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15 dezembro 2017
aposentadoria-economizar
Levantamento do IBGE aponta que longevidade da população aumentou. Você está preparado para viver mais tempo mantendo o padrão de vida atual? Saiba quais cuidados tomar para garantir uma aposentadoria sem apertos financeiros

Levantamento recente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) indica que a expectativa de vida aumentou no país. As novas análises, baseadas em estatísticas de mortalidade, apontam que as novas gerações viverão cada vez mais. Segundo informe divulgado em 1o de dezembro, a expectativa de vida de uma criança nascida em 2016 era 75 anos, nove meses e sete dias. É um aumento de três meses e onze dias em relação a uma nascida em 2015. Pode parecer pouco, mas a evolução confirma a tendência bastante clara de aumento de longevidade nas últimas décadas. Para comparação, em 1940 a expectativa de vida média no Brasil era de 45 anos. Vivendo cada vez mais, aumenta a importância do planejamento financeiro e de economizar, de olho na aposentadoria.

Tem dificuldade de economizar para daqui 20, 30 anos? Você não está sozinho. Na verdade, segundo a psicóloga econômica Vera Rita de Mello Ferreira, essa é uma característica do ser humano: “a maior parte da vida da espécie humana transcorreu em períodos extremamente curtos comparados à longevidade que vivemos hoje. Isso significa que a nossa mente foi treinada a sobreviver a cada momento, não necessariamente pensar no longo prazo”. Pensar sobre o futuro agora, no entanto, é fundamental para se preparar e assim garantir uma aposentadoria tranquila. E o que é uma aposentadoria tranquila? Poder viver com um padrão de vida que possibilite arcar com as despesas sem apertos, tendo boa alimentação, condições de cuidar da saúde e também de bancar momentos de entretenimento, como passeios e viagens.

Assim, que tal aproveitar o fim de 2017 para fazer um balanço de seus gastos e necessidades reais e, com a virada do ano, repensar as economias olhando lá na frente? Que tal, em vez de gastar todo o décimo terceiro em compras de Natal, investir uma parte do valor pensando em garantir que seu padrão de vida não mude quando se aposentar? E que tal se planejar para guardar uma parte dos seus ganhos todos os meses em 2018?

Uma mudança comportamental x prática

“A parte do cérebro que é ativada quando pensamos em guardar dinheiro para o futuro é a mesma ativada quando pensamos em dar dinheiro para um estranho, ou seja, vejo o meu eu futuro como se fosse outra pessoa”, explica Vera Rita. Juntando isso à nossa existência de séculos sem o hábito de se preocupar com o futuro e o que temos é uma dificuldade real de guardar dinheiro hoje pensando em gastá-lo só no longo prazo. “É preciso buscar informações, se planejar para o futuro, e, ao mesmo tempo, combinar ações que minimizam o stress de ter que resistir ao gasto no presente”, diz a psicóloga econômica. Basicamente, como deixar de obter prazer gastando no presente é estressante e difícil, além de buscar conhecimento para lidar com as finanças pessoais, devemos também recorrer a atitudes como, por exemplo, descontos automáticos dos rendimentos, direcionando-os para uma conta de aplicação. Assim não somente evita-se o gasto como também garante-se que o valor não seja apenas economizado, como também investido. No próprio banco você pode programar essa transferência automática.

Poupar como um hábito

“É preciso transformar em hábito a necessidade de poupar todos os meses”, sugere o educador financeiro do SPC Brasil, José Vignoli. Ele explica que aprender a guardar dinheiro é o caminho para construir patrimônio, realizar planos e criar as bases para um futuro tranquilo. Com o hábito de economizar incorporado à rotina, fica mais fácil concretizar sonhos e garantir uma aposentadoria segura. Além da reserva para a realização de sonhos, como comprar uma casa própria, e a reserva para imprevistos, é importante incluir a aposentadoria neste pacote, fazendo um hábito economizar para estes três fins distintos – inclusive aquele montante no qual não tocará por uns bons anos, que é o para o futuro. “Se aposentadoria não for um nome atraente, dê outro nome”, explica Vera Rita, sugerindo que a pessoa pense em algo que gosta, que facilitaria o esforço de guardar o dinheiro, como “viagem ao redor do mundo”, por exemplo. Outra dica da psicóloga econômica é pensar que não está guardando 300 reais por mês, mas sim 10 por dia. Dessa forma a economia fica mais palatável.

