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06 dezembro 2017

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Entenda, de uma vez por todas, como funcionam essas modalidades e porque os juros são uma armadilha para o seu bolso

Você já entrou no cheque especial e, no mês seguinte, reparou que parecia “faltar” dinheiro na sua conta? E você já pagou o mínimo do cartão de crédito e teve muito mais dificuldade de quitar sua dívida depois? Esses são apenas dois dos cenários mais comuns no cotidiano de muita gente. O que a maioria das pessoas não sabe é como realmente funcionam as taxas de juros dessas duas modalidades, que estão entre as mais altas taxas do mercado.  Por exemplo: de acordo com uma pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), 26% dos consumidores possuem cheque especial disponível para uso no banco, mas 51% destes não sabem os juros cobrados.

Por isso, nós resolvemos esclarecer, definitivamente, porque usar essas modalidades sem planejamento pode ser um risco grande:

Cheque especial

É aquele dinheiro que o banco coloca à sua disposição e vai além do valor que você realmente tem na conta. Além disso, a cobrança funciona de uma maneira bem discreta: a taxa para você poder usar esse serviço é mensal e é cobrada automaticamente no dia que você definir junto ao banco. Essa cobrança se refere aos juros sobre o valor que você usou e ao período de utilização do limite. Se você não controla muito bem a conta, às vezes nem percebe o quanto pagou de juros, mas a taxa é alta.

Para se ter ideia, em outubro de 2017, a taxa de juros do cheque especial chegava a cerca de 324% ao ano, ou 13% ao mês. Para entender melhor o que significa uma taxa de juros dessa dimensão, nossa economista-chefe, Marcela Kawauti, nos ajuda com uma conta simples:

Vamos começar com uma dívida inicial de R$ 1.000,00. Depois de 1 mês utilizando o cheque especial, a dívida passa a ser de R$1.128. Depois de seis meses passa para R$2.058 e em um ano sem pagar você já deverá para o banco R$4.237. Para se ter ideia, hipoteticamente, caso o banco deixasse o valor rolar sem cobranças, o que não acontece, em 5 anos sua dívida seria de mais de 1 milhão de reais. “Com a movimentação da conta, parte do valor acaba sendo descontado automaticamente e as pessoas, muitas vezes, não percebem que estão pagando tanto por um empréstimo”, avalia Kawauti. Além disso, vale lembrar que, ao deixar de pagar uma dívida quando, por exemplo, você não tem dinheiro na conta para ser debitado, seu nome pode ficar negativado.

 

Cartão de crédito

Com ele, você faz compras e paga sua dívida em uma única data, combinada entre você e o banco. Quando você tem um controle exato das suas finanças, o crédito é uma boa opção por causa da comodidade, acúmulo de pontos ou milhas e outros benefícios. O problema começa quando, ao chegar a fatura, você percebe que não conseguirá pagar o total. Isso porque o banco te dá a possibilidade de pagar o mínimo (15% do total). Com a nova lei, que entrou em vigor em abril deste ano, o perigo do endividamento descontrolado diminuiu em partes, já que se o consumidor não pagar o valor total da fatura na data do vencimento, ele só pode permanecer no crédito rotativo até o vencimento da fatura seguinte, impossibilitando a sua renovação mês a mês de maneira indefinida. Depois de um mês no rotativo, caso o cliente não tenha dinheiro para quitar integralmente a dívida, ela passa a ser parcelada com juros menores. Ou seja, uma dívida com taxas de juros que chegava a 490% ao ano foi trocada por uma com taxa média de 160%.

Então isso quer dizer que o risco de se endividar com o cartão não existe mais? Nada disso. Para nos ajudar a entender que o problema ainda é sério, Marcela Kawauti calculou qual o valor final que o consumidor pode pagar por uma pendência inicial de R$1.000 no cartão atualmente. Com taxa de juros ao ano de 228% no rotativo e 165% no parcelado, em um mês já teríamos que pagar R$1.104,00. Caso o consumidor parcele esse montante em 6 vezes, no final do período terá pago R$1.454,68 e, em doze parcelas, a dívida final chegará a R$1.803,75. Parcelando a dívida em 5 anos, o valor total pago no final terá sido de R$5.672,86.

 

Layout tabela cartao

 Qual a saída?

Resumindo, quando você se vê encurralado e perceber que precisa de uma grana extra, pare e analise sua situação antes de entrar no cheque especial ou utilizar o cartão de crédito sem planejamento. Lembre-se desses números para conseguir um ânimo extra e procurar outras alternativas de pagar suas contas na data do vencimento.

Para isso, se organizar financeiramente é essencial. O diagnóstico financeiro, por exemplo, te ajuda a entender o que está acontecendo e onde você pode economizar. Depois, caso você chega a conclusão de que realmente precisa de ajuda extra com a renda em algum mês, pode pensar em outras possibilidades, como o empréstimo pessoal, que tem a taxa menor que a do cartão de crédito e do cheque especial.

Outra alternativa é o empréstimo consignado que, em alguns casos pode ser uma opção interessante..

Mas nunca esqueça: uma situação difícil, muitas vezes, pode ser resolvida com planejamento e alguns cortes no orçamento. Para te ajudar nessa tarefa, veja as 10 ações que vão te ajudar a não passar mais aperto.

 

Natália Chagas

Jornalista, com especialização em marketing e vasta experiência em revistas e portais de notícia. Foi editora de mídias digitais do grupo GR1 Editora e produziu conteúdo para diversas publicações do Grupo Abril, Editora Globo, Folha de São Paulo, entre outros.

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