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05 agosto 2014
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Mudando alguns hábitos financeiros e se organizando economicamente, é possível quitar dívidas e sair da inadimplência

Devo não nego, pago quando puder, esse ditado popular nunca foi tão usado pelos brasileiros.Quatro em cada dez (37%) consumidores inadimplentes admitem que não vão pagar suas dívidas nos próximos três meses. A conclusão é de uma pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pelo portal ‘Meu Bolso Feliz’ com 1.245 consumidores em todas as capitais.

 

Ainda mais alarmante é o motivo citado por 36% dos entrevistados para o não pagamento das contas: abrir mão do prazer de comprar os produtos que desejam. “Vivemos em uma era em que ter coisas é cada vez mais uma fonte de prazer e satisfação. Busca-se tanto o ‘glamour’ associado a certos bens materiais que muitas vezes deixa-se de avaliar as consequências de todas essas aquisições”, explica a psicóloga Cristiane Vaz de Moraes Pertusi, de São Paulo.

 

Segundo o educador financeiro do ‘Meu Bolso Feliz’, José Vignoli, a resistência em cortar despesas e em mudar o padrão de consumo são alguns dos erros mais comuns para quem precisa ‘sair do vermelho’ e sinalizam a falta de preocupação com o futuro. Exemplo disso é que quase um quarto (24%) dos inadimplentes admite que costuma deixar de pagar alguns compromissos financeiros para adquirir um determinado produto que gostaria de ter. Entre os consumidores adimplentes entrevistados, o percentual cai para 9%. “As pessoas acabam priorizando uma passageira elevação da autoestima em detrimento de uma segurança financeira duradoura”, finaliza a psicóloga.

 

Veja a seguir 10 ações para evitar ou sair do endividamento:

1 – Entenda seus gastos

Para saber como economizar, é preciso antes entender como você vem gastando o seu dinheiro. Com este levantamento em mãos, você conseguirá avaliar melhor quais dos seus comportamentos  de compra geram gastos em excesso. Você pode fazer isso com o auxílio do Simulador Diagnóstico Financeiro.

 

Na pesquisa realizada pelo Meu Bolso Feliz  e SPC, entre os entrevistados que pretendiam economizar para pagar suas dívidas, os principais cortes estão ligados às atividades de lazer (56%), compras de vestuário e calçados (38%), alimentação fora de casa (23%), gastos com cabeleireiro e manicure (21%) e compras no supermercado (18%). E você, como pode reduzir seus gastos?

 

2 – Mudança de atitude

“O primeiro passo para organizar as finanças pessoais é reconhecer a necessidade de mudar hábitos que colocam o bolso em risco. Dois graves erros são subestimar os pequenos gastos, que passam despercebidos no dia a dia e fazer compras para que as demais pessoas tenham uma imagem positiva ao seu respeito, principalmente, pelas coisas que você possui ou veste. Fazer uma auto avaliação para entender o porquê de não estar honrando seus compromissos financeiros também é fundamental para que a experiência sirva de aprendizado.”, explica o educador financeiro José Vignoli.

 

3 – Organize suas finanças

Todo mundo deve ter suas finanças minimamente organizadas. Quem está inadimplente, então, deve ser ainda mais disciplinado. A implantação do planejamento financeiro não deve ser adiada para que as dívidas não cresçam ainda mais. Não importa a ferramenta – algumas pessoas têm facilidade com planilhas ou aplicativos, outras recorrem à boa e velha caderneta de controle – o fundamental é sempre registrar tudo o que se ganha e se gasta e jamais confiar na memória, porque ela falha.

 

4 – Mude agora suas atitudes de comprar

“A revisão dos hábitos de consumo deve ser imediata. Com conhecimento para tomar as decisões mais acertadas, a pessoa fica menos vulnerável aos impulsos emocionais que a fazem gastar mais do que pode”, explica a psicóloga Cristiane Vaz de Moraes Pertusi. Informe-se sobre os empréstimos e dívidas que contrai, compare juros, calcule suas opções, enfim, estude sua economia pessoal. Dilemas financeiros recorrentes como se vale ou não a pena ter mais de um cartão de crédito; se parcelar compras é sempre vantajoso ou se um empréstimo consignado é a melhor saída são só alguns exemplos de temas que merecem sua atenção. Com esse tipo de conhecimento na ponta da língua, dizer “não” às dívidas ficará bem mais fácil.

