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19 julho 2017
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Veja atitudes que explicam por que não sobra dinheiro no fim do mês e o que fazer para evitá-las!

Você está sempre tão cheio de dívidas e com tanto aperto financeiro que viver no vermelho já parece parte da rotina. Até se esforça, mas, no fim do mês, é sempre a mesma coisa: nada de dinheiro para bancar as contas e dívidas. “As pessoas precisam ter em mente que as pequenas decisões do dia a dia, quando somadas, têm um enorme peso na saúde financeira de uma pessoa”, explica Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil. Isso significa que certos hábitos que você possui na maneira como lida com dinheiro podem ser a explicação do porquê as dívidas atrasadas são tão recorrentes na sua vida. Confira abaixo alguns dos motivos que contribuem para que uma pessoa não consiga se ver livre de dívidas e veja o que fazer para remediá-los!

Motivo 1: Você acha que ter dívidas é normal

O que fazer: Ter uma dívida não é necessariamente algo ruim. Por exemplo, a prestação de um financiamento para comprar um imóvel é uma dívida necessária para a maioria das pessoas que sonha com a casa própria. Organizando-se para quitar as parcelas em dia, ela pode não ter nenhuma interferência negativa nas finanças. “O problema é quando se contrai uma dívida sem necessidade, sem conhecer as taxas de juros, sem avaliar se o orçamento permite tal gasto e sem planejamento para quitar a dívida contraída”, explica Marcela. Ou seja, se a sua dívida te dá a maior dor de cabeça todo mês, se você quase não consegue quitá-la ou, pior, se ela está em atraso, com juros rodando por falta de pagamento, essa dívida é definitivamente ruim. E tê-la – junto com outras com o mesmo perfil – não é algo natural. Neste caso, o plano deve ser se livrar dessas dívidas!

Motivo 2: Você encara o cartão de crédito e o cheque especial como uma renda a mais

O que fazer: Você não se estressa caso a conta não feche no fim do mês porque, afinal, tem o cheque especial e o cartão de crédito para cobrirem suas despesas até o próximo salário cair, certo? O problema desse pensamento é que estas duas modalidades de crédito (sim, são um empréstimo que você faz!) possuem duas das mais altas taxas de juros. Para se ter uma noção, enquanto as taxas de juros do crédito consignado são de 30% ao ano, as do cheque especial são de 330% ao ano. E o rotativo do cartão de crédito? Cerca de 420% (também ao ano)! Ou seja, essa ilusão de ter renda a mais na verdade custa um bom dinheiro, mantendo você em uma rotina de aperto financeiro.

Motivo 3: Você emprestou seu nome

O que fazer: Uma pessoa que você gosta muito e na qual confia pediu para fazer uma compra em seu nome. Você fica sem jeito de negar e acaba cedendo. O problema é que esta pessoa agora está desempregada, sem recursos para quitar a dívida. E agora? É o seu nome que vai para o cadastro de negativados – ou é você quem paga o valor devido. “Nossas pesquisas mostram que na maioria dos casos de empréstimo de nome quem emprestou é que acaba pagando pela dívida contraída”, diz a economista, completando: “Nestes casos, o melhor é tentar ajudar de outra maneira”. Por exemplo, se a pessoa pede o cartão para fazer mercado, prefira ir com ela até o estabelecimento e fazer as compras conjuntamente, pagando você mesmo no caixa, não dando seu cartão”.

Motivo 4: Você não pesquisa preços e não pede descontos

O que fazer: Pesquisar preços e pechinchar sempre que possível são hábitos fundamentais para fazer boas compras e ficar longe de dívidas. Simplesmente porque eles permitem que sobre mais dinheiro no fim do mês. Afinal, economizando no dia a dia, poupar para quitar dívidas fica muito mais fácil! Sem falar que o hábito inspira maior responsabilidade frente o dinheiro, mostra que valoriza o que ganhou por seu esforço e trabalho. E, vale lembrar, pesquisar não é somente ver o valor, mas também as características do produto. “Nem sempre escolher apenas pelo preço é vantagem. Em muitos casos um produto um pouco mais caro pode ser mais adequado ao que o consumidor precisa e pode durar mais, valendo a pena no longo prazo”, diz Marcela.

