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Há trilhas em nossa vida que são difíceis e desafiadoras, como essa que fotografei na Suíça.

“Eu me separei há um ano e, no fim de semana passado, minha filha foi para a casa do pai, que apresentou a namorada. Ela voltou chateada, e quis dormir na minha cama. Será que eu deveria falar com ele para evitar o contato da menina com essa namorada? Não quero que minha filha sofra”!

Proteger os filhos de todo e qualquer sofrimento é missão impossível. E desnecessária. Tristeza, frustração e decepção fazem parte da vida desde os primeiros anos de vida. Tiramos da mão da criancinha um copo de vidro que ela pegou antes que pudéssemos evitar, e ela chora desconsolada com essa frustração. A melhor amiga escolhe outra criança para ser a “melhor amiga”: essa rejeição provoca grande sofrimento. Ela se apaixonou por um garoto, mas descobre que está interessado por outra: essa decepção provoca uma tristeza profunda.

Estimular crianças e adolescentes a criar recursos para atravessar o sofrimento e se fortalecer com ele é instrumento básico de sobrevivência em um mundo cada vez mais instável, incerto e imprevisível. Escutar com sensibilidade a expressão da tristeza, da desilusão e da frustração transmite acolhimento e segurança. Em seguida, é o momento de vislumbrar outros caminhos para se adaptar às mudanças inevitáveis e aproveitar o que há de melhor em cada circunstância.

A transição para outro tipo de composição familiar envolve sofrimento, mas é possível estruturar dois lares harmônicos. Nesses lares, os filhos se sentem bem cuidados por pai e mãe que deixaram de compor um casal. É claro que há áreas de risco na separação, quando os sentimentos de mágoa e decepção se transformam em ódio e desejo de vingança, intensificando os ataques recíprocos entre os ex-cônjuges. Isso coloca crianças e adolescentes no meio da linha de fogo e gera um sofrimento que poderia ser evitado se os adultos colocassem em primeiro plano a responsabilidade compartilhada de criar os filhos da melhor forma possível.

Há circunstâncias mais dramáticas de sofrimento intenso pelas quais milhões de crianças e adolescentes em todo o mundo estão passando em zonas de guerra, em migrações decorrentes de desastres climáticos, em campos de refugiados, em comunidades nas quais predomina a linguagem da violência e da barbárie. Muitos ficam profundamente traumatizados com esses sofrimentos devastadores. Outros conseguem desenvolver resiliência – a capacidade de criar recursos para enfrentar adversidades – e encontram saídas para situações desesperadoras. E há os que, criando força para a superação, desenvolvem a solidariedade e ajudam outras pessoas em situações semelhantes a criar recursos para enfrentar o sofrimento e construir a melhor vida possível.

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