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Cada vez mais, crianças e adolescentes estão se tornando mais consumistas. Para a educadora e psicóloga Maria Tereza Maldonado, cabe aos adultos a tarefa de mostrarem às crianças e aos adolescentes os prejuízos desse comportamento e como resistir aos apelos do consumo exagerado. Veja mais na entrevista a seguir.

Como os pais podem ajudar os filhos a não serem tão consumistas?

Maria Tereza Maldonado: A primeira coisa é rever seus próprios hábitos de consumo. Porque o que ocorre, na maioria das situações, é que os pais estão enredados nessa teia do consumismo. Muitas vezes, trabalham excessivamente com esse argumento: tenho de dar um bom padrão de vida para os meus filhos. E quando se pergunta: “o que é um bom padrão”, a resposta é “ah, é comprar coisas, roupas da moda, carro novo, celular, televisão”.

Ou seja: coisas que não são tão importantes.

Maria Tereza Maldonado: Sim, coisas que não são essenciais ou, pelo menos, não são tão essenciais quanto o tempo de convívio com a família. Então, muitas vezes, a história começa com os próprios adultos, que estão enredados nessa teia. E quando isso acontece, fica muito difícil falar para as crianças ou os adolescentes: olha, “acho que isso é supérfluo, não é necessário”. Porque, rapidamente, as crianças vão rebater esse argumento, dizendo que os pais têm tantas coisas que não usam. As crianças e os adolescentes têm uma visão muito crítica com relação a essa situação.

E você acha que os adultos estão dando conta de discutir essas questões?  

Maria Tereza Maldonado: Acho que essas reflexões estão em estágio ainda muito embrionário. Mas isso é uma necessidade, em algum momento, essa história terá que se expandir. Por conta não só do contexto planetário, mas também pelo fato de que caminhamos para um mundo de retração econômica, de recessão, não mais de abundância.

Onde os recursos se esgotam…

Maria Tereza Maldonado: Sim, os recursos se esgotam, claro. Mas também há uma questão econômica, indicando crises econômicas seríssimas pelo mundo. Então, a história de que desenvolvimento é ter mais coisas, de que progresso é ter mais coisas, ter status é ter mais coisas para ostentar…isso está em descompasso enorme com um mundo de escassez que vivemos. Então, correntes começaram a discutir isso, a simplicidade voluntária e o consumo consciente, e isso precisa ser fortalecido, precisa ser divulgado. Quanto mais eu tenho mais eu sou? NÃO! Tempo é dinheiro? NÃO. Tempo é melhor do que dinheiro. Não tenho que ficar me estressando para acumular mais trabalhos, empregos, para ganhar mais. Não! Eu posso simplificar a minha vida, posso abrir mão de ter carro, ter um armário menos cheio, menos sapatos. Tudo isso é uma linha de cuidados: consigo mesmo, com o meio ambiente, com seu tipo de relações.

Na verdade, então, o caminho é os adultos se educarem primeiro…

Maria Tereza Maldonado: Não há como educar as crianças se isso não for trabalhado nos adultos. Vai passar uma mensagem falsa! As crianças são excelentes observadoras. Se há uma gritante diferença entre o que eu digo e o que eu faço, essa mensagem não é convincente. Se eu quero dizer: meu filho, vamos sair; e o filho diz “quero ir ao shopping”… você pode dizer “não, vamos a um parque, vamos ao cinema, ver a natureza”. Se isso faz sentido para o adulto, ele consegue passar essa mensagem. Mas se eu digo que não tenho dinheiro par comprar, mas chego em casa com três sacolas, com blusas e roupas, como vou convencer minha filha adolescente – quando ela abre o armário e diz ‘não tenho nada para vestir’, mesmo com 102 vestidos – se eu estou na mesma situação? Não é possível isso. Então, precisamos trabalhar em nós uma coerência com relação aos valores que queremos transmitir, a visão de mundo e de vida que queremos resgatar.

Como as famílias podem trabalhar  a questão do TER e do SER?

Maria Tereza Maldonado: Em primeiro lugar, fazer uma revisão de seus próprios hábitos de consumo, percebendo o quanto você está caindo na rede das propagandas. É claro que as crianças vão pedindo aquilo que elas veem anunciado. E manter esse olhar crítico, questionar: por que você acha que precisa disso? Você quer ou você precisa? Essa pergunta já elimina muitas compras. Se for um adolescente ou uma criança maior, que já tem a semanada ou mesada, e se já maneja dinheiro, é legal que possa se esforçar para obter aquele objeto que deseja – ele vai juntar dinheiro, vai negociar, mas não deve ter tudo de imediato. Eu escuto muito os pais dizerem “não pude ter tudo que queria; agora, tudo que meus filhos querem eu dou”. Mas isso é um engano total.

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