Motivo 5: Você não acompanha suas finanças

O que fazer:Acompanhar as finanças é tanto olhar a fatura do cartão de crédito e o saldo da sua conta corrente toda semana, como também analisar seu orçamento com a mesma periodicidade”, explica Marcela. Ou seja, trata-se de algo que embora não exija muito do seu tempo deve ser feito com cuidado e atenção. Assim, além de montar um controle financeiro (no caderninho, na planilha do computador, usando aplicativo, não importa) é preciso analisá-lo. Ver com o que está gastando, onde consegue economizar, se tem o bastante para despesas futuras… O hábito impede que você, por exemplo, pense que tem muito dinheiro no saldo quando na verdade em menos de uma semana precisará pagar uma conta alta.

Motivo 6: Você compra com pela emoção

O que fazer: É aquela história do “eu mereço”. Seu chefe foi injusto, a amiga pisou na bola, você está se sentindo triste ou muito feliz então “ah, eu mereço jantar num bom restaurante”, ou “a blusa que tanto queria” ou “uma viagem bacana no fim de semana”. Afinal, o que não pode ser parcelado hoje em dia, né? O problema é que as parcelas se acumulam e pode ser que em um mês elas se tornem, juntas, mais do que você consegue pagar. E aí? Não deixe suas emoções comprometerem suas finanças. É preciso entender que querer não é precisar e que a sensação de bem-estar que esse gasto impulsivo gerou logo passa – enquanto as dívidas continuam.

Motivo 7: Você tem vergonha de dizer não

O que fazer: Os amigos combinam de sair, falam em conhecer um lugar novo, todos estão animados. Todos menos você, que sabe que a conta no fim da noite será alta e o momento não está para ostentação. Só que você não consegue dizer isso ao grupo e acaba indo – e gastando no cartão. Essa vergonha em dizer que um determinado evento não cabe no seu orçamento pode surgir também quando a filha pede um brinquedo, quando o parceiro ou parceira fala em ir ao teatro, enfim, quando alguém presume que você tem recursos que na verdade não possui. “Nesta época de crise está mais fácil explicar que simplesmente não tem verba para isso ou aquilo. A fala deve ser natural, sem constrangimentos”, diz o educador financeiro do Portal Meu Bolso Feliz, José Vignoli. Se a pessoa insistir, explique que sua saúde financeira é prioridade e que quem sabe mês que vem. E aí, claro, junte dinheiro para essas situações.

Motivo 8: Você não tem uma reserva para imprevistos

O que fazer: “Quem se depara com alguma dificuldade, como perda do emprego ou conserto de algo que estragou em casa, por exemplo, e não tem reserva para imprevistos certamente terá dificuldades para arcar com as despesas”, explica Marcela. Assim, guardar um pouco todo mês em um investimento no qual você não mexerá a não ser que precise é fundamental para evitar dívidas. Mesmo se o que tiver para investir mensalmente for pouco, não importa. “O que importa é o hábito de poupar e de criar essa reserva”, complementa Vignoli. Uma dica é programar no banco depósitos automáticos, a serem debitados da sua conta para uma poupança ou outro investimento todo mês, preferencialmente assim que seu salário cair na conta.

Motivo 9: Você não tem grandes objetivos para o futuro

O que fazer: Além da reserva para imprevistos é importante ter uma reserva para sonhos. Casa própria, estudar fora, um curso de pós-graduação, uma grande viagem. “Ter esse objetivos é importante porque eles dão à pessoa foco para economizar”, explica a economista. Por exemplo, entre comprar uma calça nova ou guardar dinheiro para um intercâmbio é bem provável que você opte pelo último, pois colocou a reserva para os sonhos como prioridade. Além disso, como muitos sonhos exigem que se compre à prazo (uma casa, por exemplo), ter foco para conseguir economizar e pagar as parcelas é fundamental.

Motivo 10: Você não resiste a uma boa promoção

O que fazer: Promoções só são vantajosas se você de fato precisa do item que está comprando. “É justamente em época de promoções que mais se deve controlar a sensação de que precisa comprar um produto só porque o preço está bom”, diz José Vignoli. Ou seja, se não precisa daquilo, não leve para casa, pois é um gasto desnecessário.

Paula Aftimus

Jornalista com especialização pela State University of New York, editora de publicações e portais do Grupo Abril e do Grupo LANCE!, especialista em mídias digitais e marketing de conteúdo. MBA em Gestão Estratégica e Econômica de Projetos pela FGV.

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