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05 julho 2017

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Quem deseja investir em ações ou aplicar no Tesouro Direto precisa necessariamente contratar uma corretora. Veja como essas empresas funcionam e como elas podem te ajudar a fazer bons investimentos

Segundo pesquisa do SPC Brasil e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), apenas 3,2% dos poupadores investe na Bolsa de Valores e 2,6% no Tesouro Direto. Os números parecem ainda mais baixos quando os comparamos com o número de brasileiros que poupam o seu dinheiro na poupança: 60%. Por que esta opção quando os retornos sobre investimentos na Bolsa ou no Tesouro Direto são consideravelmente mais altos do que os da poupança? “Muita gente vê a poupança como o investimento mais seguro. Além disso, acreditam que outros tipos de investimentos são complicados ou então são só para quem tem muito dinheiro”, diz o educador financeiro José Vignoli. Mas isso não é verdade. Embora o cadastro em uma corretora, para poder investir na Bolsa e no Tesouro Direto (entre outros títulos), não seja tão simples quanto transferir seu dinheiro para a poupança, é algo que está acessível a todos, mesmo se você não tem um alto valor para investir mensalmente.

Mas qual a diferença entre aplicar em bancos ou em uma corretora? Considerando que os bancos muitas vezes oferecem taxas mais elevadas pelo serviço prestado, as corretoras podem ser uma boa alternativa para ver o seu dinheiro render mais. Assim, se o seu objetivo é simplesmente programar transferências automáticas para seu investimento e esquecer dele, pode ser que o banco seja mais cômodo, mesmo com taxas menos atraentes. No entanto, se busca rendimentos mais altos, a corretora pode ser a melhor opção, mesmo que você tenha que se adaptar ao modo de investir – que, acredite, não é tão complicado quanto parece. Abaixo, mostramos como funciona uma corretora e de que forma elas podem te ajudar a fazer bons investimentos.

O que é uma corretora de valores?

Uma corretora de valores ou simplesmente corretora tem a função de intermediar a compra e venda de ativos. São considerados ativos ações e títulos públicos que são negociados em Bolsa de Valores como a B3 (Antiga BM&F Bovespa). Assim, quem deseja aplicar em ações ou em títulos públicos precisa contratar uma corretora para tal investimento.

Além da Bolsa e do Tesouro Direto, algumas corretoras também oferecem investimentos em LCI (Letra de Crédito Imobiliário), LCA (Letra de Crédito do Agronegócio), CDB (Certificados de Depósitos Bancários) e outros investimentos em bancos pequenos e médios, além das debêntures (empréstimos que o investidor faz a grandes empresas, recebendo futuramente o valor que investiu remunerado com juros).

As corretoras necessariamente devem possuir uma autorização do Banco Central para exercer esse trabalho, sendo supervisionadas também pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), entidade criada para normatizar, fiscalizar, desenvolver e disciplinar todo o mercado financeiro relativo aos valores mobiliários (títulos e contratos ofertados de forma pública que permitem ao investidor participar, criar uma parceria ou ser remunerado). E, vale lembrar, existem corretoras independentes e corretoras ligadas a bancos. O processo de cadastro e operações é o mesmo seja a corretora independente ou parte de um grande banco. O que costuma variar são as taxas, que normalmente são mais vantajosas ao investidor em uma corretora independente.

No site do Banco Central é possível ver a relação de todas as instituições que receberam autorização da instituição para funcionar.

O que são ações?

Ações são títulos nominativos (aqueles que estão em nome de uma pessoa), negociáveis e que representam uma fração do capital de uma empresa. Quando a empresa tem capital aberto em Bolsa de Valores isso significa que ela dividiu seu patrimônio em diversas cotas – as chamadas ações – que podem ser compradas por investidores. Ao fazer isso, este investidor se torna também dono de uma parte da companhia. Se a empresa ou o setor em que ela está inserida vai bem, suas ações valem mais – e podem ser vendidas por um preço mais alto. Quando a empresa está mal, por sua vez, os preços de suas ações caem, gerando prejuízos de curto prazo ao investidor.

O que são títulos públicos?

Os títulos públicos são títulos emitidos pelo Tesouro Nacional. Eles são uma das maneiras utilizadas pelo governo federal para obter recursos para financiar atividades como educação, saúde e infraestrutura. Ou seja, ao comprar um título público, você empresta dinheiro para o governo brasileiro em troca do direito de receber no futuro uma remuneração por este empréstimo, ou seja, você receberá o que emprestou mais o rendimento combinado.

Ao que prestar atenção ao escolher uma corretora de valores?

