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Na atual crise em que vivemos, alguns fantasmas de um passado recente voltam a nossa mente e, para alguns, esses fantasmas são tristes novidades com as quais terão que se acostumar, combater e vencer. Inflação, desemprego, dificuldades, provações…

Estou falando de toda uma geração, a chamada “geração Y”, que nasceu e cresceu em um Brasil diferente, sem inflação, com crédito fácil, dando acesso a bens materiais, antes quase que impossível de serem conquistados. Cresceram em lares cujos pais se deslumbraram com tudo o que lhes era oferecido – com pagamento em suaves prestações: casa, eletrodomésticos, eletrônicos, viagens de avião, entre outros, e culminando esta euforia no maior símbolo de status de alguns brasileiros, o automóvel.

Neste contexto também ressurgiu o crédito educativo, o FIES (que não foi invenção de agora e cujo final não foi feliz), que levou muitos jovens – não tão preparados – para os bancos universitários, nem sempre de qualidade, em busca de maior conhecimento e melhor chance de inclusão no mercado de trabalho que, até então, não existia.

Muito cômodo, eu diria. Os avós, cuja história nem é lembrada, viveram enormes sacrifícios; os pais herdaram, na infância, estas dificuldades; para compensar o passado triste na “festa” do consumo fácil procuraram evitar, ao máximo, que seus filhos fossem contaminados por estas “histórias negativas”. Assim, nada se repetiria e os filhos não precisariam passar pelas mesmas dificuldades.

Mesmo nessa situação confortável, percebemos uma atitude interessante dos jovens exteriorizando seus estresses, a dificuldade em lidar com pressões e transtornos do dia a dia. Mesmo sem base científica ou estatísticas, quantas histórias já ouvimos sobre filhos de amigos que desistiram dos estudos no decorrer dos cursos universitários, pois descobriram que não era bem aquilo que queriam, ou resolveram fazer um sabático, ou ainda trancaram as matrículas para pensar qual caminho seguir. Conheço jovens (já não tão jovens) que até pediram demissão de seus empregos para repensar a carreira; isto quando não repensam também os relacionamentos aparentemente “estáveis” e terceirizam os cuidados daquele filho gerado “por acidente” para os avós. Como se diz, simples assim.

Esta situação não escolhe classe social. Temos também fora dos grandes centros e nas periferias das grandes cidades jovens da geração “nem-nem” (nem trabalham, nem estudam), cuja atenção dispensada deve ser ainda maior. Os índices de desemprego, quando examinados com mais atenção, revelam uma alarmante taxa de 25 por cento, na faixa entre 18 e 24 anos, o que explica, em parte, os altos índices de criminalidade, o campo fértil de sedução do narcotráfico e um futuro pra lá de incerto.

Faltou educação financeira? Faltou, mas ela é parte de um processo; aliás, faltou mais do que isso. Faltou a preservação de valores, de princípios, de conversa familiar e até mesmo de carinho. Tudo é medido por bens e ostentação. O sucesso, medido pelo tamanho do automóvel, do celular, do relógio, do tênis e das grifes não leva a lugar algum e não se traduz em felicidade.

Quem sabe, as dificuldades atuais não sejam uma oportunidade de reflexão para alinhamento de valores e de princípios.

Conhecer a história dos seus antepassados pode ser um bom começo.

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