70117011

17 fevereiro 2016

 

Veja o que você deve fazer para não passar sufoco financeiro e ainda economizar

De acordo com pesquisa realizada pelo SPC Brasil e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), 46 por cento dos brasileiros não controlam seu orçamento. “Como consequência dessa falta de controle financeiro a pessoa sofre com dívidas e incapacidade de realizar sonhos, além de não conseguir guardar um dinheiro para imprevistos e para aposentadoria, pois não consegue poupar para nada disso”, diz o educador financeiro José Vignoli. Tanto que, segundo a mesma pesquisa, apenas 41 por cento dos entrevistados afirmam conseguir fechar o mês com algum dinheiro sobrando. “A educação financeira não se resume ao simples ato de poupar. Trata-se de adotar uma atitude consciente ao impor critérios na utilização do seu dinheiro, sabendo planejar as próprias contas a curto e longo prazo”, explica Vignoli. Veja abaixo sete práticas para organizar as contas e não passar aperto financeiro!

 

1 – Educação financeira

Educação financeira é um comportamento, um modo de pensar e gastar seu dinheiro que permitirá a conquista de objetivos. “Ela deve fazer parte da formação básica dos cidadãos. Controlar gastos, fazer um planejamento antes de ir às compras e evitar consumir por impulso são algumas atitudes simples que deveriam ser assimiladas desde criança”, explica Vignoli. Basicamente, através da educação financeira, disciplina, planejamento e mudança de hábitos e comportamentos pode-se conseguir realizar qualquer sonho que você tenha: o segredo é gerenciar muito bem sua renda.

 

2 – Controle do orçamento

Atitude básica para implementar a educação financeira na sua vida é manter um controle dos seus gastos e receitas. Segundo dados da pesquisa, uma parcela significativa da população (46 por cento) não faz qualquer tipo de controle efetivo (sem registro, controle feito por terceiros ou registro “de cabeça”). “Não importa a ferramenta, importa que o método seja organizado. Algumas pessoas têm facilidade com planilhas ou aplicativos, outras não. O fundamental é registrar o que se ganha e se gasta e jamais confiar na memória porque ela falha”, orienta o educador financeiro. Para ter uma ideia geral de suas entradas e saídas, conte com o nosso Simulador Diagnóstico Financeiro. “Para ajudar ainda mais, é interessante organizar os gastos em grupos como despesas com a casa, educação, saúde e lazer, e entender como você gastou seu dinheiro ao longo do mês. Dessa maneira, é possível traçar maneiras de otimizar as despesas do dos próximos trinta dias”, aconselha Marcela Kawauti, economista do SPC Brasil.

 

3 – Disciplina no controle dos gastos pessoais e da família

Falta de disciplina é citada por 26,3 por cento como a principal justificativa de não fazer o controle dos gastos. “A disciplina é parte fundamental para uma vida financeira saudável. Somente com um pouco de esforço e vontade de manter uma vida financeira equilibrada é que se adquire este hábito”, diz Vignoli. Isso significa não somente anotar exatamente o quanto entra e o quanto sai de dinheiro, mas também fazer um controle, segurando os gastos quando necessário. “O aperto financeiro e a necessidade de quitar as contas leva algumas pessoas a acharem que dívida é algo natural, mas não é. Controlando os gastos é possível viver com a renda que se ganha e ainda pensar em criar uma reserva financeira”, complementa o educador financeiro. Lembre-se que é importante ter uma visão além do controle mensal, pensando, por exemplo no planejamento de um ano para frente. Neste controle também é fundamental incluir a família, tanto nos planos a longo prazo quanto em conversas sobre a necessidade de economizar e viver dentro do que o padrão de vida da família permite.

 

4 – Redução do consumo de roupas, calçados e acessórios

Segundo a pesquisa, 30 por cento dos brasileiros reconhecem ter comprado, nos últimos três meses, algum bem que fez com que excedessem seu limite financeiro. Nesse quesito, os itens líderes de parcelamento são as roupas e calçados (63 por cento), eletrônicos (58 por cento) e eletrodomésticos (44 por cento). “O consumismo, tendo ou não dinheiro para bancar tantas vontades, parece ser a regra para algumas pessoas. Quem compra apenas o que precisa, no mundo de hoje, é cada vez mais a exceção”, diz Vignoli. A pergunta é: todo esse consumo, no fim do dia, vale a pena? “A verdadeira felicidade não está no número de coisas que a gente possui, mas sim em ter aquilo que realmente queremos. Uma vida organizada e simples permite que tenhamos tranquilidade financeira para fazer o que realmente gostamos. Por isso, adquirir bens materiais de forma desenfreada pode até trazer uma injeção rápida de alegria, mas essa sensação logo se acaba, deixando a pessoa com o estresse de não saber como pagar as contas no fim do mês”, pondera o especialista. Por isso, sempre que sentir vontade de comprar algo, pergunte a si mesmo se de fato precisa daquilo e se ter esse item compensa o dinheiro que investirá nele – dinheiro este que poderia estar indo para a realização de um sonho maior.

