Adolescentes

Dinheiro é limitado

Idas ao shopping, compras, passeios, revistas, games, CDs e DVDs… enfim, a lista de compra do adolescente parece infinita. E, para eles, parece também que o dinheiro não tem fim. E exatamente por isso é fundamental que você mostre o limite financeiro da família: há uma renda mensal, que é o salário e ganhos dos pais, destinada a vários gastos de rotina. Explique isso, claramente, ao seu filho.

É necessário priorizar coisas, escolher o que se vai comprar e saber que sempre há um limite nas despesas. A relação saudável com o dinheiro implica saber planejar, saber gastar, saber que é necessário fazer escolhas e aprender a poupar, pois os recursos financeiros não são infindáveis.

Cartão de crédito não é dinheiro!

É importante você orientar seu filho quanto ao uso do cartão, adolescentes já possuem grande tendência ao consumo e não possuem um senso de responsabilidade ainda muito apurado.

Se a opção é dar um cartão de crédito adicional ao filho adolescente, é bom ficar atento. Em primeiro lugar: muitos especialistas não recomendam essa prática, pois ela incentiva o consumismo e a perda de controle financeiro.

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Se seu filho já tem ou vai ter em breve um cartão de crédito, converse com ele de maneira muito clara, enfatize que a compra no cartão não sai de graça – e que, no final do mês, a fatura precisa ser paga. O ideal, inclusive é pagá-la integralmente. O diálogo e o limite de valores e do que pode se comprado devem estar sempre juntos nesse processo.

Mostre também que, se o valor total da fatura não for pago, haverá a cobrança de juros, que são muito altos. Estabeleça QUEM vai pagar a fatura (você ou ele, com a mesada que recebe).

E muito importante: veja, com a operadora do cartão, a possibilidade de deixar o adicional com um limite menor do que o limite do cartão do titular. Isso vai evitar dores de cabeça.

Essencial e supérfluo

Essencial: o que é necessário, indispensável.

Supérfluo: que ultrapassa a necessidade, que é mais do que se necessita; desnecessário.

Na definição do Dicionário Houaiss, é muito fácil compreender a diferença entre esses dois termos. Mas, na vida prática, a história é outra. E, em relação ao consumo, isso se torna ainda mais complexo. Na sociedade atual, o consumo passou a ditar padrões e comportamentos, estabelecendo uma valorização do TER em relação ao SER.

Essencial e supérfluo

Por isso mesmo, em algum momento da vida do adolescente, ter o último modelo de celular vai ser algo essencial. E você, como pai, tem o desafio de mostrar a ele que aquele celular NÃO é essencial à vida dele: essencial é ele ter afeto, poder ser acolhido, contar com a família, ter amigos, poder comer, beber, exercitar sua cidadania.

A proposta não é que você tenha uma atitude de excluir o consumo da vida da família. A perspectiva que você deve mostrar ao seu filho é que o consumo é, sim, relevante – é legal comprar um celular, uma calça nova etc. – mas esses objetos não são essenciais à vida dele.

Confissões de uma consumidora compulsiva

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Fique atento ao desperdício, aos gastos exagerados, às compras desnecessárias, ao valor que se atribui a marcas e grifes, que são formas de usar mal o dinheiro que você ganha. 

DICA

“Educar para o consumo” – Cássia D’Aquino e Maria Tereza Maldonado

Neste livro, as duas autoras abordam o consumo crescente entre as crianças e o papel dos pais para frearem o consumismo.

Influência dos amigos

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Na adolescência, o grupo de amigos é muito importante na vida do seu filho. E, muitas vezes, é ele que passa a definir o que é consumido pelo adolescente. É importante que os pais tenham atitudes positivas: converse com o filho, pergunte sobre os amigos, tente falar sobre os hábitos de consumo, comente que algumas coisas não são tão importantes (como trocar de aparelho celular sempre, apenas porque o “fulano” tem um aparelho super moderno).

Estabeleça limites e não tenha medo ao ouvir a famosa frase: “todo mundo tem, menos eu”. Afinal, as regras da sua casa são definidas por você, e uma conversa aberta e franca é sempre uma ótima escolha: diga que você não tem dinheiro para comprar aquele tênis ou, ainda, que não concorda com o seu valor.

