– Ela está chateada comigo. Disse que, em cinco anos de casados, eu nunca dei um presente caro. E o carinho, os passeios, e tantas outras coisas não contam? O que importa é mostrar para as amigas o que ganhou do maridão? – Pedro está perplexo com a insatisfação da esposa.

– E se meu filho resolver se separar, o que será das crianças? Aí não vou poder vê-las com tanta frequência. Isso será terrível!” – desabafa Sílvia, com lágrimas nos olhos.

É inevitável entrar no “minhocário” em alguns momentos da vida. Mas podemos nos esforçar para não permanecer nele por muito tempo, evitando cultivar “minhocas” de preocupação, frustração ou até mesmo de desalento e desespero, que conduzem à sensação de aridez e de vazio.

Para sair do “minhocário”, precisamos mergulhar em nosso interior com perguntas que nos ajudam a entender melhor o que está acontecendo conosco. Reconhecer nossa fragilidade, mas redirecionar o olhar para nossa força e competência para lidar com situações difíceis. Isso será útil para perceber com mais clareza os padrões de pensamento ou de crenças nos quais estamos nos aprisionando e que  ações nos conduzirão para a porta de saída.

Os padrões criados pela sociedade de consumo vinculam demonstrações de afeto ao preço dos presentes. Quando não conseguimos nos desvencilhar dessa crença, corremos o risco de não enxergar a qualidade do afeto pautado por outros parâmetros, criando insatisfação e amargura em relacionamentos que poderiam ser muito bem vividos.

O medo da perda e da solidão nos assombra em alguns momentos, quando constatamos que não podemos controlar a vida dos filhos adultos, livres para fazer as próprias escolhas. O sofrimento se intensifica com o “E se…”, que conduz às piores hipóteses que ocupam nossa mente e nos impedem de perceber que também nós somos livres para escolher novos caminhos, nas diferentes etapas da vida. Ficamos perdidos na sensação de total impotência, sem conseguir aproveitar o que está ao nosso alcance.

Quando o medo de sofrer perdas se intensifica é sinal de que nos perdemos de nós mesmos e precisamos nos achar. Podemos utilizar uma pergunta-bússola: O que de melhor podemos fazer por nós mesmos nas circunstâncias atuais?

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