 

5 – Repense a forma como utiliza o cartão de crédito

Seis em cada dez (57%) inadimplentes estão com faturas atrasadas no cartão de crédito, sendo que 46% se encontram com o nome sujo por conta dessa pendência não quitada. “O cartão de crédito trouxe conveniência e segurança porque viabiliza o poder imediato de compra, mesmo que o consumidor não disponha de dinheiro no momento do uso. Mas para usufruir das vantagens, é preciso controle para que a pessoa não gaste mais do que efetivamente possa pagar. Aqueles consumidores que não quitam o valor integral da fatura correm o risco de cair no efeito ‘bola de neve’, já que hoje, a taxa cobrada nessas operações pode ficar entre 150 e 430% ao ano!É uma das maiores do mundo”, conclui José Vignoli, educador financeiro do Portal Meu Bolso Feliz. Ou seja, se já possui dívidas, deixe o cartão de crédito em casa por um bom tempo!

 

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6 – Cartão de loja? Só se for para pagar em dia

Cada vez mais estabelecimentos oferecem aos seus clientes os benefícios de se ter o cartão da loja. Em geral, os juros por atraso ou pagamento mínimo dos cartões oferecidos pelas lojas são  maiores quando comparados aos cartões de crédito tradicionais. Em geral, os juros por atraso ou pagamento mínimo dos cartões de lojas são  maiores quando comparados aos cartões de crédito tradicionais, podendo chegar a mais de 600% ao ano, segundo pesquisa da Proteste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor), enquanto os do cartão de crédito ficam em torno de 200%. Não é a toa que estes cartões ocupam o segundo lugar no ranking de dívidas em atraso, sendo mencionados por 48% dos inadimplentes, de acordo com a pesquisa do SPC e Meu Bolso Feliz.

 

7 – Seja consciente na hora de gastar

Muita gente associa o termo “economizar” com “deixar de fazer ou ter coisas”. Obviamente é preciso priorizar onde gastar o seu dinheiro e entender que, hoje precisa controlar impulsos e guardar dinheiro. Lembre-se, no entanto, que embora a felicidade não esteja em um sapato novo, ela pode estar em uma tarde no parque com os amigos. “É fundamental investir em várias áreas da vida, inclusive na social. Quanto mais distribuídas estiverem suas fontes de bem estar, menos canalizado estará o seu prazer para gastos com bens materiais  supérfluos que trazem apenas alegrias momentâneas”, ensina a psicóloga Cristiane Vaz de Moraes Pertusi. Ou seja, economize, mas sem deixar de lado momentos de lazer.

 

8 – Tenha um “pé de meia”

Apesar de o desemprego se encontrar num nível historicamente baixo no país, ele foi citado por 24% da amostra como justificativa para a inadimplência. “Por mais que o desemprego seja um acontecimento alheio à própria vontade, um consumidor prevenido contaria com uma reserva emergencial para manter as despesas sob controle, evitando a inadimplência. Formar um ‘pé de meia’ para eventualidades é uma saída para organizar rendimentos e gastos. O recomendado é ter uma reserva financeira com a quantia suficiente para cobrir de três a seis meses de despesas da família”, orienta Vignoli.

 

9 – Cuide das suas emoções

Evite deixar aspectos da sua vida mal resolvidos. “Frustração, tristeza e ansiedade fazem com que, inconscientemente, a pessoa desconte tais emoções em gastos desnecessários que, com o tempo, resultam em dívidas”, alerta a psicóloga Cristiane Vaz de Moraes Pertusi. Coloque a cabeça no lugar e acredite que, organizando-se melhor e com disciplina, você se verá livre de dívidas.Frustrações? Desconte-as fazendo alguma atividade física, rindo com amigos, lendo um bom livro ou vendo um filme. Não comprando coisa que, futuramente, quando virarem novas dívidas, só gerarão ainda mais estresse e ansiedade.

 

10 – Se está endividado, renegocie a dívida

Segundo os economistas do SPC Brasil, ao propor um acordo com o credor, é possível conseguir bons resultados como reduzir o tamanho das prestações, obter juros menores e prazos mais alongados. Se a intenção do consumidor for pagar à vista, é possível até pedir um desconto no valor total da dívida. “Essas condições são bem vantajosas e possíveis de negociação em boa parte dos casos. O devedor precisa ser firme e demonstrar que quer pagar a dívida, pedindo os valores atualizados e oferecendo uma contraproposta dentro de suas reais possibilidades. Além disso, é necessário que o consumidor mantenha a disciplina e não entre em novas dívidas enquanto estiver pagando as novas prestações”, orienta Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil

 

Para saber mais:

Porque estou no Vermelho

Prioridades e Consumo Supérfluo 

 

 

Paula Aftimus

Paula Aftimus

Jornalista com especialização na State University of New York, editora de publicações e portais do Grupo Abril e especialista em mídias digitais. Passagem acadêmica pelas áreas de Serviço Social e Educação e MBA em Gerenciamento de Projetos pela FGV

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