Ações

Para investir em ações, as corretoras cobram as seguintes taxas:

  • Corretagem: pode ser um percentual sobre o valor de cada operação, uma taxa fixa ou um misto das duas. A taxa varia entre corretoras e dependendo do número de operações mensais que o investidor fará. “É muito importante pesquisar as taxas de acordo com a sua necessidade. Para quem pretende negociar muitas vezes ao mês um valor fixo pode ser mais vantajoso do que pagar por operação”, explica Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil. No site da B3 é possível ver uma lista de corretoras que atuam no mercado de ações.
  • Custódia: cobrada pela Bolsa de Valores, mas que deve ser paga para a corretora, que então repassa o valor para a Bolsa de Valores. O valor dessa taxa não é negociável.
  • Emolumentos, liquidação e registro: se refere ao serviço de negociação e incide sobre compra e venda de ações, sendo cobrada pela B3 sobre cada operação. Veja aqui as tarifas.

Tesouro Direto

Para investir em títulos públicos as corretoras costumam cobrar:

  • Taxa de custódia: cobrada proporcionalmente ao tempo em que o investidor mantiver o título. Ela é repassada à B3.
  • Taxa de administração: é um percentual cobrado sobre o valor investido na compra dos títulos. Clique aqui para ver quais corretoras não cobram taxas de administração.
  • Taxa de corretagem: pode ser cobrada anualmente, modalidade mais comum, ou por operação. É possível, no entanto, encontrar boas corretoras que não cobram essa taxa de corretagem, por isso vale a pena pesquisar. No site do Tesouro Direto tem-se acesso à lista de instituições habilitadas à negociar ativos públicos organizadas pela taxa que cobram.

No site de todas as corretoras é obrigatório existir uma tabela com os custos dos serviços que elas oferecem. Até porque estas são as taxas cobradas hoje, podendo mudar futuramente. Observe ainda quanto a corretora cobra para transferir o dinheiro da sua conta na corretora para a conta que você possui no banco. Não adianta escolher uma corretora que não cobra taxa para investimentos, mas que possui uma taxa alta para transferências.

Além das taxas avalie também os canais de atendimento oferecidos pela corretora. Busque por uma que se demonstre empenhada atendê-lo da melhor forma, oferecendo atendimento por telefone, e-mail e até bate-papo pela internet. Ao fazer isso, observe também o quanto quem o atende está qualificado e bem treinado para fazê-lo da melhor forma. Junto a isso, avalie a qualidade do site da corretora e o quanto ela disponibiliza informações detalhadas e didáticas para melhor instruir e informar seus investidores.

Como contratar uma corretora de valores?

Depois da escolha da corretora, é preciso preencher um cadastro no site da corretora, além de um questionário. “Esse é um questionário para que a corretora conheça seu perfil de investidor, não há resposta certa ou errada e é importante ser honesto nas afirmações”, diz Marcela. Após este preenchimento o investidor deve comprovar algumas informações através do envio de alguns documentos, como cópia de CPF, de algum documento de identificação (RG, CNH, Passaporte, etc.) e de comprovante de endereço. É comum também que a corretora peça a assinatura de uma ficha cadastral e/ou termo de adesão e contrato de intermediação.

O próximo passo é fazer um depósito na conta que a corretora informar. Essa conta terá um único propósito: o de viabilizar seus investimentos. O valor do depósito nesta conta dependerá de quanto você pretende investir. Se deseja investir R$500, deverá depositar R$500 mais o valor da taxa cobrada pela empresa. “A corretora desconta automaticamente o valor da taxa. Esse valor pode ser descontado no início da operação, durante o período no qual o dinheiro ficará investido ou no final. De qualquer forma, o investidor não deve se preocupar em deixar dinheiro nessa conta, a não ser quando for investir”, explica Marcela. É preciso, no entanto, fazer a compra da ação ou do título no site da corretora! Não adianta simplesmente fazer o depósito. E nada de pânico se, ao depositar, não visualizar o valor automaticamente na conta. Por questões operacionais, pode ser que só consiga consultar o depósito após alguns dias.

Por fim, sempre que executar uma ordem, ou seja, sempre fizer a compra de uma ação ou título, verifique no site da B3 ou no do Tesouro Direto para verificar se o título ou ação foi registrado no seu nome. Isso porque, caso a corretora venha a falir, você não perde seu dinheiro, apenas transfere suas ações e títulos para que sejam negociados por outra corretora.

Paula Aftimus

Jornalista com especialização pela State University of New York, editora de publicações e portais do Grupo Abril e do Grupo LANCE!, especialista em mídias digitais e marketing de conteúdo. MBA em Gestão Estratégica e Econômica de Projetos pela FGV.

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