Como guardar o dinheiro economizado?

Além de criar o hábito de economizar, parte do planejamento financeiro envolve também estudar quais são as melhores opções para aplicar e manter o recurso. Se a ideia é ter segurança amanhã, o conselho é resistir à tentação de tentar multiplicar as economias rapidamente com aplicações de risco, e optar por investimentos mais conservadores. Entre as principais opções para quem está pensando no futuro estão a poupança, a previdência privada e o Tesouro Direto.

Previdência privada

A previdência privada e o tesouro direto são opções interessantes para quem pode se comprometer a investir e deixar o dinheiro parado por períodos mais longos. No caso da previdência privada, há diferentes opções, com taxas que variam de banco para banco, e vale pesquisar bem antes de começar a aplicar as economias – veja dicas de como escolher a melhor opção. Em linhas gerais, os planos preveem o pagamento de uma quantia fixa todo mês, com rentabilidades e taxas que variam de instituição financeira para instituição, bem como os prazos para sacar o investimento, com diferentes penalidades previstas. Uma desvantagem considerável é que tais investimentos não são cobertos pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito).

Tesouro Direto

O tesouro direto, por sua vez, pode ser uma boa opção para investimentos por seu rendimento, que em geral é superior ao da poupança e da previdência, mesmo considerando a incidência de Imposto de Renda. A principal desvantagem é a necessidade de manter o dinheiro parado. Não respeitar as datas de vencimento dos títulos e tentar resgatar o valor antes da hora estabelecida pode implicar no comprometimento de parte dos rendimentos.

Poupança

A poupança é uma forma bastante simples e fácil de guardar dinheiro. É possível investir e sacar recursos da poupança a qualquer momento sem penalidades em taxas administrativas e do Imposto de Renda, e ela ainda é protegida, assim como outros investimentos, em caso de falência do banco, em até R$ 250 mil pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O lado ruim é que, apesar de garantir uma atualização mínima, a poupança costuma ter rendimento muito menor que o de outras aplicações. Em resumo, trata-se de uma boa opção para a aposentadoria apenas para quem não tem o hábito de poupar e quer iniciar de alguma forma. A quantia que for colocada na poupança pode ser depois direcionada para outro investimento de maior rendimento.

Outros investimentos

Alternativas como fundos de renda fixa, CDBs e outras modalidades de investimento também podem ser consideradas. O ideal é pesquisar opções e consultar diferentes possibilidades antes de se comprometer, sempre tendo em mente que não existe fórmula mágica para enriquecer rapidamente e, se a ideia é assegurar uma aposentadoria tranquila, o ideal é procurar opções com mais garantias.

Procure garantir seus direitos

Além da economia e do planejamento financeiro pessoal, um bom conselho também para quem está pensando no futuro é ficar atento e procurar se informar. A previdência pública e outros benefícios sociais podem fazer a diferença em momentos difíceis e é importante procurar sempre ler e pesquisar sobre direitos e manter documentos pessoais em ordem. O site da INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) traz detalhes sobre os benefícios previstos em lei e permite verificar se empregadores efetuaram as contribuições previdenciárias devidas.

Paula Aftimus

Jornalista com especialização pela State University of New York, editora de publicações e portais do Grupo Abril e do Grupo LANCE!, especialista em mídias digitais e marketing de conteúdo. MBA em Gestão Estratégica e Econômica de Projetos pela FGV.

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