 

5 – Realização de reserva financeira

Apenas 14,5 por cento dos brasileiros aplicam parte de seus rendimentos em uma poupança ou investimento. E, ainda segundo a pesquisa do SPC Brasil, 29 por cento atrasam o pagamento de algumas contas quando o orçamento não é suficiente para honrar os compromissos mensalmente – destes, 24 por cento atrasam ao menos uma conta todo mês. Para Vignoli, esta dificuldade em poupar é reflexo da “cultura do imediatismo” que conduz o pensamento de boa parte dos brasileiros. “Frente um imprevisto, as famílias se encontram totalmente despreparadas financeiramente para arcar com gastos não planejados. O resultado? Mais dívidas”, alerta o especialista. Então, informe-se sobre possibilidades de investimentos e qual a melhor forma de começar a poupar. “Economizar 100 reais por mês, em longo prazo, faz uma enorme diferença. O importante, mais do que o quanto você poupa, é o hábito de sempre poupar”, diz Vignoli. Nosso Simulador de Investimentos ajuda na escolha da melhor forma de aplicar seu dinheiro, com segurança. “Por fim, é importante garantir três tipos de reserva financeira. A primeira para realização de sonhos, a segunda para um eventual imprevisto e a última para se aposentar com tranquilidade”, conclui Marcela.

 

6 – Reserva de dinheiro para o lazer

“Ao se planejar financeiramente, é importante incluir nos seus gastos uma lista de desejos, de coisas que gosta de fazer, como conhecer novos restaurantes, por exemplo. “O desafio aqui é saber encaixar esses “luxos” no orçamento familiar. A boa notícia é que, ao se planejar, a pessoa também acaba revendo certos hábitos, descobrindo o que de fato é importante”, explica Vignoli. Neste processo, estipule o quanto gastará mensalmente com o lazer. Como? “Separe o valor necessário para despesas fixas e construção de uma reserva financeira. A partir daí, defina, dentro do que restou, o que vai para diversão e desejos”, ensina o educador financeiro. Com esse valor em mente, você pode gastar sem medo de ultrapassar os limites que seu orçamento permite.

 

7 – Pesquisas de preço e a importância de pechinchar

Hoje em dia, com a facilidade da internet, pesquisar preços está mais fácil e não toma muito tempo. “Este é um hábito fundamental ao comprar qualquer produto ou serviço, especialmente neste momento econômico do país. Lojas físicas, sites e até aplicativos ajudam a economizar, não tem nem a desculpa da preguiça”, enfatiza Vignoli. Entre os aplicativos que ajudam a pesquisar os melhores preços estão o BuscaPé, MeuCarrinho e BoaLista. Ao pesquisar os preços, considere comprar marcas mais baratas, experimentando opções que podem ter a mesma qualidade, com o diferencial de serem mais em conta. Por exemplo, segundo levantamento da consultoria Kantar Worldpanel, os produtos de marca própria – aqueles produzidos pelos supermercados – têm preços até 55 por cento mais baixos que as marcas mais renomadas. Por fim, pechinche! “Fica difícil pedir um desconto no supermercado? Pois que tal comprar a carne no açougue, muitas vezes negociando direto com o dono?” ensina Vignoli. Só não caia na ilusão de achar que parcelar a compra é desconto. Desconto é quando o preço diminui e este deve ser o objetivo na hora da pechincha. Para facilitar ainda mais a negociação, procure pagar em dinheiro, já que os estabelecimentos costumam pagar uma taxa à operadora quando o cliente usa cartão, seja de débito ou crédito. Com o dinheiro em mãos, tente sempre negociar o desconto dessa taxa.

 

 

 

Saiba mais

Como se divertir gastando pouco

Como economizar em tempos de inflação

Tudo que você precisa saber antes de fazer um investimento

Dicas valiosas para economizar no mercado

Paula Aftimus

Paula Aftimus

Jornalista com especialização na State University of New York, editora de publicações e portais do Grupo Abril e especialista em mídias digitais. Passagem acadêmica pelas áreas de Serviço Social e Educação e MBA em Gerenciamento de Projetos pela FGV

Veja também

carnaval-barato
Curta o Carnaval sem gastar muito e evite roubos e furtos
  Veja dicas para curtir o Carnaval sem gastar muito e como fugir de ciladas durante a festa O Carnaval   [...]
mbf_banner_noticias_01-7zoe5
7 dicas para não ficar no vermelho nas liquidações
Temporada de descontos necessita de atenção especial. Saiba como aproveitar as ofertas de maneira consciente  [...]
vale-a-pena-morar-sozinho
Será que vale a pena morar sozinho?
Muita gente sonha em morar sozinho, mas nem todo mundo está financeiramente preparado para dar esse passo. Ve  [...]