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14 fevereiro 2018

Inconscientemente, você mesmo pode sabotar as suas finanças. Reconheça seus principais sabotadores e dê novo rumo à sua vida financeira!

Todo mês, você se compromete a economizar, mas nunca consegue, pois surgem compromissos ou gastos “inadiáveis” que falam mais alto. Alguns, como um conserto em casa, são gastos extras realmente inadiáveis. Outros, no entanto, podem ser ciladas que sua mente cria para que você não tenha que sair da inércia para buscar resolver as coisas. Por exemplo, você nunca coloca seus gastos no papel porque diz não ter tempo. Na verdade, essa falta de tempo pode ser uma forma inconsciente para lhe proteger de descobrir um problemão: sua falta de controle financeiro.

Chamadas na psicologia de vieses, essas ciladas são atalhos mentais previsíveis do ser humano diante de situações que causem dúvidas ou medo. Mas é importante saber que você tem escolha – é possível romper sua própria barreira para mudar e deixar de seguir um comportamento repetitivo, como ficar inventando desculpas para não ter que gerenciar seu orçamento ou ainda gastar frequentemente com algo que você não precisa, mas não se dá conta.

“Os vieses dificultam nossa vida na hora de fazermos escolhas, prejudicando a tomada de decisão sobre dinheiro ou sobre qualquer outro assunto”, explica Vera Rita de Mello Ferreira, consultora de psicologia econômica e de educação financeira.

Conheça os principais comportamentos sabotadores e aprenda a dominá-los para ganhar controle de sua vida financeira. Afinal, você manda na sua mente – e não ao contrário!

1. Ilusão de dinheiro ilimitado com cartão de crédito

O cartão de crédito dá a sensação de que você pode comprar tudo o que quiser. Afinal, a data de pagamento é sempre no mês seguinte.

Isso pode criar a ilusão de que você sempre tem dinheiro para gastar, ainda que isso não seja verdade, principalmente se você não acompanha o crescimento da sua fatura no dia a dia.

O que fazer?

“Se você acredita que tem crédito sem fim, ou seja, que a conta do cartão de crédito nunca vai chegar, e costuma se enrolar com o cartão, acostume-se, então, a deixá-lo em casa e a comprar o que precisa em dinheiro. Use o cartão apenas quando houver necessidade de parcelar compras sem juros e de maior valor e sempre mantenha um rígido controle da sua fatura”, aconselha Marcela Kawauti economista-chefe do SPC Brasil.

Veja como não se endividar usando o cartão de crédito.

2. Otimismo exagerado: pequenos gastos não pesam

Aquele café diário, guloseimas e comprinhas de baixo valor pesam, sim, no bolso. Mas, muitas vezes, a pessoa sequer se dá conta disso. Pelo contrário, mantém uma postura otimista de “tudo vai dar certo”, sem tomar as devidas precauções para mudar a forma como gasta seu próprio dinheiro.

O que fazer?

“A dica aqui é estipular um valor diário para gastar com coisas que deseja e não ultrapassá-lo”, diz Marcela. “Você pode também separar um valor mensal para esses gastos de forma que eles estejam planejados e não sabotem o orçamento”, completa.

3. Vergonha de dizer não

Toda sexta-feira, a galera do trabalho vai para o mesmo happy hour. Você está apertado financeiramente, mas não consegue dizer não, pois sente vergonha e medo de mudar seu comportamento – é mais fácil seguir o que todos estão fazendo.

Pois saiba que este viés, chamado de comportamento de manada, é bastante comum. Ele consiste em seguir o que todo mundo faz mesmo quando isso pode ser prejudicial a você.

sabotadores financeiros

O que fazer?

Primeiro, coloque seus gastos referentes ao happy hour semanal no seu planejamento financeiro e veja o quanto pode gastar para este fim. Se o valor do happy hour semanal for mais alto do que o seu orçamento, defina que reduzirá para duas saídas mensais, ou seja, você irá a cada 15 dias apenas.

Aproveite o tempo que ganhar para chegar mais cedo em casa e fazer algo que gosta, como tomar um banho relaxante ou preparar um prato que você ama. Muitas vezes, você vai perceber que não precisava daquele antigo hábito para ser feliz. “A mente humana vive em meio a conflitos, não sabemos exatamente o que queremos. Então, tendemos a jogar dinheiro fora atrás de coisas caras, achando que isso trará satisfação e felicidade”, explica Vera Rita.

4. Medo de colocar os gastos no papel e descobrir um problemão

Chamado de efeito avestruz, esse comportamento aborda a tendência de ignorar informações ruins para evitar desconfortos decorrentes desta situação. Muita gente não encara os problemas financeiros por conta do desconforto que eles geram, mas acabam com uma dor de cabeça ainda maior quando se deparam com uma dívida muito alta ou a inadimplência.

O que fazer?

“É importante lidar com o problema o quanto antes. Ainda mais quando falamos de finanças, em que problemas pequenos, rapidamente, se tornam enormes”, diz Marcela. Portanto, coloque seus gastos no papel, some, analise e enfrente a sua situação financeira. Para se organizar, você pode usar este simulador.

5. Tendência a se manter em uma situação inerte!

É comum, inconscientemente, oferecermos resistências a mudanças. Afinal, criar um novo hábito exige disciplina e ajustes nos hábitos, enquanto continuar fazendo o que sempre fizemos e manter a inércia é mais fácil. Esse viés é chamado de status quo:

São tantas contas que você acaba perdendo prazos e paga multas absurdas por causa disso, além de juros e cobranças. Ou ainda: mesmo que você não atrase seus pagamentos, você não sabe exatamente o quanto entra e o quanto sai da sua conta por simples desatenção. Inconscientemente, essa distração toda pode estar associada à tendência a manter seu status quo, ou seja, seu estado atual, de conforto ou ignorância em relação às suas finanças ou a seu comportamento.

O que fazer?

“Coloque todos os gastos fixos no papel. Inclua contas que ficam no débito automático ou no cartão de crédito, como tarifa bancária, anuidade e até pagamentos de aplicativos de música. Some e veja a quantia que sai da sua conta sem você perceber. Então, corte as menos necessárias”, aponta Marcela.

Como mudar de vez?

Esses comportamentos parecem estar gravados no subconsciente, mas são possíveis de serem mudados. O primeiro passo é identificar os sabotadores que te rodeiam e o que eles estão lhe impedindo de fazer. E aí, com quais ciladas você se identificou? Como elas estão atrapalhando a sua vida? Registre tudo isso!

O segundo passo é reafirmar as razões para você seguir seu objetivo e conseguir mudar. Escreva: “Estou tentando economizar para…” Lembre-se: você pode ter sonhos de curto, médio e longo prazo.

Diariamente, olhe essa lista feita por você e observe o que te leva a gastar sem pensar. Dê um passo de cada vez, até que seus novos hábitos tenham se tornado rotina e você tenha pleno controle sobre seu comportamento e vida financeira. É possível!

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