Jovens se queixarem do que chamam de conservadorismo dos pais, e nem sempre de forma muito delicada, é bem comum. Realmente, certas aprendizagens que  fazemos na infância acabam se transformando em uma espécie de “segunda pele” na vida adulta. O que não quer dizer que, todas elas, são necessariamente ultrapassadas ou erradas. Embora algumas sejam repetidas mecanicamente e não se justifiquem nos dias atuais, muitas representam posturas que queremos realmente preservar. Crianças pequenas dificilmente criticam as regras da família, mas à medida que crescem, essa aceitação diminui. Atualmente as contestações  começam bem mais cedo: tanto pela liberdade que os pais dão, como pela ação das mídias. Ainda assim, questionamentos devem ser vistos como normais nas relações, e não devem ser confundidos com desrespeito, nem com agressão – simplesmente porque nem sempre o são. E isso vale para qualquer tipo de relacionamento, porque conflitos mal resolvidos podem causar rupturas insuperáveis. Mas não precisa ser assim: basta que cada parte tenha boa vontade e queira mesmo o entendimento. Não há dúvida, porém, de que o caminho é tortuoso e demanda habilidade. Na relação pais e filhos, espera-se que esta habilidade negociadora seja dos adultos. Mas não creio que deva ser só dos adultos. Os pais devem definir, como ponto de partida, que qualquer reivindicação tem ser feita com polidez. E quem deseja mudanças tem que compreender que só muda quem quer mudar – e quem está convencido de que a mudança lhe será

benéfica. É preciso saber também que cabe a quem está incomodado dar o primeiro passo; e não a quem está achando tudo ótimo. E isso muitos não percebem: que nem sempre os dois lados querem mudar. A resistência à mudança surge daí. Além disso, a tendência do ser humano é sempre achar que o outro é que está errado e, por isso, cada um luta para que o outro mude. Dá para entender porque tanto desentendimento… No caso de pais e filhos, a iniciativa poderia perfeitamente partir dos jovens. No entanto, embora adolescentes em geral se considerem super maduros, dificilmente agem de forma a contribuir para a paz familiar. Parecem acreditar que os pais sempre estão errados, cabendo, pois, aos filhos somente reclamar ou ficar de cara feia. Ocorre que, a partir dos doze anos, os jovens já têm capacidade de análise e podem perfeitamente identificar causas de desentendimentos, bem como tentar atenuar conflitos. Por outro lado, pais que desejam minorar brigas, precisam ter equilíbrio, paciência e trabalhar no sentido de dar responsabilidades aos filhos desde cedo, compreendendo também que, embora algumas atitudes soem como desrespeito (e às vezes são mesmo!), sempre se pode ensinar e aprender a conversar e a reivindicar adequadamente. A postura liberal gerou espaços para os filhos explicitarem desejos e objetivos, portanto, nada impede que a iniciativa parta deles. Quem quer mudanças, porém, deve conversar de forma educada – e argumentar embasadamente. Quanto aos adultos, cabe-lhes acreditar na capacidade dos jovens e, assim, atuar de forma a não lhes retardar atitudes maduras. Resumindo: quem deseja mudanças deve lutar por elas, mas para ter sucesso, a batalha deve se revestir de educação, reflexão e autocrítica.

 

(*) Filósofa, Mestre em Educação, Escritora, Autora de Encurtando a Adolescência.

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