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Muito se tem falado sobre empreendedorismo.

Salutar o fato de provocar nos jovens a iniciativa criativa para novos empreendimentos; mas será que todos nós temos as características necessárias para sermos de fato empreendedores?

Neste momento em que muitos estão ficando desempregados e recebendo suas verbas rescisórias, surge sempre a vontade de empreender, ter finalmente seu próprio negócio, a sonhada pousada, o “food truck”, uma franquia ou qualquer outro negócio que represente sua independência depois de um período como assalariado.

Aí é que podem começar os problemas. Se não somos suficientemente organizados em nossas finanças pessoais, será que estamos preparados para enfrentar uma situação completamente nova, que envolverá muitos outros aspectos até então não vivenciados enquanto éramos empregados?

Numa época onde a culinária parece ser a vocação de muitas pessoas, um levantamento da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrased) divulgada, entre outros veículos, no Estadão do dia 9 de maio mostra que existe a expectativa do fechamento de, nada menos, que 150 mil pontos em todo o país deste tipo de comércio.

Em 84% dos casos os motivos alegados são o prejuízo acumulado e a queda no faturamento, porém, a isso pode ser adicionada a maneira de administração do negócio que, inclusive, pode ser confundida com a administração financeira familiar – o que é erro antigo, conhecido, mas muito comum no fechamento precoce de muitos negócios num Brasil, reconhecidamente um país de empreendedores.

O SEBRAE acompanha este movimento com muita atenção e a leitura do rico material a respeito, editado por essa instituição, poderia ajudar muitos destes empreendedores, que pretendem iniciar seu próprio negócio. Estudos de mercado, localização, capital de giro, sócios, estes são alguns dos muitos temas abordados na pesquisa intitulada “Causa Mortis” que é bastante interessante.

Nem sempre aquilo que gostamos pode se transformar num negócio de sucesso. Exemplos clássicos são as pousadas, bares e restaurantes que, para os de fora, são lugares agradáveis, mas, para quem nestes ramos empreende, representa uma atividade que exige total controle das muitas variáveis que envolvem a operacionalização deste tipo de negócio.

Planejar, avaliar sua vida financeira de forma realista, envolver a família num esforço de equilíbrio, são atitudes que antecedem uma ação empreendedora que pode parecer salvadora, mas que pode trazer graves consequências num momento de vida onde o futuro não deve ser comprometido.

Pode não ser fácil, pode ser até frustrante, mas é necessário fazer uma autoanálise e reconhecer, se necessário for, que ser empreendedor não é ser aventureiro ou inconsequente com aqueles recursos que foram poupados durante vários anos de trabalho assalariado e com muito suor.

Pode parecer estranho, mas ficar parado também é um movimento e é assim que devem ser interpretadas medidas financeiras conservadoras que visam perpetuar o poder de compra da família antes de se iniciar um negócio.

Afinal, nem todos nós temos o espírito empreendedor e devemos reconhecer isso antes de darmos o pontapé inicial.

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