefas. Então, quando cobram um determinado valor por um conjunto desses apetrechos para ultrapassar uma fase complicada, você enxerga a quantia como irrisória pela conquista que será alcançada. Lembre-se: qualquer que seja a oferta de um jogo, ela nunca é barata o suficiente para ser paga com dinheiro de verdade.

3- Atente-se à facilidade de compra online. O educador financeiro do site Meu Bolso Feliz, José Vignoli, alerta: “É preciso tomar cuidado com as informações do cartão de crédito, pois muitas vezes, ficam salvas na internet”. Dessa maneira, com apenas um clique, você faz mais uma compra. Essa ação é perigosa e, na maior dos casos, faz o usuário gastar mais e sem perceber. Muitas vezes, os gastos são cobrados em dólar e ainda uncluem o IOF, ou seja, você vai gastar muito mais do que imagina.

4- Para quem tem Iphone, se um jogo ou aplicativo pedir sua senha da Apple, redobre os cuidados. Em geral, digitar essa senha costuma autorizar o pagamento de alguma compra.

5- Crie um hábito: verifique sempre o saldo bancário antes de gastar com jogos e se pergunte se pode – e precisa – colocar seu dinheiro nisso.

6- Ligue o alerta em relação às reais intenções dos jogos. Muitos, por serem gratuitos,  trazem uma falsa sensação de que não há mau nenhum em jogar. Assim, eles usam a necessidade do usuário de passar de fase e conquistar vidas para começar, aos poucos, a ganhar dinheiro com isso.

7- Quando um grupo de pessoas costuma se divertir com os mesmos jogos e aplicativos, pode surgir competição entre os integrantes. Esse comportamento leva muita gente a colocar mais dinheiro para completar as fases e ter recursos mais rapidamente do que os outros. Assim, claro, o jogador poderá se exibir na rodinha de amigos. Será mesmo que essa brincadeira ficará tão divertida quando a contar chegar? Pense nisso!

8- Para evitar a tentação, procure pela opção ‘Ajustes’ de seu celular e desabilite a função ‘Compras em Aplicativos’ ou algo que seja similar a isso. Dessa forma, você precisará de tempo para desabilitar essa função antes de fazer uma compra. Use esse período para refletir se vale mesmo à pena torrar seu dinheiro com isso.

 

“Usava todo o dinheiro que tinha para jogar”

Infelizmente, o estudante de administração Douglas Markus não teve acesso às lições acima antes de se endividar –e se viciar – em brincadeiras virtuais. Aos 14 anos nasceu o hábito de gastar com jogos durante uma competição entre amigos em Lan Houses (loja que dispunha de computadores para acesso à internet mediante pagamento pelo tempo utilizado). Em pouco tempo, ele já torrava toda a mesada nessa atividade. “Eram mais de R$100 por mês. Não importava mais qual era o jogo, eu precisava estar conectado e investia nisso. Eu já não saía mais com meus amigos e nem com a minha namorada porque usava todo o dinheiro que tinha para jogar”, conta.

Por sorte, o rapaz não se endividou. Mas Douglas reconheceu que precisava de ajuda e tomou uma medida radical: “Exclui todos os jogos do celular, pedi para o meu pai tirar a TV do meu quarto, cortar a internet e decidi procurar um psicólogo. Hoje administro muito melhor o que ganho e não sinto falta da minha antiga vida”.

 

Além da dívida, o vício

Uma pesquisa feita pela empresa norte-americana Think Gaming, revelou que são gastos, por dia, quase 900 mil dólares (quase 2 milhões de Reais) em games gratuitos. Esse dado ressalta o que a psicóloga e terapeuta familiar, Cássia Rodrigues explica: “Os jogos viciam porque ativam no cérebro uma substância química chamada dopamina, que da a sensação de prazer”. O primeiro passo para se livrar disso? “É necessário entender porque ela se apegou àquela prática e como passou a ocupar tanto espaço na sua vida. Só assim, e com muita força de vontade, é possível se desconectar”, ensina a profissional.

Para não cair nessa armadilha, observe suas atitudes no dia a dia e na maneira como encara esse tipo de diversão. Do vício para o endividamento é um salto rápido. Algumas atitudes mostram quando alguém ultrapassou o limite da curtição virtual saudável. Descubra quais são elas:

 O game se transforma na atividade mais importante da vida da pessoa.

– Jogar torna-se uma necessidade.

– A vida social se torna desinteressante comparada ao prazer proporcionado pelos games.

– No caso dos adolescentes, o rendimento escolar começa a cair.

– A pessoa gasta dinheiro para vencer o jogo ou ganhar vidas.

– Arrisca sem se importar com a possibilidade de ficar inadimplente, ou seja, não se preocupa se vai gastar mais do que pode.

–  “Só mais essa vez não vai fazer diferença”, é o pensamento de quem não consegue parar de jogar.

 

Natália Chagas

Natália Chagas

Jornalista, com especialização em marketing e vasta experiência em revistas e portais de notícia. Foi editora de mídias digitais do grupo GR1 Editora e produziu conteúdo para diversas publicações do Grupo Abril, Editora Globo, Folha de São Paulo, entre outros.

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