Infelizmente, meu casamento não deu certo… Acabamos de nos separar, depois de sete anos juntos – lamenta Adriana, com a voz embargada.

O que deu certo, no decorrer desses sete anos? Passaram um tempo apaixonados, decidiram viver juntos, compartilharam planos, realizaram alguns sonhos? E então foram se distanciando, seja no calor das brigas ou no frio da indiferença e o desamor foi se instalando?

O que dói muito na separação são as lembranças do que houve de bom no relacionamento. Isso intensifica a sensação da perda. Admitir que esse casamento deu certo por algum tempo é acolher a dor dessas lembranças e perceber que um ciclo se fechou. E prosseguir na caminhada, se possível agradecendo a oportunidade de ter passado por essa experiência, incluindo o sofrimento que tem tanto a nos ensinar.

“Nada dá certo em minha vida” muitas vezes reflete expectativas tão grandiosas que a realidade fica sempre aquém do esperado. Quais são as falhas mais frequentes? Planejamento “pé no chão”, boas práticas de gestão, um plano de negócios bem arquitetado, quando se trata de abrir uma empresa ou de apresentar uma oferta de serviços. O alto índice de microempresas que abrem e fecham em torno de um ano de vida não expressa apenas dificuldades do cenário econômico, da burocracia infernal e da excessiva carga de impostos. Não adianta culpar a vida ou os outros. A melhor fonte de aprendizagem é a pergunta: “O que fiz, ou deixei de fazer, para que isso acontecesse”?

“Não dou certo para”… jogar futebol, aprender matemática, cozinhar, e outras tantas habilidades e competências não significa apenas admitir que não temos talento para tudo. Pode revelar nossa dificuldade de ter paciência com os inevitáveis erros e acertos do caminho da aprendizagem, de cultivar a persistência para vencer os obstáculos. Os projetos que “dão certo” incluem ideias ineficientes, tentativas frustradas, reformulações de propostas iniciais e muita determinação para não desistir de alcançar a meta.

Em muitos casos, o “nada dá certo” revela a autossabotagem, a incrível capacidade de “dar uma rasteira em nós mesmos”, muitas vezes sem sequer percebermos conscientemente o que estamos fazendo para minar o que dizemos que desejamos.

Ao olhar para trás e avaliar a própria trajetória, muitas pessoas sentem que o saldo é negativo. Até que ponto isso reflete uma avaliação pertinente, de ter deixado de aproveitar inúmeras oportunidades? Ou até onde isso revela a tendência de ver com lente de aumento o que não deu certo, desvalorizando as próprias competências e realizações?

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