Atenção ao bullying

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Você deve estar atento ao fato de que os padrões de consumo e a confusão entre ter ou ser têm levado a uma situação de sofrimento para muitos adolescentes. Muitas vezes, aqueles que não têm determinadas coisas – principalmente os aparatos eletrônicos e celulares – são excluídos do grupo. E isso pode até evoluir para uma situação de bullying, que se caracteriza pela prática de violência física ou psicológica de um aluno ou grupo de alunos contra outro. Se você começar a notar um comportamento diferente do seu filho – arredio, mais calado, inventando desculpas para matar aula – tente conversar com ele para saber o que está ocorrendo e procure a escola.

Lazer sem compras: um desafio

Cada vez mais, os shoppings têm sido o ponto de encontro dos adolescentes. Mas é importante deixar claro ao seu filho que os momentos de lazer não devem ser confundidos com momentos de consumo. Apresente a ele alternativas de programas e faça outros passeios com seu filho (ainda que o adolescente resista, para não “pagar mico”, vale insistir). Ir ao cinema para ver os filmes de que ele gosta é um bom começo – mesmo que a maioria das salas esteja em shoppings. Uma alternativa é buscar, na programação, sessões que terminam após o fechamento das lojas.

Lazer sem compras

É importante que a família não privilegie programas que envolvam consumo, pois os filhos podem considerar essas atividades como as únicas referências de prazer. Existem programas interessantes como visitas a parques e museus; outra boa alternativa é sugerir ao seu filho que chame os amigos para fazerem um lanche em casa, ou ainda assistirem a um filme. Pode ser muito divertido!

Veja mais opções:

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Mesada

Papel da mesada

Com essa lição prática do dia a dia, seu filho vai aprendendo como é possível se organizar para administrar o dinheiro. Ela é recomendada a partir dos 11 anos.

A  mesada não é uma obrigação. É você quem decide se deve dar esse dinheiro e qual será a quantia. Para definir esse valor de forma correta, converse com seu filho, veja como é a rotina, em que ele gasta dinheiro. Não mude o valor sem haver um motivo real. Lembre-se que seu salário não muda quando você quer.

Clique na imagem abaixo e confira algumas atitudes importantes para que esse processo seja um sucesso:

Mesada de adolescentes

 

Orçamento da família

Algumas empresas costumam agir da seguinte maneira: abrem a planilha de despesas e receitas para os funcionários entenderem qual é a realidade financeira dela. Que tal fazer isso em casa?

Orçamento familiar

Você pode chamar os filhos e “abrir a sua planilha”, mostrando qual é a renda de vocês e apontando todos os gastos, desde a mensalidade da escola até o lanche em um passeio. Assim, fica mais fácil para seu filho entender que o dinheiro tem uma fonte, é limitado e que os gastos precisam ter limite, não dá para comprar tudo o que eles querem. A definição de um orçamento da família, com a previsão de receitas e despesas, é um bom exercício para todos.

E não tenha medo de falar abertamente: se você não tem condições de comprar para os filhos os produtos da moda, converse e mostre a realidade. Hoje em dia, existem muitos produtos similares que podem ser adquiridos, caso seja essa uma prioridade.

Fique atento: Planejar o orçamento doméstico é uma atitude muito importante. É necessário definir prioridades, estabelecer metas e fazer escolhas. É uma ação que pode envolver toda a família. Aprender a controlar receitas e despesas ajuda a construir as bases para uma vida financeira saudável, com bem-estar e equilíbrio. Sem planejamento, você e sua família podem enfrentar muitos problemas. Saiba como na sessão “Estou em dia/ Minhas contas“.

Planejamento em conjunto

Planejamento em conjunto

É saudável chamar os filhos para participarem do planejamento financeiro da família. Um bom começo é utilizar as contas do dia a dia – água, luz, telefone, gás, compras do supermercado, lazer etc. – e mostrar que vocês podem economizar para realizar um sonho, como a viagem de férias à praia.

Primeiro, mostre quanto você gasta em cada conta mensal. Em seguida, explique que a viagem terá um custo extra para a família e que será necessário diminuir alguns gastos e priorizar outros. Será necessário, portanto, fazer um planejamento para que a viagem de férias seja possível.

Pergunte o que cada um pode fazer, no dia a dia, para ajudar a tornar real esse sonho da família – é possível economizar cortando gastos, como água, luz, lazer, compras desnecessárias. Veja mais na seção “Ações do dia a dia”.

Limites necessários

Desenvolver com a família um modelo de educação financeira não significa que você vai se tornar um “controlador dos desejos” de todos. Esse processo pode ocorrer de modo tranquilo, com objetivos definidos, metas, diálogo bem aberto, chamando o adolescente para uma atitude de autonomia e responsabilidade, sem cair no sermão e no discurso fácil.

