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Sempre que dou palestras sobre educação financeira, mais com o objetivo de refletir do que fazer contas, me deparo com uma grande dificuldade: vender o futuro. Como explicar para um grupo de jovens na faixa de seus 20 anos, muitos deles iniciando suas carreiras, que um dia eles vão se aposentar? Um desafio e tanto.

 

Mas, para minha surpresa, tenho tido um bom retorno das minhas colocações neste assunto árido e sem graça. Um verdadeiro “papo de velho”.

 

Muitas das pesquisas divulgadas pelo SPC Brasil mostram que um dos maiores problemas de desequilíbrio das finanças pessoais é a impulsividade no ato de consumir. Tudo tem que ser rápido, tudo é para ontem e esta ansiedade generalizada “embaça” nossa visão com relação ao futuro, que parece cada vez mais longínquo, numa sociedade que dá mais valor ao material e à cultura do corpo do que ao intelecto.

 

Costumo dizer em minhas palestras, “um dia vocês vão se lembrar de mim, mas daqui a 40, 50 anos…”.

 

A despreocupação com o futuro faz com que os documentos que comprovam anos de trabalho sejam desprezados e mal guardados, que o pagamento do carnê do INSS durante um sabático seja obra de ficção e que o recebimento de uma aposentadoria pelo estado seja uma miragem (afinal, a mídia não para de falar que o sistema está quebrado).

 

O INSS pode “achatar” as aposentadorias, pagar cada vez menos, mas o fato é que ele não vai desaparecer e, por menor que seja o benefício, pode ser a “salvação da lavoura” em nossa  velhice. Por mais incrível que possa parecer, muitos lares brasileiros tem como principal fonte de sustento as (baixas) aposentadorias dos mais velhos da família. Pense nisso.

 

Qual a fórmula de convencimento ou tentativa de conscientização? Para alguém com 20 anos, a aposentadoria está muito longe; mas um dia, lá na frente, este mesmo jovem, já não tão jovem, vai começar a se preocupar e, ao verificar sua situação no INSS para a sua aposentadoria, terá surpresas.

 

Lembra-se do sabático de um ano? Então, aquele período de contemplação sem recolhimento vai exigir mais um bom tempo de contribuição. E aquela empresa que já não existe mais e você não tem como provar que lá trabalhou? Faltam alguns papeis? Onde estarão? Tudo bem. Aqueles “anos loucos” vão exigir mais algum tempo de recolhimento para que você seja elegível à aposentadoria. Aí o tempo já terá passado.

 

Ao fazer estas considerações noto que as expressões da plateia mudam, a cabeça dos jovens começa a trabalhar diferente.

 

Aí está o futuro vendido com dois simples instrumentos: uma pastinha da papelaria para guardar os papeis dos seus empregos e aquele carnê antiquado com sua capa de cor laranja para os recolhimentos nos momentos de contemplação.

 

Parece longe, mas o futuro está logo ali. Não me responda agora. Nos vemos daqui a 40 anos.

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