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11 dezembro 2014

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Em época de férias, levar os filhos ao shopping não precisa ser uma dor de cabeça

Lidar com os desejos impulsivos das crianças e fazer delas adultos saudáveis financeiramente às vezes parece missão impossível – em especial durante um passeio no shopping ou uma passada no mercado. Frente tantos “eu quero” e “compra para mim?”, muitos pais acabam jogando a toalha. Segundo pesquisa feita pelo SPC Brasil, cerca de 52% deles já cederam aos caprichos dos filhos quando o assunto é compras.
 
É importante lembrar, no entanto, que a atitude dos pais nessas horas reflete na relação dos filhos com o consumo. Pais que compram por impulso constantemente, não sabem economizar, não listam prioridades e cedem a qualquer desejo dos pequenos dão exemplos que podem resultar, no futuro, em filhos adultos inadimplentes e, na maior parte das vezes, frustrados.
 
O educador financeiro do Portal Meu Bolso Feliz, José Vignoli, recomenda que, antes de tudo, os pais aprendam a viver dentro da sua realidade financeira, mostrando isso aos filhos sem nenhuma vergonha. Só assim conseguirão limitar os desejos momentâneos das crianças. “Procure mostrar ao seu filho que o que vale é a satisfação e que o preço – muitas vezes alto – pode não ser proporcional à felicidade alcançada. Dessa forma evita-se transmitir à criança a ideia de que o mais caro é melhor ou de que é preciso muito dinheiro para ser feliz”, finaliza Vignoli, complementando: “e que melhor hora para ensinar essa lição do que durante as compras?”

 

Passo a passo para comprar com crianças sem stress!
 1- Faça uma lista

A educadora de finanças pessoais, Ana Paula Hornos, aconselha: “Antes de ir às compras, faça uma lista, junto com o seu filho, de coisas que ele gostaria de comprar e já o ajude a definir prioridades.” Nesse momento, explique que não há dinheiro para comprar tudo o que desejamos, afinal, temos contas para pagar e outras despesas. Mostre que o dinheiro é um recurso limitado e que, exatamente por isso, precisamos definir metas e ter paciência para alcançá-las. Dessa forma já garante também que ele chegue ao shopping menos propenso a pedir tudo o que vê pela frente.
 

2- Resista aos encantos dos pequenos

Sabemos o quanto é complicado ouvir os pedidos (às vezes cheios de lágrimas) dos filhos, frente a algo que desejam. Mas, pensando na educação financeira dos pequenos, é preciso ignorar o coração apertado. Como agir para não se submeter aos caprichos das crianças? Ana Paula ensina que os pais devem, sim, mostrar interesse pelos pedidos dos filhos, só não ceder a todos: “Em vez de acatar ou negar o pedido de imediato, fale que irá pensar, que podem conversar sobre o assunto.”
 

3- Agora não

“Eu quero!” é uma frase que a maioria dos pais já ouviu em algum momento. Pois bem, ao resistir aos encantos dos pequenos e não ceder a todos os desejos dos filhos, aproveite também para ensiná-los a importância de aprender a esperar. “Esse é um passo fundamental para a educação financeira de qualquer criança”, diz Ana Paula. Na vida adulta, ninguém consegue tudo o que deseja imediatamente, em especial tratando-se de bens materiais. Por isso essa lição é tão importante – é ela que ajudará o seu filho a lidar com frustrações e a saber poupar.
 

4- E a sua mesada?

Caso a criança ganhe uma mesada  e peça algo durante o passeio, lembre-a que ela possui um dinheiro mensal para gastar em situações como essa. Aproveite para explicar que pesquisar preços pode ajudá-la a economizar e que, talvez, se ela pensar melhor, perceba que nem precisa daquilo, podendo guardar seu dinheiro para outros desejos.
 

5- O poder da propaganda

Crianças e adolescentes são extremamente suscetíveis à influência externa, seja dos coleguinhas ou de propagandas. Fique atento a esse fator subliminar nos desejos de consumo dos seus filhos, podendo dessa forma intervir de um jeito mais eficiente nessa decisão de compra. Quando seu filho pedir algo, durante as compras, e você identificar uma influência externa no desejo, aproveite a ocasião para ensinar que não há necessidade de se ter tudo que os outros têm e que esta ou aquela marca não é necessariamente melhor do que outras, que não possuem, por exemplo, o jogador famoso como garoto-propaganda.
 

6- Mas é só um presentinho…

Na vida adulta não recebemos presentes a todo momento, certo? Então por que acostumar seus filhos a um comportamento que não continuará no decorrer dos anos? Presentes devem ser reservados para datas comemorativas, como Natal e aniversário. Resumindo: o famoso “me dá?” durante as compras deve ser tratado com naturalidade, mas ignorado. “É seu aniversário?”, questione. E aí explique que presentes são para momentos especiais. Além de prepará-la melhor para a vida adulta, a atitude ajuda a criança a dar valor ao que ganha.
 

7- O presente é para quem?

Se ceder aos desejos das crianças é um equívoco tratando-se da educação financeira dos pequenos, imagine ir ao shopping e começar a descarregar mimos aos filhos! “Muitos pais transferem seus desejos pessoais para os filhos, o que é um erro”, atenta José Vignoli. Por exemplo: na infância você não teve a oportunidade de ganhar um carrinho de controle remoto, por isso resolve dar ao seu filho esse presente, sem saber se é o que ele realmente deseja ou mesmo se está na idade de curtir este tipo de brinquedo. E se o que ele quer mesmo é um caminhão de plástico ou uma boneca, daquelas bem baratinhas? Encher a criança de presentes pomposos só porque você não teve muitos brinquedos é ensiná-la a   valorizar apenas as coisas caras. Segure a onda! Caso contrário, toda vez que sair com as crianças elas exigirão presentes. E se, por algum motivo, não puder comprá-los?

 

Saiba mais:

Como Educar seu filho financeiramente 

Influência da propaganda

Presentes e mais presentes 

 

 

Paula Aftimus

Paula Aftimus

Jornalista com especialização na State University of New York, editora de publicações e portais do Grupo Abril e especialista em mídias digitais. Passagem acadêmica pelas áreas de Serviço Social e Educação e MBA em Gerenciamento de Projetos pela FGV

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