Não há receita pronta, mas há condutas e orientações que você pode adotar para levar seu filho a ter uma relação saudável com o dinheiro.

Você não é cruel por tentar frear o ímpeto consumista do seu filho. Ele não vai ficar traumatizado se não puder ter o último modelo de celular.

Veja o que diz a filósofa Tania Zagury sobre alguns direitos dos pais:

Direito dos pais

– Fundamente e defina, de preferência sempre através de um diálogo franco e direto, normas e regras de conduta que regerão o dia a dia da família. Se, no entanto, o diálogo não funcionar, cabe aos pais a palavra final sobre qualquer tema, até que os filhos se tornem independentes do ponto de vista físico, emocional e financeiro.

– Proíba comportamentos, atitudes e até alguns tipos de roupas que coloquem em risco a segurança e a dignidade dos filhos. Podem também cortar algumas regalias, como a mesada, por exemplo, se perceberem uso indevido.

– Freie o apetite consumista dos filhos, através de conversas e/ou atos. Uma coisa é comprar um tênis ou uma jaqueta por necessidade; outra bem diferente é aceitar exigências quanto a marcas e grifes por capricho ou influências da sociedade de consumo.

Saiba mais:

“Os direitos dos pais – construindo cidadãos em tempos de crise”, Tania Zagury.

Poupar para priorizar os sonhos

Mostre a seu filho que aprender a poupar significa a possibilidade de realizar os sonhos projetados. Se ele, em vez de gastar sem controle, souber poupar e guardar um pouco do dinheiro, vai ficar mais perto de conquistar as coisas que deseja. Aprender a poupar é uma lição que vai ficar para toda a vida, levando seu filho a ter uma relação saudável com o dinheiro.

Poupar para realizar sonhos

Explique a ele que poupar não quer dizer parar de comprar, deixando de fazer todas as coisas legais que isso proporciona. Pelo contrário: significa aprender a planejar, aprender a escolher, aprender a priorizar para, dessa forma, ter a possibilidade de realizar suas conquistas, cada vez mais.

O exemplo abaixo mostra como é legal se planejar e guardar dinheiro para realizar um desejo ou um sonho. Faça isso com seu filho.

Poupando para realizar sonhos
Veja como Pedro fez para poupar e comprar seu computador.

Poupar para realizar sonhos

Propaganda e consumismo

A propaganda, muitas vezes, induz as pessoas a hábitos de consumo e de vida não compatíveis com a realidade. No Brasil, a grande porta de entrada ainda é a TV, mas as redes sociais (bastante frequentada pelos adolescentes) já merecem atenção. Você precisa estar atento a isso e saber que a exposição excessiva à propaganda pode induzir a um comportamento consumista entre os adolescentes.

Ciclo da propaganda

Veja como a propaganda influencia o adolescente

Ciclo da propaganda

O estresse familiar é outro efeito nocivo da propaganda que induz ao consumismo. As famílias, muitas vezes, não têm condições de atender a tantas exigências dos adolescentes, que querem o tênis X, o celular Y, a calça jeans Z… e muitas acabam sendo atropeladas nesse processo e se endividam para dar aos filhos um modo de vida que estão além de suas possibilidades. Outras têm condições financeiras e acabam fazendo “vista grossa” para um adolescente que passa a ver no consumo a chave da felicidade.

E é necessário que você tenha firmeza e possa orientar seu filho e limitar seus impulsos consumistas. Muitas vezes, são os próprios pais, sempre na melhor das intenções, que fomentam esse comportamento nos filhos.

Pensem um pouco sobre o fim de semana da sua família. Se o passeio preferido de vocês é o shopping center, visitando lojas e mais lojas, então, como esperam que seu filho vá ter uma relação saudável com o consumo? Ele vai associar o lazer, a convivência, o prazer a uma situação… de consumo!

Veja o vídeo do professor Clóvis de Barros Filho, consultor de Ética da Unesco, em que ele aborda um dilema crucial do mundo contemporâneo entre o SER ou TER.

No documentário produzido por Maria Farinha Filmes, também , vemos outros perigos da propaganda que, entre outras coisas, induz ao consumo de alimentos ricos em gordura e açúcar, contribuindo para aumentar a obesidade entre crianças e adolescentes. Confira em www.muitoalemdopeso.com.br

“Ah, não há mais nada para fazer”… Que tal um almoço ou lanche em família? Ou uma visita a parques ou museus? Sempre há alternativas além do lazer ligado a compras. Reflita e pesquise alternativas no www.catracalivre.com.br

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