Diariamente a mídia relata o envolvimento de jovens “de boa família” em delitos graves. Os pais têm agora novo tormento: temer que os filhos se envolvam em atos ilegais. Quando a sociedade parece ter abandonado os valores que nos humanizam, induzindo de forma incansável ao consumismo e ao prazer a qualquer preço, a melhor estratégia que os pais podem adotar é conjugar forças com quem se dedica verdadeiramente à formação das novas gerações – a escola.

Quanto mais adversa é a situação social, maior a importância da união entre ambos. O trabalho começa na escolha da escola, decisão que deve se nortear pela identificação de instituição cuja proposta educacional se coadune com a da família. Quanto mais próximas, maiores as chances de sucesso. Infelizmente o que se vê hoje são desentendimentos frequentes que colocam família e escola em campos opostos. Cada lado se arma contra o outro, analisando sem generosidade as mínimas ações de cada um, como se inimigos fossem! E, no entanto, quando pais e escola brigam, os maiores prejudicados são as crianças e jovens. Ao optar por uma escola com propósitos semelhantes aos seus, a confiança na instituição cresce e os conflitos tendem a ser raros. Não termina aí, porém, o trabalho, porque a prevenção à marginalidade exige longo e paciente percurso, no qual os limites e o respeito às regras sociais têm papel relevante. Uma das tarefas da família é consolidar nas crianças a ideia de que estudos não são negociáveis.Nem tanto pela obrigatoriedade legal, mas porque é preciso que nossos filhos estejam positivamente ocupados. Ensinar a respeitar o saber e a ter objetivos na vida são o melhor legado que pais podem dar aos filhos. Significa zelar pela organização e cumprimento das tarefas e pelo apoio à escola. Pais não precisam nem devem corrigir o trabalho dos filhos, mas supervisionar seu cumprimento e a formação de hábitos de estudo. Começando na Educação Infantil esse valor estará incorporado lá pela 4ª série. Daí em diante é estabelecer horários de estudo e acompanhar com regularidade mensagens do colégio, para assim manter-se a par da situação dos filhos. Importantíssimo é não desautorizar a escola. Não que ela não erre nunca; mas é preciso pesar a real importância de uma ou outra falha frente a ganhos e progressos globais. A confiança dos alunos nos professores é tão essencial que vale a pena abrandar a tendência a “cobrar medidas imediatas” e só procurar a escola de cabeça fria. Instituições de qualidade estarão sempre abertas a ouvir (não significa atender sempre!). Num momento em que tantos estímulos induzem nossos filhos a más escolhas, precisamos agir de forma que não os leve a desrespeitar quem a eles se dedica.

Faça observações diretas e construtivas: mas vá à escola e apresente suas ideias – sem prejulgamentos. Enquanto brigamos com nossa melhor aliada, “o inimigo” aproveita para cooptar os jovens, reforçando ideias como subir na vida sem esforço, fazer só o que dá vontade, consumir sempre mais (aí entram as drogas!).

Podemos ganhar a guerra; mas não se gastarmos energia brigando com quem está verdadeiramente do nosso lado.

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(*) Filósofa, Mestre em Educação, Professora Adjunta da UFRJ, Conferencista, Pesquisadora e Escritora, com 24 livros publicados no Brasil e no exterior.

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