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28 maio 2018

Falar sobre dinheiro com a família nem sempre é fácil, mas está longe de ser impossível!

Você sabe quanto seu parceiro ganha? Caso sua resposta seja positiva, saiba que há uma parcela significativa de brasileiros que não sabem! Uma pesquisa realizada pelo SPC Brasil, em parceria com a CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas), mostrou que 47,6% dos brasileiros não sabem exatamente quanto o cônjuge ganha. Isso corresponde a praticamente 1 em cada 2 pessoas!

O estudo também mostrou que o hábito de discutir o orçamento familiar com o cônjuge e com outros membros da família é pouco frequente: apenas 43,7% das famílias brasileiras conversam sobre o assunto em seu dia a dia. Já 22,9% apenas o fazem quando a situação financeira está ruim.

Mas não é preciso esperar chegar nesse ponto para discutir finanças – nem é saudável que isso ocorra. “Ter metas financeiras claras – sejam elas conjuntas ou individuais – e compartilhá-las com o parceiro pode evitar muitas brigas e desgaste dentro do relacionamento”, diz Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil.

Para a economista, o ideal é que o assunto seja tão natural quanto outras tarefas domésticas, como cozinhar, lavar e passar. “Muitas vezes, um dos dois tem mais familiaridade ou facilidade para lidar com o tema, mas a responsabilidade deve ser conjunta”, diz.

Como conversar sobre dinheiro em casa

Como falar de dinheiro mantendo a individualidade e parceria?

Nem sempre é preciso ter uma conta corrente ou um cartão de crédito conjuntos. Eles têm a vantagem de centralizar os gastos e salários do casal, mas não são a única forma possível de organização. “É importante que o casal converse, exponha suas vontades, objetivos financeiros e sonhos de consumo, diga quais gastos não gostaria de abrir mão e quais informações não se sente à vontade em compartilhar. Assim, chega-se a um meio termo para se organizar financeiramente”, sugere a economista.

E, ainda que existam contas pessoais, é preciso que todos conheçam sua própria renda familiar (soma da renda de todos que contribuem financeiramente na casa) – e tenham uma boa noção de tudo o que entra e sai dela. A partir daí, devem surgir os planos e compartilhamento de objetivos.

“A conta pessoal continua sendo importante, mas os gastos individuais não podem afetar os planos conjuntos”, observa o educador financeiro do SPC Brasil, José Vignoli.

“Não há uma fórmula pronta, mas uma sugestão para facilitar a administração de receitas e despesas na família. Primeiro, some o salário do casal. Com esse total, pague as contas fixas, direcione uma quantia para a reserva financeira conjunta e o que sobrar pode ser dividido igual para os dois. Esse valor cada um gasta com o que quiser, mantendo sua individualidade”, orienta Marcela.

Já os objetivos maiores, como uma viagem ou um carro novo, devem ser vistos em conjunto. Nesse caso, o casal pode combinar de reduzir a parcela individual de cada um a partir do próximo mês. O importante é que a porta para o diálogo e os acordos esteja sempre aberta.

Faça o teste: descubra se você sabe administrar o dinheiro da família.

Confira, a seguir, como quebrar o tabu e aprender a conversar sobre dinheiro em casa em 3 passos:

Passo 1 – identificando despesas e criando um planejamento

O passo inicial é identificar onde o dinheiro da família está sendo gasto. Converse com seu companheiro, abra suas despesas fixas e conheça todas as dele. É neste momento que se abre o jogo quanto ao salário de cada um, para a definição das metas financeiras, planos e sonhos. Juntos, vocês podem criar uma planilha de controle e orçamento familiar.

Combinem como lidarão com o dinheiro: abrirão uma conta conjunta? Terão cartão de crédito? Como manterão a individualidade de gastos? “Esse papo deve definir a forma como o casal vai lidar com o dinheiro, a fim de evitar uma conversa emergencial, mais desagradável, que ocorre naquele momento crítico quando um dos dois já está endividado ou quando as contas da família já foram extrapoladas”, explica Marcela.

Após esse planejamento inicial, vocês não precisam se reunir todos os meses para preencher a planilha ou pagar as contas, por exemplo. Pode ser que um dos dois tenha mais familiaridade ou que goste mais dessa tarefa. Não há problema nenhum nessa pessoa ficar responsável por cuidar do operacional. O importante é que as regras do jogo estejam combinadas em conjunto.

Passo 2 – cortando despesas

Após montar um plano base e identificar as despesas, é hora de decidir o que não deve ser mantido como gasto essencial.

Assim, na hora de definir as despesas fixas, é preciso ser empático com o outro. Afinal, a definição de supérfluo deve ser analisada com cuidado – o que, para um, pode ser dispensável, para o outro não é. O ideal é que cada um ceda um pouco, para que cumprir o planejado não se torne um mártir ou algo impossível.

“Com as finanças em ordem, o assunto fica menos estressante e pode ser revisado regularmente. Em uma situação assim, mesmo com o cinto apertando, qualquer tomada de decisão fica mais fácil de ser implementada. O segredo é evitar ser surpreendido”, diz José Vignoli, educador financeiro do SPC Brasil.

Confira os principais erros na hora de administrar as finanças em família.

Passo 3 – inserindo as crianças na conversa

Com o planejamento definido, é hora de deixar os outros moradores da casa por dentro do assunto. Neste momento de inserção dos filhos, é preciso considerar a idade, pois ela influenciará na sua abordagem.

Por menor que seja a capacidade de compreensão dos pequenos, podemos exercitá-los com coisas simples na rotina. Que tal, por exemplo, dar um cofrinho ao seu filho para que ele entenda que juntar certa quantia demanda tempo e esforço? Ele pediu um presente? Ensine-o a economizar dinheiro, depositando moedinhas juntos no cofre.

“Isso fará com que a criança entenda que para conseguir algo é necessário paciência e disciplina. Ainda verá que, no fim das contas, sempre temos uma boa recompensa por nossos esforços”, diz Bruno Gervanosi, coach financeiro.

Dessa forma, além de já tomarem desde cedo contato com alguns conceitos básicos de educação financeira, passam também a ter noção de limites.

Essa conversa é ainda mais importante quando a família se encontra endividada ou com as contas apertadas. A criança deve entender que todo o grupo está se esforçando para economizar e que ela deverá ajudar como puder: tomando banhos mais curtos e desligando as luzes para economizar na conta ou abrindo mão de mais um brinquedo novo naquele mês, por exemplo.

Os maiores podem ainda receber uma mesada, com a tarefa de administrar seus desejos dessa quantia. “Um adolescente com mais de 15 anos que já tem uma carga de informação suficiente para entender as eventuais necessidades da família”, diz Vignoli.

Veja mais: como organizar as finanças da família.

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