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Pesquisa recente do Serviço de Proteção ao Credito (SPC Brasil) mostrou que a poupança é, ainda hoje, a modalidade de investimento mais popular entre os brasileiros. De acordo com o levantamento, nada menos que 69 por cento dos entrevistados afirmam ter uma poupança, independentemente da frequência com que fazem aplicações. Parte da atração pela poupança está na tradição: a caderneta é o investimento mais antigo disponível no Brasil. Ela foi instituída em 1861, pelo Imperador D. Pedro II, junto com a criação da Caixa Econômica Federal. No início, rendia 6 por cento ao ano, e já era uma forma de corrigir o seu dinheiro de uma forma segura e sem muitas oscilações. A partir de 1964, aos 6 por cento foi acrescentada a correção monetária, como forma de compensar a alta dos preços em tempos de inflação em aceleração. Em 1994, com a estabilização da moeda, a correção monetária foi substituída pela TR, e os 6 por cento adicionais foram mantidos.

A principal razão que leva os consumidores a optarem pela poupança é a segurança, mencionada por 56 por cento dos que possuem essa modalidade. Eles acreditam que o investimento na caderneta os protege contra perdas. Isso é um fato: na poupança, você não verá seu patrimônio oscilar. Mas é preciso ter clareza sobre o que se entende por “perdas”. No quesito da rentabilidade, por exemplo, a poupança dificilmente será a melhor escolha e, mesmo que o retorno supere a inflação, você perde aquilo que poderia obter em outras aplicações mais rentáveis. O último ano foi especialmente ruim para os poupadores, pois a inflação superou a rentabilidade da poupança.

Isso significa que esse investimento deve ser abandonado? Tudo depende do que você quer. É preciso ter clareza de que nenhum investimento é só vantagem ou desvantagem: a melhor escolha é aquela que mais se adequa aos seus propósitos.  Além disso, as dificuldades conjunturais que elevaram a taxa de inflação e colocaram a poupança em quase absoluta desvantagem na correção do poder de compra não traduzem os períodos de normalidade.

Rentabilidade é uma variável que pesa na escolha de um investimento, mas não deve ser a única. Uma vida financeira saudável pressupõe organização. Um hábil investidor que aloca toda a sua reserva em aplicações de alto rendimento e pouca liquidez poderá ficar em maus lençóis caso lhe ocorra algum imprevisto. Os economistas chamam de “liquidez” o grau de facilidade para transformar um investimento em moeda corrente.

A boa prática financeira recomenda que se faça três tipos de reservas: para imprevistos e obrigações de curto prazo, sonhos de médio e longo prazo e aposentadoria. No caso de uma reserva de curto prazo, a tradicional caderneta poupança pode ser usada. Se você já tem uma conta corrente, consegue com relativa facilidade abrir uma conta poupança. Nela, não se exige limite inferior de depósito, de modo que você poderá começar aplicando a quantia que quiser. Para quantias de até R$ 250 mil, o Fundo Garantidor cobre sua reserva em caso de insolvência da instituição financeira.

Mesmo com relação aos recursos destinados a sonhos de médio e longo prazo, que podem ser desde uma viagem até a aposentaria, enquanto você decide qual é a melhor aplicação, a poupança pode ser um destino provisório. Se a alternativa, nesse caso, é deixar o dinheiro na conta corrente, será sempre melhor colocá-lo na conta poupança. Quando encontrar outra opção, o resgate é fácil: basta entrar no Internet Banking e fazer a transferência para a conta corrente ou aplicar.

Devido à popularidade, praticidade e tradição, a poupança também pode ser um ensaio para quem está iniciando sua reserva e não tem conhecimento de opções de investimento. Como reconheceram os consumidores entrevistados na pesquisa do SPC Brasil, este é um investimento seguro e seu patrimônio não irá oscilar. Sem cobrança de Imposto de Renda, taxa de administração e com a cobertura do FGC, você poderá desenvolver o valioso hábito de poupar.

Em resumo: com a facilidade que a caderneta oferece, tanto para aplicar, como para sacar, coloque ali o dinheiro que pretende guardar por pouco tempo e também o que julgar suficiente para cobrir imprevistos. Lembre-se sempre de que na conta corrente seu ganho será zero. Mas não se acomode: busque conhecer outras modalidades de investimento que proporcionem rendimento maior.

Veja aqui alguns tipos de investimentos!

Entenda como funciona o rendimento da poupança

O rendimento da poupança tem dois componentes: a Remuneração básica, também chamada de Taxa Referencial, e a Remuneração Adicional.

A chamada Remuneração Adicional depende da taxa Selic, definida pelo Banco Central. Quando a meta da taxa Selic é menor ou igual que 8,5 por cento ao ano, a Remuneração Adicional corresponde a 70 por cento da taxa Selic mensal. Quando a meta da Selic é maior 8,5 por cento, a Remuneração Adicional será 0,5 por cento.

Se a inflação que você espera superar a soma da Remuneração Básica com a Remuneração Adicional, temos o caso em que o rendimento da Poupança não cobre nem a inflação. Neste caso, suas reservas estarão perdendo poder de compra. Você pode acompanhar as projeções para a inflação no site do Banco Central, ou mesmo pelas mídias. Fique atento!

Procure comparar todas as variáveis, como inflação e outros tipos de investimento, considerando o mesmo período de tempo. Se você tem uma projeção da inflação para um ano, considere também o rendimento anual da poupança.

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